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Destaques

Monsters Inside: Minissérie documental da Netflix sobre Billy Milligan, criminoso com supostas múltiplas personalidades

Lançamento de setembro de 2021 na Netflix , a minissérie documental Monsters Inside: The 24 Faces of Billy Milligan mostra o lado sombrio e perigoso de criminosos que de forma consciente ou inconsciente usam brechas jurídicas relacionadas aos transtornos mentais para se safarem e, muitas vezes, conseguem manipular o público de tal forma que toda atenção se direciona para eles, deixando as vítimas de lado, e até alimenta fantasias, glamoriza e romantiza ao torná-los famosos de tanto aparecerem na mídia. Se livros de não ficção e documentários sobre assassinos já causam preocupação sobre a influência na sociedade, especialmente, pois sempre há viés por trás e depoimentos de pessoas com traços manipuladores não são necessariamente confiáveis, imagina quando os próprios profissionais de saúde mental e da área da justiça divergem sobre os diagnósticos, histórias contadas pelos criminosos e seus comportamentos? Billy Milligan despertou a atenção da imprensa dos Estados Unidos e de diversos

OVNIs e Extraterrestres: Série documental da Netflix aborda projetos e casos pelo mundo

De tempos em tempos, o assunto ganha destaque na mídia, morre e é ressuscitado novamente. Lançada em agosto de 2021, a série documental da Netflix: Top Secret UFO Projects: Declassified traz aquele gostinho de nostalgia sobre o universo dos Objetos voadores não identificados (OVNIs) e vida extraterrestre, mas para quem está familiarizado com o assunto ao passar dos anos, não traz muitas informações novas e acaba servindo mais como um entretenimento do que algo que pode trazer novos conhecimentos da área.

Grande parte dos episódios aborda mais os Estados Unidos e a existência de projetos secretos do governo e dos militares e embora seja de conhecimento geral que muitas dessas investigações aconteceram em sigilo, algumas das hipóteses levantadas pelos entrevistados pela série documental revelam mais um viés do que um fato. Muitos alegam que os governos esconderam durante anos para não causar histeria ou não dar espaço para teorias da conspiração quando na prática é o oposto que acontece.

Outra questão levantada é de que manter os dados em segredo poderia evitar um distracionismo quando, na verdade, intencionalmente ou não, devido às crenças e à curiosidade humana, acontece o contrário: diante de problemas políticos nos países e problemas globais, para quem está interessado em cortina de fumaça, é mais fácil ter essa temática correndo solta no imaginário popular, desviando o foco do que está acontecendo.

Quase tudo o que é produzido tem viés. Nesse aspecto, a série documental peca ao não trazer um contraponto, profissionais com diferentes pontos de vista para explorar as mesmas situações – é algo similar a apresentar casos paranormais com envolvidos e profissionais que acreditam no assunto, sem mencionar outras possíveis explicações.

Uma parte interessante é que a série documental traz casos de diferentes partes do mundo: o próprio Brasil é citado em um dos episódios, assim como a Rússia, China, Peru, entre outros países. Ao citar a Rússia e até mesmo trazer depoimentos de profissionais de lá, bem como a China, a série documental mostra como a causa da ufologia une pessoas do mundo todo, deixando as diferenças ideológicas de lado.

Em um dos casos, por exemplo, ficou claro de que o objeto voador se tratava de um prototipo. A série documental menciona que alguns governos coletam objetos extraterrestres e tentam reativá-los por meio de engenharia reversa – porém, imaginando o cenário em que isso realmente acontecesse e tivessem êxito, quem poderia garantir que tal objeto avistado não se trata de uma réplica ou justamente de algo religado? Logo, não seria necessariamente algo de outro planeta.

A falta de transparência por parte dos governos que investigam e uma possível corrida tecnológica revelam que há uma forte questão política na pauta. Outro ponto levantado e que até me lembrou um pouco de Homens de Preto (MIB) foi de que alguns dos entrevistados acreditam que os integrantes do governo dos Estados Unidos vão atrás das pessoas que têm contato com essas experiências, coletam materiais e ameaçam – situação que parece um tanto fantasiosa e até improvável levando em conta que esses registros acontecem em várias partes do mundo.

Embora possam ter acontecido alguns casos de silenciamento, isso me faz pensar na real motivação por trás: até que ponto as pessoas estariam por trás de uma experiência genuína de avistamento de OVNIs ou não se trata de algum projeto experimental de tecnologia? No depoimento que o documentário traz, por exemplo, a Rússia alegou não divulgar documentos da Marinha para não revelar as posições dos submarinos e trajetórias.

Os episódios finais da série documental que podem ser os favoritos de alguns telespectadores por se focarem em contatos com extraterrestres e suas possíveis motivações foram os que menos gostei. O ser humano projeta e idealiza aliens do jeito que eles gostariam que a sociedade fosse. Esperam que vão trazer paz, consciência ambiental e até tentam humanizar – como uma extensão de consciência, ignorando as diferenças.

Para quem busca respostas concretas e evidências confiáveis, a série documental acaba mostrando mais do mesmo. Talvez a experiência para quem forte inclinação a acreditar seja a de que o material é excelente, mas em muitos casos, é preciso muito esforço para não questionar muitos dos casos. Creio que muitas das dúvidas só serão sanadas se esses projetos que ocorrem pelo mundo prezarem pela transparência, mas como há interesses tecnológicos e bélicos por trás, dificilmente haveria uma colaboração genuína.

Uma coisa é certa: com o avanço da tecnologia, é possível que também aumentem os relatos pelo mundo, porém, a tarefa de diferenciação do que é terrestre e o que seria possivelmente extraterrestre ficará cada vez mais complicada. Por outro lado, se antes os registros fotográficos e audiovisuais eram de baixa qualidade por causa dos equipamentos da época, com drones e câmeras em celulares, diante de alguma situação inusitada ficaria bem mais fácil documentar – sem mencionar as viagens espaciais.

Mesmo se esforçando para dar um ar científico, no final das contas, a série documental acaba pendendo para o lado das crenças e fazendo associações duvidosas, que diante da existência de vida extraterrestre e objetos voadores não identificados podem muito bem não corresponder a realidade, como acreditar que alienígenas tentariam se comunicar para pedir a paz ou pedir para o ser humano cuidar do planeta. 

Independente das motivações por trás dos fenômenos e da disponibilidade de liberar mais informações ao público ou não, com os vazamentos de dados, creio que cada vez mais saberemos sobre o que tem sido registrado em diferentes partes do mundo, só não tenho convicção de que as respostas seriam as desejadas por grande parte das pessoas que, muitas vezes, veem com um olhar mais pseudocientífico e até espiritual e menos pautado na ciência e nas diferenças biológicas.

Trazendo para o terreno terrestre e menos galáctico, a série documental serve como um alerta sobre como determinados órgãos relacionados às pesquisas nem sempre têm acesso nem dos próprios políticos e das parcerias entre militares e empresas privadas; se de um lado há uma obsessão com a vida fora do planeta, por outro, esse mesmo encanto faz a população fechar os olhos para as tecnologias que estão sendo desenvolvidas em segredo e os riscos da vigilância global. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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