Às vezes, ser otimista era como um golpe de sorte. Nada como a sensação de se surpreender e poder confiar que sua intuição estava certa, ainda que para os outros parecesse errado. Então, assim, a vida surpreendia e os pensamentos positivos se tornavam realidade. Dia após dia, a espera havia chegado ao fim e tudo o que poderia fazer era acreditar que em determinadas situações manter a calma era o melhor que poderia fazer. Por pouco, se entregara ao pânico e era como mergulhar em um rio de águas escuras. Mas assim que se dera conta de que estava tudo bem em apostar em si mesmo, se permitira respirar novamente. Quando a sorte daria as caras novamente, não sabia. Sabia que uma vez por ano era o suficiente para fazê-lo acreditar no lado bom da vida novamente. Até quando estaria protegido pela sorte? Não fazia ideia. Tudo o que conseguia pensar era no agora. Agora, tudo ficaria bem. Agora, poderia ficar em paz com suas escolhas. Agora. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor ...
Dentro de um ninho de cobras e lagartos, você precisa saber se camuflar. Sobrevivência é o primeiro passo. Depois, vêm os planos após a liberdade.
Não deixar se infectar ou intoxicar pelo ambiente de uma clínica de Narcóticos Anônimos não é nada fácil, mas não é impossível.
Coloque uma máscara, vista três peles grossas, esconda suas lágrimas. Chore no banheiro, lave o rosto e engula a tristeza. Beba a afeição e a gratidão de poucos. Você fará poucos amigos e terá muitos colegas peçonhentos.
Como os santos faziam, às vezes, é preciso saber pisar na cabeça da cobra, antes que ela te pique. Arranque a cauda do escorpião, jogue em um vidro cheio de álcool e beba. É melhor morrer envenenando assim do que deixar seu espírito apodrecer e o coração congelar.
Neste mundo invertido, boas ações são vistas com arrogância: doar alimentos, cigarros ou roupas é proibido. É preciso vigiar a própria mente para não adoecer.
Como diria Jessica Jones, é preciso um monstro para derrotar outro.
Mesmo com centenas de motivos, consegui manter a paz e não perder meu equilíbrio.
Fui julgado de mil maneiras. Disseram que quis transar com todos; que deixava meu quarto bagunçado, mesmo sendo bem organizado; que beijei Fulano, que sou apaixonado por Ciclano.
Cada dia que passa, cada mentira que surgia.
A maior ofensa de todas é chamar um autista de mentiroso.. Pior que isso, ter meus comportamentos autísticos chamados de bobos, irritantes, repetitivos, como se ao entrar em uma clínica, o meu autismo fosse sumir.
"Você fala demais". "Você repete as mesmas coisas". "Você é arrogante, prepotente, insuportável".
Há coisas que aprendi a ouvir e a sorrir. Discutir com seres intelectualmente inferiores e espiritualmente afundados não é e nunca foi meu objetivo. Há anos deixei isso para trás.
Cada um oferece ao outro o que tem para oferecer.
Para cada queda, me levantei onze vezes. Aquele que nada teme e nada tem, nada pode perder. Nada nunca foi realmente meu.
Raspei a cabeça e as sobrancelhas. Deixei meu Eu-Passado para trás. Ergui a cabeça, acendi o cigarro, engoli a fumaça e deixei toda a dor, a tristeza e a decepção saírem de mim.
A solidão sempre foi minha melhor amiga. A liberdade sempre foi meu destino. Abro as asas, grito, choro e como fênix, me explodo e volto a ser que sempre fui.
Sobre o autor – Ben Oliveira foi diagnosticado autista (Síndrome de Asperger) aos 29 anos, é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.