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Destaques

Imprevisível

Era antes de dormir que vinha a vontade de escrever. Tudo parecia estar dominado pelo sol, mas a qualquer momento tudo pode mudar em Campo Grande (MS). Tudo o que posso fazer é torcer para que não haja outros prejuízos e pessoas machucadas pela tempestade. Tudo indica que venha vento, mas por enquanto nada é 100% certo. Era na ventania que percebia o humor mudar. E se lembrava da importância da calma. Uma crise precisava ter mais do que alguns ventos para ser chamada assim. Ia deitar consciente de que não queria chuva, mas que poderia acontecer. Que o sol estava ajudando na regulação do humor, mas que era mais difícil quando tudo era imprevisível. Escrevia para se despedir do sol. Para lembrar que embora houvesse risco, não necessariamente significava que iria acontecer. E de todo modo, com os alertas feitos pelos jornais de Campo Grande (MS), que as pessoas saberiam o que fazer. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicad...

Happy Old Year: Filme explora a linha tênue entre o desapego e a nostalgia

O filme tailandês Happy Old Year, de 2019, nos faz pensar sobre as relações que construímos com as coisas que guardamos ao longo da vida. Com direção e roteiro de Nawapol Thamrongrattanarit, a obra está disponível na Netflix.

Chutimon Chuengcharoensukying interpreta Jean, uma mulher que deseja fazer um escritório em sua casa, mas se dá conta de que há uma pilha de objetos inutilizados pela casa. Interessada e inspirada pelo minimalismo, se dependesse só dela, ela colocaria tudo em sacos de lixo e jogaria fora, o que ela descreve como buracos negros, porém, à medida que ela coloca o seu plano em ação, Jean percebe que não será tão fácil como imaginava.

Com a resistência da família a mudar, Jean encara de frente sua missão, doa em quem doer. O que deveria ser fácil e prático para ela, cuja necessidade é vista até mesmo como egoísmo, acaba se desdobrando em várias situações, fases e etapas conforme ela mergulha nas histórias, memórias e emoções que estão vinculadas aos objetos, especialmente a um ex-namorado.

Neste ano de pandemia, no qual muitas pessoas estão adotando o home office, assim como a protagonista precisou abrir espaço, creio que muita gente vai se envolver com essa história sobre as coisas ditas e não ditas, sobre ressentimento e perdão e, acima de tudo, sobre seguir em frente, mesmo quando o passado é uma prisão confortável. No final, essas escolhas são muito subjetivas, mas suas consequências nem sempre são unilaterais, já que algumas bagagens são como teias que nos prendem às outras pessoas.

Para quem leu a história do filme e logo pensou na Marie Kondo, o livro dela é citado, bem como aparecem trechos de vídeos de suas participações ensinando o seu método de arrumação. A própria protagonista entra em conflito com suas opiniões sobre o Método Marie Kondo quando ela percebe que abrir mão de sua própria bagagem, seja daquela que remete aos momentos felizes ou aos tristes, é deixar ir uma parte de si mesma.

Happy Old Year é um dos achados internacionais na plataforma de streaming de vídeos. Para quem gosta de viajar através dos filmes, vale a pena fuçar o catálogo da Netflix, que tem apostado cada vez mais na produção e disponibilização de obras de diferentes países: um presente para quem quer se aventurar por outras culturas e quer um descanso das produções de Hollywood. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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