Era antes de dormir que vinha a vontade de escrever. Tudo parecia estar dominado pelo sol, mas a qualquer momento tudo pode mudar em Campo Grande (MS). Tudo o que posso fazer é torcer para que não haja outros prejuízos e pessoas machucadas pela tempestade. Tudo indica que venha vento, mas por enquanto nada é 100% certo. Era na ventania que percebia o humor mudar. E se lembrava da importância da calma. Uma crise precisava ter mais do que alguns ventos para ser chamada assim. Ia deitar consciente de que não queria chuva, mas que poderia acontecer. Que o sol estava ajudando na regulação do humor, mas que era mais difícil quando tudo era imprevisível. Escrevia para se despedir do sol. Para lembrar que embora houvesse risco, não necessariamente significava que iria acontecer. E de todo modo, com os alertas feitos pelos jornais de Campo Grande (MS), que as pessoas saberiam o que fazer. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror Escrita Maldita , p ublicad...
Dentro de um ninho de cobras e lagartos, você precisa saber se camuflar. Sobrevivência é o primeiro passo. Depois, vêm os planos após a liberdade.
Não deixar se infectar ou intoxicar pelo ambiente de uma clínica de Narcóticos Anônimos não é nada fácil, mas não é impossível.
Coloque uma máscara, vista três peles grossas, esconda suas lágrimas. Chore no banheiro, lave o rosto e engula a tristeza. Beba a afeição e a gratidão de poucos. Você fará poucos amigos e terá muitos colegas peçonhentos.
Como os santos faziam, às vezes, é preciso saber pisar na cabeça da cobra, antes que ela te pique. Arranque a cauda do escorpião, jogue em um vidro cheio de álcool e beba. É melhor morrer envenenando assim do que deixar seu espírito apodrecer e o coração congelar.
Neste mundo invertido, boas ações são vistas com arrogância: doar alimentos, cigarros ou roupas é proibido. É preciso vigiar a própria mente para não adoecer.
Como diria Jessica Jones, é preciso um monstro para derrotar outro.
Mesmo com centenas de motivos, consegui manter a paz e não perder meu equilíbrio.
Fui julgado de mil maneiras. Disseram que quis transar com todos; que deixava meu quarto bagunçado, mesmo sendo bem organizado; que beijei Fulano, que sou apaixonado por Ciclano.
Cada dia que passa, cada mentira que surgia.
A maior ofensa de todas é chamar um autista de mentiroso.. Pior que isso, ter meus comportamentos autísticos chamados de bobos, irritantes, repetitivos, como se ao entrar em uma clínica, o meu autismo fosse sumir.
"Você fala demais". "Você repete as mesmas coisas". "Você é arrogante, prepotente, insuportável".
Há coisas que aprendi a ouvir e a sorrir. Discutir com seres intelectualmente inferiores e espiritualmente afundados não é e nunca foi meu objetivo. Há anos deixei isso para trás.
Cada um oferece ao outro o que tem para oferecer.
Para cada queda, me levantei onze vezes. Aquele que nada teme e nada tem, nada pode perder. Nada nunca foi realmente meu.
Raspei a cabeça e as sobrancelhas. Deixei meu Eu-Passado para trás. Ergui a cabeça, acendi o cigarro, engoli a fumaça e deixei toda a dor, a tristeza e a decepção saírem de mim.
A solidão sempre foi minha melhor amiga. A liberdade sempre foi meu destino. Abro as asas, grito, choro e como fênix, me explodo e volto a ser que sempre fui.
Sobre o autor – Ben Oliveira foi diagnosticado autista (Síndrome de Asperger) aos 29 anos, é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.