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Destaques

Documentário da Netflix aborda caso Elisa Lam e histórico mórbido do Cecil Hotel

Dependendo da sua idade e do quanto você é ligado às notícias e ao mundo online, é bem provável que você tenha ouvido falar sobre o caso da Elisa Lam , uma canadense descendente de chineses que  viajou para os Estados Unidos e morreu em um hotel de Los Angeles . O caso polêmico na época foi explorado na série documental Cena do Crime – Mistério e Morte no Hotel Cecil (Crime Scene: The Vanishing at the Cecil Hotel) , dirigido pelo norte-americano Joe Berlinger e distribuído pela Netflix , em 2021. Em quatro episódios, de forma linear, é contada a história de como Elisa Lam foi parar no Cecil Hotel e um pouco de sua personalidade no mundo digital e afinidade com o Tumblr. Importante mencionar que o documentário não traz entrevistas com os familiares de Elisa Lam. Se nem os próprios familiares conhecem a fundo uma pessoa, me pergunto por que há tantas pessoas aleatórias na internet e fãs de teorias da conspiração que se sentem no direito de dizer que algo poderia ou não ter acontecido. 

5 Trechos do livro Cérebro e Meditação (Wolf Singer e Matthieu Ricard)

Um bate-papo entre um monge budista e um neurobiologista sobre mente, consciência, meditação e demais assuntos relacionados ao funcionamento cerebral e bem-estar. Essa é a proposta do livro Cérebro e Meditação: Diálogos entre o budismo e a neurociência, dos autores Wolf Singer e Matthieu Ricard, publicado no Brasil pela editora Alaúde, em 2018, com tradução de Fernando Santos.


Entre convergências e divergências, os dois estudiosos da mente discutem questões filosóficas e biológicas do funcionamento do pensamento. Somos naturalmente bons ou somos influenciados por nossos ambientes e pela formação cerebral? De um lado a ciência moderna e do outro a tradição oriental sobre como percebemos a realidade.

Resultado de conversas durante oito anos entre o neurocientista Wolf Singer e o monge Matthieu Ricard, longe de responder as perguntas de forma fechada, o livro abre possibilidades de pensamento e reflexão e através da ciência e do budismo, nos lembra que nosso funcionamento cerebral é mais complexo do que imaginamos.

Nos últimos anos, a meditação tem ganhado cada vez mais importância como uma estratégia complementar no cuidado da saúde mental, ajudando a reduzir a ansiedade e no tratamento de depressão. Além dos benefícios do mindfulness (atenção plena), o monge lembra que existem alguns pontos em comum entre o budismo e a terapia cognitiva.

Outro ponto que chamou a minha atenção na leitura foi os autores terem mencionado a questão do nazismo e discutindo como a população foi levada a odiar. Um assunto que permanece em pauta em épocas de polarização e crimes de ódio (motivados pelo preconceito). Em situações de crise, o ser humano acaba se afastando da empatia e de cultivar a paz interna e acaba revelando seu lado sombrio.

Para quem busca algo mais prático, este não é o livro recomendado. Cérebro e Meditação é uma leitura mais filosófica, voltado para os curiosos e interessados no assunto. Se na prática da meditação ajudamos a desatar os nós e a manter o foco no presente, na obra somos confrontados com tantas questões que é difícil não navegar pelo passado, presente e futuro, entre os pensamentos do ocidente e do oriente, sem ficar inquietado pela curiosidade.

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Confira 5 trechos do livro Cérebro e Meditação:


“De fato, um dos objetivos das terapias cognitivas é fazer com que os pacientes tomem consciência das construções mentais e exageros irrealistas que eles sobrepõem a determinados eventos e situações. Outro ponto em comum entre as terapias cognitivas e o budismo consiste em reduzir certa propensão que as pessoas têm a dar demasiada importância – ou mesmo prioridade absoluta – a seus próprios objetivos e desejos, em detrimento dos outros e do bem-estar e da saúde mental deles” – Matthieu Ricard

“Considerar o ódio como aceitável ou mesmo chegar ao ponto de promovê-lo como virtude é o arquétipo da cegueira mental. Isso não significa necessariamente que esses indivíduos tinham uma anomalia no cérebro, mas que eles aprenderam – e alguns, bem rápido –a aceitar a aberração como norma e a ficar indiferente à crueldade mais terrível. Inúmeros fatores podem levar a esses extremos: explorar temores do povo e transformá-los em ódio, recorrendo a uma propaganda bem orquestrada; apostar na tendência das pessoas de moldar seu comportamento de acordo como o da maioria dominante, mesmo se esse comportamento se torna desumano; amortecer seus próprios sentimentos de empatia; demonizar o outro, o que permite eliminar qualquer preocupação e respeito com o bem-estar alheio; ou ainda tratar os outros como animais, isto é, não atribuindo valor algum à vida deles” – Matthieu Ricard

“A neurociência pode elucidar os mecanismos em que se baseiam as funções cognitivas que permitem aos seres humanos engendrar uma evolução cultural. As ciências humanas analisam a dinâmica dos sistemas culturais, assim como o surgimento de conceitos, normas e modelos novos. As áreas pioneiras da neurociência, como a chamada neurociência social, estão começando a explorar como a inserção profunda do cérebro humano nos contextos socioculturais atua no desenvolvimento do cérebro e contribui para diversificar suas funções” – Wolf Singer

“O cérebro possui uma capacidade enorme de armazenar informações. E, na vida cotidiana, para evitar o perigo, nós dependemos continuamente de informações das quais não temos consciência. Recorremos a canais intuitivos que se mostram muito eficazes, mas que são diferentes das estratégias que consideramos racionais. Se essas tentativas falham, temos a tendência de considerar essa falha natural. Por outro lado, se elas têm êxito, ficamos muitas vezes com a impressão de que essas soluções são de natureza milagrosa” – Wolf Singer

“A tagarelice interior é provocada pela simples proliferação de pensamentos. Sem reprimi-los, você pode simplesmente deixar que eles desapareçam à medida que se manifestam. Não adianta nada tentar interromper as percepções do mundo exterior, como o canto dos pássaros lá fora. Você simplesmente deixa os pensamentos surgirem e se desfazerem sozinhos. Os ensinamentos budistas dão como exemplo um desenho feito com o dedo na superfície de um lago. Se você desenha a letra A, ela desaparece à medida que você a escreve. É completamente diferente de gravá-la numa pedra. Também damos o exemplo de um pássaro que atravessa o céu sem deixar traços. É inútil tentar bloquear os pensamentos que já estão ali. Por outro lado, é certo que podemos impedir que eles invadam nossa mente” – Matthieu Ricard

Sobre os autores:

Matthieu Ricard é monge budista há quarenta anos, intérprete do dalai-lama para o francês, fotógrafo, doutor em Genética Celular e membro ativo do instituto Mind and Life. Vive no Nepal, onde se dedica aos projetos humanitários da Associação Karuna-Schechen. Seu site é https://www.matthieuricard.org/

Wolf Singer é neurobiologista, diretor emérito do Instituto Max Planck de Pesquisa do Cérebro, fundador do Instituto dos Estudos Avançados Frankfurt e do Instituto de Neurociência Ernst Strüngmann, juntamente com a Sociedade Max Planck. É um dos maiores especialistas mundias do cérebro e autor de mais de quatrocentos artigos sobre neurociência. Saiba mais em http://brain.mpg.de/

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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