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Destaques

Stay Close: Livro do Harlan Coben adaptado para a Netflix traz minissérie com segredos e reviravoltas

Adaptação do livro homônimo escrito pelo Harlan Coben , a minissérie Stay Close (Fique Comigo) é uma ótima indicação para quem está procurando algo para maratonar na Netflix . Com direção de Daniel O'Hara e Lindy Heymann , se você gosta de séries de mistério que exploram os passados e acontecimentos dramáticos dos personagens, sem deixar de lado as cenas de ação, vale a pena conferir. Mudança de identidade e a inútil tentativa de escapar dos fantasmas do passado. Assim como em outras adaptações de histórias do autor, estão presentes elementos repletos de conflitos sociais e ambiente underground, embora o ponto forte seja despertar as emoções, cabe ao telespectador captar as críticas nas entrelinhas e refletir sobre os horrores modernos. Entre segredos e desaparecimentos, o roteiro de Stay Close é intrigante com personagens controversos, que são humanizados conforme suas histórias de vida são apresentadas. Até onde você iria para proteger sua família?  Ao mesmo tempo em que a prota

Clickbait: Minissérie da Netflix alerta sobre os riscos dos crimes digitais e suas repercussões

A minissérie Clickbait é um dos mais novos acertos da Netflix. A série criada por Tony Ayres e Christian White, estreou em agosto de 2021 e explora em seu roteiro questões universais sobre relacionamentos e crimes, que ganharam uma dimensão diferente e mais intensa nos tempos de internet e mídias sociais.

Cada episódio da minissérie se foca em um dos personagens e por meio dos diferentes pontos de vista, Clickbait apresenta um drama e suspense investigativo de várias camadas, no qual o telespectador acaba fazendo parte de um jogo de julgamentos e adivinhações, conforme as memórias, os segredos e os incidentes vão desenrolando.

A premissa da série é muito interessante, principalmente nos dias atuais em que tudo repercute de forma praticamente instantânea nas redes sociais e nos jornais e seja por crenças pessoais, ou por interesses midiáticos, que tudo se move em uma espiral de ódio capaz de afetar as vidas dos envolvidos e causar danos irreparáveis.

Quando Nick Brewer (Adrian Grenier) fisioterapeuta de uma universidade desaparece e misteriosos vídeos sobre ele se espalham pela internet, sua irmã Pia Brewer (Zoe Kazan) é uma das primeiras interessadas em descobrir a verdade. A personagem rouba os holofotes por ter uma personalidade repleta de fragilidades e impulsos, sendo uma entre várias figuras que constroem uma relação de altos e baixos com Nick, lembrando romances policiais onde fica difícil distinguir a linha entre a preocupação genuína e a proximidade para saber se a investigação vai chegar até ela.

Sophie Brewer (Betty Gabriel) é uma professora negra e em algumas regiões dos Estados Unidos, os relacionamentos inter-raciais ainda são vistos com preconceito. Além disso, com as investigações sobre o marido e a excessiva cobertura da imprensa, a vida de sua família vira de cabeça para baixo e a enxurrada de opiniões dentro e fora da internet tornam tudo mais complicado e embora a minissérie não tenha como papel educativo, ela não deixa de servir como uma crítica sobre os trabalhos apurados de jornalistas e como os crimes digitais trazem consequências reais.

Como sociedade mais influenciada pelo clima de vigilância e punição do que pela verdade e a justiça, o desaparecimento de Nick e as descobertas que se seguem despertam o lado animal, onde há espaço para o caos violento, mas sobram poucas intenções de reparação. Também é um lembrete sobre as diferenças de ritmos entre as investigações policiais e os vazamentos de informações pela imprensa e vigilantes digitais, o que pode ajudar, mas também pode guiar para caminhos tortuosos.

O detetive Roshan Amiri (Phoenix Raei) é o responsável pelo caso e um personagem que também brilha em cena do início ao fim da minissérie. Os personagens secundários criam uma colcha de retalhos dos preconceitos não tão invisíveis ainda tão fortes em algumas cidades norte-americanas, afetando não só a vida profissional – mostrando como muitas vezes alguns precisam se esforçar em dobro para conquistarem seus lugares e, em alguns casos, até cruzam uma linha ética –, como também a vida pessoal, já que Sophie tenta tomar cuidado em dobro com os comportamentos dos filhos, por temer que eles sofram por causa do racismo.

Além de envolverem o telespectador por se aproximarem da realidade com forte presença digital, minisséries como Clickbait revelam como a Netflix tem se esforçado para investir em produções com diversidade em produções de vários gêneros e temáticas. Mais do que entretenimento, para quem sabe ler as entrelinhas, a série explora um marketing ao se conectar com outras obras cinematográficas, literárias e culturais disponíveis no catálogo do serviço de streaming ou não, bem como pode servir para discussões legislativas, jurídicas, policiais e sociais sobre a necessidade de um olhar mais atento sobre a segurança dos dados, as fragilidades da tecnologia e a cibervigilância.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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