Diante de mais de 5 mil denúncias de Assédio Eleitoral, começo a me perguntar se poder se posicionar é um privilégio que nem todos têm. Então, o não posicionamento do outro nem sempre tem a ver com o que ele pensa, mas por questões que não precisa se justificar. Quando colocamos expectativas em algo e/ou alguém, estamos sujeitos à frustração. É normal sentir decepção quando algo não acontece do modo que esperávamos, mas nem tudo é simples como parece. Enquanto milhões de brasileiros usaram as redes sociais para se posicionar, teve muita gente que não fez, não necessariamente porque não queria. Então, diante do medo e do assédio eleitoral, ou por qualquer outro motivo, temos que aceitar que cada um fez o melhor que pode e cada um sabe o que é melhor para si mesmo. Tenho muita gratidão por cada pessoa que se manifestou. Mas também carrego a esperança de que nem todo mundo pode ou quer, seja lá por qual motivo e está tudo bem. Amadurecer envolve lidar com a frustração. Então, só entã...
“Boas ideias vêm de acidentes felizes”. Com essa premissa, o curta de animação A Cloudy Lesson narra a história de um avô tentando ensinar o seu ofício de criação de nuvens para o seu neto. A história com um gostinho de nostalgia me fez refletir sobre a importância da técnica, de respirar bem e também de saber transformar imprevistos em oportunidades.
Assista ao curta de animação A Cloudy Lesson:
Quando era criança, me lembro das longas viagens de carro e de como além da música, as nuvens eram uma distração para mim. Era como se através dos seus formatos, elas contassem uma história. Mas o mais interessante é notar que nossa percepção se transforma a todo instante e as formas das nuvens também ganhavam outros contornos e significados.
Com sensibilidade e delicadeza, o curta mostra a paciência do avô ao instruir o neto e como o homem permanece observador e se maravilha com a descoberta do neto. Creio que, muitas vezes, dessa forma é preciso se posicionar diante do estado criativo, se deixar levar pelo fluxo e se permitir apreciar a arte final.
A liberdade criativa ajuda a balancear o excesso de autocrítica. O curta também me faz refletir sobre a importância da leveza, da respiração consciente e da intenção. O processo de criação pode ser mágico ou pode ser um pesadelo dependendo de como nos relacionamos com ele.
Embora a figura do mestre esteja presente na animação, é preciso levar em conta que o processo criativo pode ser bem solitário e para garantir sua existência contínua, se no processo de revisão e edição podemos ser mais críticos, quando estamos fervilhando de ideias, não podemos esquecer de sermos nossos próprios mentores e não cairmos na tentação de desistir no meio do caminho. Como diz a expressão, “feito é melhor do que um nada perfeito”.
Sobre a animação – Produzido no Ringling College of Art + Design, o curta foi dirigido e animado por Yezo Xue e design de som por Tom Lecher / Echo Boys.
Sobre a Ringling College of Art and Desing – Desde 1931, criativos de todos os cantos do mundo visitam a Faculdade de Artes e Design de Ringling para aprofundar, transformar e explorar suas paixões. Mais de 1.400 alunos são motivados pela necessidade de criar - e fornecemos as ferramentas para transformar a paixão em profissão: um corpo docente premiado, tecnologia de ponta e uma comunidade criativa e de apoio. Mais informações: https://www.ringling.edu/