Pular para o conteúdo principal

Destaques

Posicionado

Diante de mais de 5 mil denúncias de Assédio Eleitoral, começo a me perguntar se poder se posicionar é um privilégio que nem todos têm. Então, o não posicionamento do outro nem sempre tem a ver com o que ele pensa, mas por questões que não precisa se justificar. Quando colocamos expectativas em algo e/ou alguém, estamos sujeitos à frustração. É normal sentir decepção quando algo não acontece do modo que esperávamos, mas nem tudo é simples como parece. Enquanto milhões de brasileiros usaram as redes sociais para se posicionar, teve muita gente que não fez, não necessariamente porque não queria. Então, diante do medo e do assédio eleitoral, ou por qualquer outro motivo, temos que aceitar que cada um fez o melhor que pode e cada um sabe o que é melhor para si mesmo. Tenho muita gratidão por cada pessoa que se manifestou. Mas também carrego a esperança de que nem todo mundo pode ou quer, seja lá por qual motivo e está tudo bem. Amadurecer envolve lidar com a frustração.  Então, só entã...

Happy Old Year: Filme explora a linha tênue entre o desapego e a nostalgia

O filme tailandês Happy Old Year, de 2019, nos faz pensar sobre as relações que construímos com as coisas que guardamos ao longo da vida. Com direção e roteiro de Nawapol Thamrongrattanarit, a obra está disponível na Netflix.

Chutimon Chuengcharoensukying interpreta Jean, uma mulher que deseja fazer um escritório em sua casa, mas se dá conta de que há uma pilha de objetos inutilizados pela casa. Interessada e inspirada pelo minimalismo, se dependesse só dela, ela colocaria tudo em sacos de lixo e jogaria fora, o que ela descreve como buracos negros, porém, à medida que ela coloca o seu plano em ação, Jean percebe que não será tão fácil como imaginava.

Com a resistência da família a mudar, Jean encara de frente sua missão, doa em quem doer. O que deveria ser fácil e prático para ela, cuja necessidade é vista até mesmo como egoísmo, acaba se desdobrando em várias situações, fases e etapas conforme ela mergulha nas histórias, memórias e emoções que estão vinculadas aos objetos, especialmente a um ex-namorado.

Neste ano de pandemia, no qual muitas pessoas estão adotando o home office, assim como a protagonista precisou abrir espaço, creio que muita gente vai se envolver com essa história sobre as coisas ditas e não ditas, sobre ressentimento e perdão e, acima de tudo, sobre seguir em frente, mesmo quando o passado é uma prisão confortável. No final, essas escolhas são muito subjetivas, mas suas consequências nem sempre são unilaterais, já que algumas bagagens são como teias que nos prendem às outras pessoas.

Para quem leu a história do filme e logo pensou na Marie Kondo, o livro dela é citado, bem como aparecem trechos de vídeos de suas participações ensinando o seu método de arrumação. A própria protagonista entra em conflito com suas opiniões sobre o Método Marie Kondo quando ela percebe que abrir mão de sua própria bagagem, seja daquela que remete aos momentos felizes ou aos tristes, é deixar ir uma parte de si mesma.

Happy Old Year é um dos achados internacionais na plataforma de streaming de vídeos. Para quem gosta de viajar através dos filmes, vale a pena fuçar o catálogo da Netflix, que tem apostado cada vez mais na produção e disponibilização de obras de diferentes países: um presente para quem quer se aventurar por outras culturas e quer um descanso das produções de Hollywood. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Me acompanhe nas redes sociais:

Twitter: https://twitter.com/BenOlivDreamer

Facebook: https://www.facebook.com/BenOliveiraDreamer

Instagram: https://instagram.com/benoliveiradreamer

Mais lidas da semana