Pular para o conteúdo principal

Destaques

12 Graphic Novels que você precisa ler

Começou como uma forma de experimentação na leitura. Apesar de gostar de tirinhas, nunca tinha me aventurado pelo universo das graphic novels, como aconteceu há alguns anos – pelo menos, não de forma que me interessasse.

Percebo que cada vez mais pessoas estão se interessando pelos diferentes formatos de narrativas. Acho válida toda forma de contação de histórias e acredito que elas podem criar experiências complementares. Há espaço para todos gostos.


Com doze indicações de leitura, dá para ler um livro por mês ou ler todos em um só mês, dependendo do ritmo de leitura e da fome por histórias de cada um. Entre temáticas mais sociais e outras mais fantasiosas, as graphic novels podem ser uma porta de entrada para outros livros, como podem ocupar um espaço central no coração de quem é aficionado por histórias ilustradas.

Histórias que podem ir muito além de um passa-tempo, como se acreditava antigamente, mas também proporcionar reflexões sobre a vida, juntando o melhor dos dois mundos: d…

5 Trechos do livro Cérebro e Meditação (Wolf Singer e Matthieu Ricard)

Um bate-papo entre um monge budista e um neurobiologista sobre mente, consciência, meditação e demais assuntos relacionados ao funcionamento cerebral e bem-estar. Essa é a proposta do livro Cérebro e Meditação: Diálogos entre o budismo e a neurociência, dos autores Wolf Singer e Matthieu Ricard, publicado no Brasil pela editora Alaúde, em 2018, com tradução de Fernando Santos.


Entre convergências e divergências, os dois estudiosos da mente discutem questões filosóficas e biológicas do funcionamento do pensamento. Somos naturalmente bons ou somos influenciados por nossos ambientes e pela formação cerebral? De um lado a ciência moderna e do outro a tradição oriental sobre como percebemos a realidade.

Resultado de conversas durante oito anos entre o neurocientista Wolf Singer e o monge Matthieu Ricard, longe de responder as perguntas de forma fechada, o livro abre possibilidades de pensamento e reflexão e através da ciência e do budismo, nos lembra que nosso funcionamento cerebral é mais complexo do que imaginamos.

Nos últimos anos, a meditação tem ganhado cada vez mais importância como uma estratégia complementar no cuidado da saúde mental, ajudando a reduzir a ansiedade e no tratamento de depressão. Além dos benefícios do mindfulness (atenção plena), o monge lembra que existem alguns pontos em comum entre o budismo e a terapia cognitiva.

Outro ponto que chamou a minha atenção na leitura foi os autores terem mencionado a questão do nazismo e discutindo como a população foi levada a odiar. Um assunto que permanece em pauta em épocas de polarização e crimes de ódio (motivados pelo preconceito). Em situações de crise, o ser humano acaba se afastando da empatia e de cultivar a paz interna e acaba revelando seu lado sombrio.

Para quem busca algo mais prático, este não é o livro recomendado. Cérebro e Meditação é uma leitura mais filosófica, voltado para os curiosos e interessados no assunto. Se na prática da meditação ajudamos a desatar os nós e a manter o foco no presente, na obra somos confrontados com tantas questões que é difícil não navegar pelo passado, presente e futuro, entre os pensamentos do ocidente e do oriente, sem ficar inquietado pela curiosidade.

Compre o livro Cérebro e Meditação: https://amzn.to/2CnZIhn

Confira 5 trechos do livro Cérebro e Meditação:


“De fato, um dos objetivos das terapias cognitivas é fazer com que os pacientes tomem consciência das construções mentais e exageros irrealistas que eles sobrepõem a determinados eventos e situações. Outro ponto em comum entre as terapias cognitivas e o budismo consiste em reduzir certa propensão que as pessoas têm a dar demasiada importância – ou mesmo prioridade absoluta – a seus próprios objetivos e desejos, em detrimento dos outros e do bem-estar e da saúde mental deles” – Matthieu Ricard

“Considerar o ódio como aceitável ou mesmo chegar ao ponto de promovê-lo como virtude é o arquétipo da cegueira mental. Isso não significa necessariamente que esses indivíduos tinham uma anomalia no cérebro, mas que eles aprenderam – e alguns, bem rápido –a aceitar a aberração como norma e a ficar indiferente à crueldade mais terrível. Inúmeros fatores podem levar a esses extremos: explorar temores do povo e transformá-los em ódio, recorrendo a uma propaganda bem orquestrada; apostar na tendência das pessoas de moldar seu comportamento de acordo como o da maioria dominante, mesmo se esse comportamento se torna desumano; amortecer seus próprios sentimentos de empatia; demonizar o outro, o que permite eliminar qualquer preocupação e respeito com o bem-estar alheio; ou ainda tratar os outros como animais, isto é, não atribuindo valor algum à vida deles” – Matthieu Ricard

“A neurociência pode elucidar os mecanismos em que se baseiam as funções cognitivas que permitem aos seres humanos engendrar uma evolução cultural. As ciências humanas analisam a dinâmica dos sistemas culturais, assim como o surgimento de conceitos, normas e modelos novos. As áreas pioneiras da neurociência, como a chamada neurociência social, estão começando a explorar como a inserção profunda do cérebro humano nos contextos socioculturais atua no desenvolvimento do cérebro e contribui para diversificar suas funções” – Wolf Singer

“O cérebro possui uma capacidade enorme de armazenar informações. E, na vida cotidiana, para evitar o perigo, nós dependemos continuamente de informações das quais não temos consciência. Recorremos a canais intuitivos que se mostram muito eficazes, mas que são diferentes das estratégias que consideramos racionais. Se essas tentativas falham, temos a tendência de considerar essa falha natural. Por outro lado, se elas têm êxito, ficamos muitas vezes com a impressão de que essas soluções são de natureza milagrosa” – Wolf Singer

“A tagarelice interior é provocada pela simples proliferação de pensamentos. Sem reprimi-los, você pode simplesmente deixar que eles desapareçam à medida que se manifestam. Não adianta nada tentar interromper as percepções do mundo exterior, como o canto dos pássaros lá fora. Você simplesmente deixa os pensamentos surgirem e se desfazerem sozinhos. Os ensinamentos budistas dão como exemplo um desenho feito com o dedo na superfície de um lago. Se você desenha a letra A, ela desaparece à medida que você a escreve. É completamente diferente de gravá-la numa pedra. Também damos o exemplo de um pássaro que atravessa o céu sem deixar traços. É inútil tentar bloquear os pensamentos que já estão ali. Por outro lado, é certo que podemos impedir que eles invadam nossa mente” – Matthieu Ricard

Sobre os autores:

Matthieu Ricard é monge budista há quarenta anos, intérprete do dalai-lama para o francês, fotógrafo, doutor em Genética Celular e membro ativo do instituto Mind and Life. Vive no Nepal, onde se dedica aos projetos humanitários da Associação Karuna-Schechen. Seu site é https://www.matthieuricard.org/

Wolf Singer é neurobiologista, diretor emérito do Instituto Max Planck de Pesquisa do Cérebro, fundador do Instituto dos Estudos Avançados Frankfurt e do Instituto de Neurociência Ernst Strüngmann, juntamente com a Sociedade Max Planck. É um dos maiores especialistas mundias do cérebro e autor de mais de quatrocentos artigos sobre neurociência. Saiba mais em http://brain.mpg.de/

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Comentários

Mais lidas da semana