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Destaques

I Missed You: Filme taiwanês de drama relaciona os bloqueios emocionais aos digitais

As redes sociais já se tornaram tão parte das nossas vidas que, muitas vezes, servem como um baú de memórias, o qual podemos abrir e fechar conforme nossas necessidades. No filme taiwanês I Missed You , de 2021, dirigido por Chih-Yen Hsu e Mag Hsu , a protagonista é confrontada a encarar os seus bloqueios emocionais e digitais, para descobrir a causa de sua infelicidade. Kuo Chinchin (Eve Ai) é uma programadora viciada em trabalho. Por trás de sua personalidade durona, o telespectador conhece um pouco do seu passado conforme ela decide desbloquear duas pessoas do seu Facebook – de forma paralela a quem está assistindo, a personagem vai mergulhando cada vez mais no seu interior e martelando as memórias, as emoções e as escolhas. Sem exageros dramáticos, o filme tem um toque intimista e promove uma boa reflexão sobre como a tecnologia se tornou uma ferramenta não só para conhecer novas pessoas, mas também para criar mais proximidade ou afastamento das conexões com o passado, servindo pa

Autismo: X-MEN e sua lição sobre Autoestima, Autoimagem e Aceitação

No clima da campanha de autoestima da Autísticos:


É preciso tomar muito cuidado com as palavras. Presumir que alguém por estar no espectro autista quer ser 'curado' é ofensivo. Eu não trocaria meu cérebro autista por um cérebro neurotípico (não-autista). Em muitos aspectos, somos capazes de coisas que neurotípicos não fazem nem a metade.


Eu sou quem eu sou por causa do meu autismo (Síndrome de Asperger). Sinto muito se alguns Neurotípicos se acham melhor do que autistas. O autismo é muito complexo e tem uma diversidade gigantesca. Mesmo dois Aspergers podem ser completamente diferentes, especialmente se envolver o mundo da Dupla Excepcionalidade (Altas Habilidades).

Cada pessoa reage de uma forma diferente ao diagnóstico. Alguns lidam com rejeição durante anos, até fazerem as pazes consigo mesmos.

Para alguns, pode ser mais pesado do que para outros (especialmente de acordo com a necessidade de apoio e/ou comorbidades), mas mesmo nos dias ruins, eu não trocaria os meus dias bons.

Não se trata de romantizar, mas de autoaceitação. Ainda sobre essa questão, às vezes, damos patadas sem querer, especialmente se envolve nossos hiperfocos. Em muitos casos, a patada nunca é de graça.

Se você não entende nada de autismo ou entende superficialmente, se coloque no papel de quem vai aprender algo com autistas, não no papel de quem quer julgar, opinar e discutir como se soubesse mais do que nós que vivemos na pele diariamente.

Nossa forma de perceber o mundo, em muitos aspectos, pode ser eficiente. Não acho que somos melhores nem piores, mas às vezes é preciso se posicionar.

Assim como em X-MEN cada pessoa reage de uma forma diferente e todos eles lidam com preconceitos internos e externos, conflitos dentro dos mutantes e com não-mutantes, a vida de muitos autistas é assim, especialmente dos que lutam por dias melhores.

As pessoas presumem que conhecem a vida de pessoas no espectro. Não sabem metade. Tretas semanais, divergências ideológicas, como qualquer grupo social. Somos unidos e desunidos ao mesmo tempo. Quando é algo importante, deixamos as diferenças e birras pessoais de lado (pelo menos alguns).

– Existem autistas que se acham superiores aos não-autistas (que somos uma evolução);

– Os que não se acham nem superior nem inferior (temos cérebros que funcionam de forma diferente e está tudo bem);

– Os que se acham inferiores (muitas vezes, tem um histórico de bullying, comorbidades e falta de apoio das pessoas ao redor).


Na vida, acredito que tudo é uma questão de equilíbrio. Autoestima é importante e precisa ser trabalhada. A autoimagem de um autista é construída em seu contexto. Se a pessoa cresce ouvindo coisas negativas sobre ela, ela vai se sentir desse jeito. Como tudo na vida, se você se focar só no lado negativo, as coisas ficam mais pesadas. É importante o autoconhecimento: uma jornada diária que todos deveriam percorrer (seja autista, familiar de autista ou neurotípico).

O movimento autista não é homogêneo. Autistas não pensam igual. Alguns tomariam uma cura se existisse, e é uma escolha deles. Mas achar que todos gostariam é demais.

Não apoio uma cura. Só quem conhece a complexidade do cérebro sabe que em muitos casos, durante anos, recursos estão sendo desperdiçados com pesquisas poderiam ser usados com pesquisas para aumentar a qualidade de vida.


Muitas pesquisas do autismo se focam tanto em ver como patologia, que ignoram as opiniões de autistas leves e de outros graus. Existem livros, vídeos, textos produzidos por autistas de diferentes graus pelo mundo. Nem todos chegam ao Brasil.

Falta muito conteúdo e troca de informações no Brasil para que o país chegue a um nível aceitável de discussão sobre autismo, até lá, a gente quebra tabus diariamente.

As associações, por exemplo, têm o dever de alertar sobre tratamentos falsos de autismo. Dá para contar nos dedos quem faz isso. E é importante trabalhar com todos a questão da aceitação. Aceitar não é negar tratamentos nem apoio, aceitar é ter um olhar mais humano sobre o autismo.

PS: Muitas pessoas não sabem a diferença entre autismo e comorbidades.

Imagens do filme: X-Men: O Confronto Final - (2006)

Autismo: Neurociências, ajustes e discussões que vão além do social

Autismo e Neurodiversidade: Diferentes necessidades, intervenções e apoios

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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