Não era o tempo sozinho que cicatrizava as feridas. Sabia disso cada vez mais. Em um ato de celebração de uma pequena conquista, não se lembrava da última vez que havia pensado no outro. Era verdade que dia após dia, construindo mais autoconhecimento e cuidando das diferentes partes de si, muitas vezes, você ocupava o espaço ocioso que te fazia pensar no outro. Mas não se tratava meramente de se ocupar, sim de conscientemente deixar o outro, se soltando um dia atrás do outro. Às vezes, no entanto, bastava alguém lembrar do outro para que as memórias viessem à tona. Era preciso um tempo para acolher, então deixar as memórias irem. Esse outro eram várias pessoas. Durante um bom tempo uma parte de si havia ficado presa ao passado, mas agora ela havia se libertado. A ferida se fechara e tudo o que restava era cicatrização. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxo...
Espectro Autista: A importância das vivências para quebrar mitos do autismo
Há um ano postei sobre a importância das narrativas dos autistas para quebrar preconceitos e mitos. Acho importante a fala de profissionais ATUALIZADOS? Com certeza. Dos desatualizados (e são muitos), eu dispenso.
Acho que tem muito profissional que fala abobrinha? Sim. Acho que nem todo autista tem base científica para falar sobre a condição? Talvez.
Mas a experiência e a vivência ajudam muito na compreensão de quem somos e das razões pelas quais somos como somos.
Acredito que o ideal é encontrar um equilíbrio de narrativas. Profissionais humanizados, familiares compreensivos e autistas autoconscientes.
Não concordo quando a informação errada vem de nenhum dos lados, mas respeito o espaço e a bagagem de cada um. Não sou fiscal de falas. Acredito na liberdade de expressão.
Não importa qual seja seu espaço de fala e seu contato com o mundo do autismo, uma coisa é importante frisar: existe uma diversidade evidente no espectro autista. No mesmo grau, dois Aspergers podem ser completamente diferentes, por exemplo. Esta ilusão de tentar buscar uma unificação do autismo, além de atrapalhar pesquisas, pode atrapalhar o entendimento das pessoas sobre a condição.
Temos características comuns, mas também temos questões que podem ser completamente diferentes, como as sensibilidades, tipos de inteligências e ilhas de conhecimento, grau de apoio (autonomia), hiperfocos, facilidades e dificuldades nas interações sociais e por aí vai.
O autismo não deve ser visto como um bicho de sete cabeças, mas também precisamos resistir à tentação de tratar como se fosse uma coisa só. Existem muitas manifestações do autismo, desde o grau mais leve, no qual a pessoa pode ter autonomia (geralmente Aspergers com Altas Habilidades – Dupla Excepcionalidade), passando por pessoas no espectro autista com pouca necessidade de apoio, necessidade substancial e necessidade de apoio muito substancial e dentro de cada um desses níveis, cada indivíduo tem suas particularidades: potencialidades e limitações.
Embora os graus possam ser bem diferentes, sempre há algo a ser aproveitado na fala de autistas. Mesmo que a pessoa não tenha a base científica, ela tem a experiência humana e isso por si só já é algo a ser considerado.
No entanto, da mesma forma que não defendo familiares e profissionais duvidosos que espalham tratamentos sem evidências científicas e fazem correlações que nem sempre existem (efeito placebo ou desenvolvimento normal de autistas), também tenho cautela com as narrativas. Às vezes, mesmo com boas intenções, as pessoas costumam passar informações erradas e alguém sempre paga o preço da desinformação.
Por isso, acho importante que o leitor tenha em mente e que as pessoas que repassam informações também, lembrem da diversidade dentro do espectro autista. Muitas vezes, alguns lados ganham mais destaque na mídia e outros são deixados de lado. Para balancear as narrativas do autismo, é preciso que todos tenham mais espaço.
Texto da imagem: Erro básico de pessoas e profissionais desatualizados: achar que todo autista é introvertido. Menos preconceito, menos ignorância, mais conhecimento.
👇 Achei relevante republicar:
Na hora de consumir informações sobre autismo, muito cuidado. Escute autistas. Leia autistas. A realidade entre autistas pode ser completamente diferente, mas algumas características são comuns.
Quem melhor do que um autista para falar sobre sua realidade, seu mundo interno que nem sempre os outros conseguem enxergar ou entender? Deixe autistas falarem por eles mesmos. Se vocês não sabem como é nossa realidade, não têm o direito de falar por nós.
Confira alguns dos mitos e preconceitos sobre o autismo:
– Autistas não têm sentimentos e não conseguem demonstrar afeto;
– Não conseguem olhar nos olhos (alguns conseguem);
– Todo autista é um gênio;
– Autistas não conversam;
– Autismo pode ser curado (NÃO É DOENÇA);
– Autismo é raro;
– Síndrome de Asperger é causado por falta de cuidados dos pais;
– Pessoas com Asperger não têm imaginação;
– Autistas são iguais;
– Autistas não têm relacionamentos;
– Autistas são perigosos para a sociedade;
– Autistas são mais violentos do que não-autistas.
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Das sagas de filmes/livros que me lembram as tretas internacionais do mundo do autismo: Divergente.
Para quem não sabe, nossos cérebros são considerados neurodivergentes/neurodiversos.
As facções de Divergente me lembram as diferentes ilhas de conhecimento/tipos de inteligência e características de Dupla Excepcionalidade (Aspergers com Altas Habilidades): Abnegação, Erudição, Audácia, Amizade e Franqueza.
A autora do livro estudava psicologia.
*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.