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Destaques

Nostalgia da nostalgia

Dias de nostalgia da nostalgia, em que parecia sentir falta de algo ou alguém. Dias em que sabia que era delicioso se perder na sensação de que o passado proporcionava, mas que sabia a importância de voltar a atenção para o presente. Então, os dias continuavam seguindo, mesmo quando uma parte nossa insistia na nostalgia. Nostalgia boa era coisa temporária, mais do que isso poderia se tornar tóxica. A verdade era que escrevia para dar sentido às coisas. A verdade era que tinha uma relação dupla com a nostalgia; em alguns instantes, adorava, em outros, achava que era o pior que poderia acontecer. Escrevia, então, na esperança de continuar mantendo a nostalgia sob controle, aceitando que o passado não voltaria e estava tudo bem ressignificar as coisas. Ao dar um novo sentido, a nostalgia também se transformava. E, então, quem sabe poderia se manter em um nível mais saudável e menos tóxico. Se apegar à nostalgia, mas sentir os pés firmes no presente.  *Ben Oliveira é escritor, formado ...

A Maldição da Residência Hill: Série de terror faz sucesso na Netflix

Casas carregam histórias, memórias e fantasmas. A Maldição da Residência Hill (The Haunting of Hill House) foi uma surpresa boa neste 2018. A série da Netflix estreou neste mês de outubro, época em que aumenta a procura dos telespectadores por histórias de terror e foi bem elogiada por escritores do gênero, como Stephen King, e apreciada por telespectadores de diferentes lugares do mundo.


Com personagens bem construídos, a linha do tempo se divide entre a infância dos personagens na casa Hill e a vida adulta no presente. Como bom amante de histórias do gênero, apesar de ter adorado a atmosfera sombria, o elemento dramático e as experiências dos personagens e como eles foram influenciados pelo passado foi tão bem elaborado que foi o que me conquistou.

“The Haunting of Hill House revisado e remodelado por Mike Flanagan. Eu normalmente não me importo com esse tipo de revisionismo, mas isso é ótimo. Perto de um trabalho de gênio, realmente. Eu acho que Shirley Jackson aprovaria, mas quem sabe com certeza” – Stephen King

A inocência e a tranquilidade dos moradores da residência Hill são afetadas pelos acontecimentos estranhos. Imaginação, delírio, loucura, doença, pesadelo, trauma. Quem já leu Escrita Maldita, sabe que adoro brincar com essas linhas e sobreposições entre o terror psicológico e o terror paranormal. Os roteiristas usam a circularidade temporal para dar mais profundida aos personagens e conseguem fazer cada episódio valer cada minuto, algo bem surpreendente para uma série, já que muitos filmes de terror conseguem ser mais impactantes do que narrativas seriadas.

Não é uma série para quem quer levar sustos, embora telespectadores mais sensíveis possam ficar com medo – muitos sites chegaram a divulgar que as pessoas que estavam assistindo A Maldição da Residência Hill tiveram ansiedade, insônia e/ou passaram mal –, mas é um drama sobre famílias, segredos, medos e como o tempo, a distância e as diferentes experiências de vida acabam os levando para caminhos diferentes e como ter crescido em uma casa com um passado sombrio e sua presença sobrenatural pode moldar as personalidades e destinos.

Apesar de entrelaçar bem as pontas da narrativa, A Maldição da Residência Hill termina com um gostinho de quero mais. A série dirigida por Mike Flanagan fez tanto sucesso que as pessoas estão se questionando se terá uma 2ª temporada e qual será o formato, se vai continuar se focando na história da família Crain ou se será uma espécie de antologia, se focando em outras tramas a cada temporada.

Os atores principais confirmaram interesse de participar de uma possível nova temporada. Segundo informações do jornal Express, Michiel Huisman comentou que o futuro de A Maldição da Residência Hill depende da audiência e que uma das vantagens da Netflix é poder acompanhar se as pessoas estão assistindo ou não. O ator interpretou o personagem Steven Crain, o escritor que escreve um livro não só sobre o que teria acontecido a sua família em sua infância, como também investigou outros casos paranormais – o que daria uma boa oportunidade de continuar explorando tanto o núcleo Crain, como apresentando outras pessoas e locais mal-assombrados.

A Assombração da Casa da Colina, livro da escritora Shirley Jackson que serviu de inspiração para o roteiro, foi publicado originalmente em 1959. O livro de terror gótico foi finalista de um prêmio nacional de livro dos Estados Unidos e considerado uma das melhores histórias de fantasma publicadas no século XX.

No Brasil, a edição mais recente da obra literária foi publicada pela Editora Suma, em 2018, com tradução de Débora Landsberg. Ficou curioso para ler o livro? Eu também! 

Encontre o livro A Assombração da Casa da Colina (Shirley Jackson): https://amzn.to/2qxUQ25

Confira a sinopse do livro:

Considerada a rainha do terror por mestres como Stephen King e Neil Gaiman, Shirley Jackson cria uma obra perturbadora sobre a relação entre a loucura e o sobrenatural.

Sozinha no mundo, Eleanor fica encantada ao receber uma carta do dr. Montague convidando-a para passar um tempo na Casa da Colina, um local conhecido por suas manifestações fantasmagóricas. O mesmo convite é feito a Theodora, uma alma artística e sensitiva, e a Luke, o herdeiro da mansão. Porém, o que começa como uma exploração bem-humorada de um mito inocente se transforma em uma viagem para os piores pesadelos de seus hóspedes. Com o tempo, fica cada vez mais claro que a sanidade — e a vida — de todos está em risco.

"Nenhum organismo vivo pode existir muito tempo com sanidade sob condições de realidade absoluta; até cotovias e gafanhotos, supõem alguns, sonham. A Casa da Colina, desprovida de sanidade, se erguia solitária contra os montes, aprisionando as trevas em seu interior; estava desse jeito havia oitenta anos e talvez continuasse por mais oitenta. Lá dentro, paredes continuavam de pé, tijolos se juntavam com perfeição, assoalhos estavam firmes e portas estavam sensatamente fechadas; o silêncio se escorava com equilíbrio na madeira e nas pedras da Casa da Colina, e o que entrasse ali, entrava sozinho."

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon (disponível no Kindle Unlimited) e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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