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Destaques

11 Meses Sem Fumar Cigarro

Quase completando 11 meses sem fumar cigarro, se dera conta de que um dia parecia impossível, havia se tornado real. E faltava tão pouco para completar o primeiro ano sem cigarro. Estaria mentindo se dissesse que vez ou outra não sentia uma vontade súbita de fumar cigarro, mas se sentia no controle da situação e era capaz de dizer não. Dizer não se tornava cada vez mais fácil com o passar do tempo. Mas era ilusão achar que nunca mais seria tomado pela vontade. A diferença era que agora era muito mais fácil se negar. Dizer não ao cigarro significava dizer sim para outras coisas. Parar de negar o quanto fumar fazia mal à saúde e aceitar que por mais difícil que fosse se manter longe do cigarro, os benefícios valiam a pena. Então, era um dia qualquer para os outros, mas para quem havia parado de fumar, celebrar esses pequenos passos fazia toda diferença. Só mais um dia sem fumar cigarro. Só mais um dia para ignorar os pensamentos de que não ia conseguir. Só mais um dia provando que era ca...

Happy Old Year: Filme explora a linha tênue entre o desapego e a nostalgia

O filme tailandês Happy Old Year, de 2019, nos faz pensar sobre as relações que construímos com as coisas que guardamos ao longo da vida. Com direção e roteiro de Nawapol Thamrongrattanarit, a obra está disponível na Netflix.

Chutimon Chuengcharoensukying interpreta Jean, uma mulher que deseja fazer um escritório em sua casa, mas se dá conta de que há uma pilha de objetos inutilizados pela casa. Interessada e inspirada pelo minimalismo, se dependesse só dela, ela colocaria tudo em sacos de lixo e jogaria fora, o que ela descreve como buracos negros, porém, à medida que ela coloca o seu plano em ação, Jean percebe que não será tão fácil como imaginava.

Com a resistência da família a mudar, Jean encara de frente sua missão, doa em quem doer. O que deveria ser fácil e prático para ela, cuja necessidade é vista até mesmo como egoísmo, acaba se desdobrando em várias situações, fases e etapas conforme ela mergulha nas histórias, memórias e emoções que estão vinculadas aos objetos, especialmente a um ex-namorado.

Neste ano de pandemia, no qual muitas pessoas estão adotando o home office, assim como a protagonista precisou abrir espaço, creio que muita gente vai se envolver com essa história sobre as coisas ditas e não ditas, sobre ressentimento e perdão e, acima de tudo, sobre seguir em frente, mesmo quando o passado é uma prisão confortável. No final, essas escolhas são muito subjetivas, mas suas consequências nem sempre são unilaterais, já que algumas bagagens são como teias que nos prendem às outras pessoas.

Para quem leu a história do filme e logo pensou na Marie Kondo, o livro dela é citado, bem como aparecem trechos de vídeos de suas participações ensinando o seu método de arrumação. A própria protagonista entra em conflito com suas opiniões sobre o Método Marie Kondo quando ela percebe que abrir mão de sua própria bagagem, seja daquela que remete aos momentos felizes ou aos tristes, é deixar ir uma parte de si mesma.

Happy Old Year é um dos achados internacionais na plataforma de streaming de vídeos. Para quem gosta de viajar através dos filmes, vale a pena fuçar o catálogo da Netflix, que tem apostado cada vez mais na produção e disponibilização de obras de diferentes países: um presente para quem quer se aventurar por outras culturas e quer um descanso das produções de Hollywood. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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