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Destaques

A terceira semana sem fumar cigarro

Como era difícil criar hábitos positivos. Havia acabado de passar da terceira semana sem fumar cigarro e ainda sentia certo desconforto. Seja para bem ou para mal, descobrira que mesmo após anos, algumas pessoas continuavam lutando contra a vontade de fumar, ou seja, era muito mais difícil do que parecia. Na tentativa de substituir comportamentos negativos por mais saudáveis, se via diante da necessidade de se desapegar um pouco da nostalgia e voltar a se focar mais no momento presente. Havia tomado mais do que o suficiente sua dose de nostalgia e agora estava preparado para continuar seguindo em frente. Era chocante o quanto o cigarro havia segurado comportamentos e ao abandoná-lo, comportamentos que antes estavam sob controle, agora pareciam soltos. Precisava de um detox das redes sociais, como quem sabia que fumar fazia mal. Precisava voltar a focar em si mesmo, deixando o passado de uma vez por todas para trás. Era no momento presente que ia celebrando as pequenas conquistas. Para ...

Clickbait: Minissérie da Netflix alerta sobre os riscos dos crimes digitais e suas repercussões

A minissérie Clickbait é um dos mais novos acertos da Netflix. A série criada por Tony Ayres e Christian White, estreou em agosto de 2021 e explora em seu roteiro questões universais sobre relacionamentos e crimes, que ganharam uma dimensão diferente e mais intensa nos tempos de internet e mídias sociais.

Cada episódio da minissérie se foca em um dos personagens e por meio dos diferentes pontos de vista, Clickbait apresenta um drama e suspense investigativo de várias camadas, no qual o telespectador acaba fazendo parte de um jogo de julgamentos e adivinhações, conforme as memórias, os segredos e os incidentes vão desenrolando.

A premissa da série é muito interessante, principalmente nos dias atuais em que tudo repercute de forma praticamente instantânea nas redes sociais e nos jornais e seja por crenças pessoais, ou por interesses midiáticos, que tudo se move em uma espiral de ódio capaz de afetar as vidas dos envolvidos e causar danos irreparáveis.

Quando Nick Brewer (Adrian Grenier) fisioterapeuta de uma universidade desaparece e misteriosos vídeos sobre ele se espalham pela internet, sua irmã Pia Brewer (Zoe Kazan) é uma das primeiras interessadas em descobrir a verdade. A personagem rouba os holofotes por ter uma personalidade repleta de fragilidades e impulsos, sendo uma entre várias figuras que constroem uma relação de altos e baixos com Nick, lembrando romances policiais onde fica difícil distinguir a linha entre a preocupação genuína e a proximidade para saber se a investigação vai chegar até ela.

Sophie Brewer (Betty Gabriel) é uma professora negra e em algumas regiões dos Estados Unidos, os relacionamentos inter-raciais ainda são vistos com preconceito. Além disso, com as investigações sobre o marido e a excessiva cobertura da imprensa, a vida de sua família vira de cabeça para baixo e a enxurrada de opiniões dentro e fora da internet tornam tudo mais complicado e embora a minissérie não tenha como papel educativo, ela não deixa de servir como uma crítica sobre os trabalhos apurados de jornalistas e como os crimes digitais trazem consequências reais.

Como sociedade mais influenciada pelo clima de vigilância e punição do que pela verdade e a justiça, o desaparecimento de Nick e as descobertas que se seguem despertam o lado animal, onde há espaço para o caos violento, mas sobram poucas intenções de reparação. Também é um lembrete sobre as diferenças de ritmos entre as investigações policiais e os vazamentos de informações pela imprensa e vigilantes digitais, o que pode ajudar, mas também pode guiar para caminhos tortuosos.

O detetive Roshan Amiri (Phoenix Raei) é o responsável pelo caso e um personagem que também brilha em cena do início ao fim da minissérie. Os personagens secundários criam uma colcha de retalhos dos preconceitos não tão invisíveis ainda tão fortes em algumas cidades norte-americanas, afetando não só a vida profissional – mostrando como muitas vezes alguns precisam se esforçar em dobro para conquistarem seus lugares e, em alguns casos, até cruzam uma linha ética –, como também a vida pessoal, já que Sophie tenta tomar cuidado em dobro com os comportamentos dos filhos, por temer que eles sofram por causa do racismo.

Além de envolverem o telespectador por se aproximarem da realidade com forte presença digital, minisséries como Clickbait revelam como a Netflix tem se esforçado para investir em produções com diversidade em produções de vários gêneros e temáticas. Mais do que entretenimento, para quem sabe ler as entrelinhas, a série explora um marketing ao se conectar com outras obras cinematográficas, literárias e culturais disponíveis no catálogo do serviço de streaming ou não, bem como pode servir para discussões legislativas, jurídicas, policiais e sociais sobre a necessidade de um olhar mais atento sobre a segurança dos dados, as fragilidades da tecnologia e a cibervigilância.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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