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Destaques

Antraz: Documentário da Netflix revela investigações feitas pelo FBI durante anos

Um pouco após os atentados terroristas contra as torres gêmeas, em Nova Iorque, Estados Unidos, no 11 de setembro de 2001, uma ameaça de antraz colocou as autoridades, como o FBI em alerta, e espalhou pânico nos norte-americanos devido à facilidade de se espalhar sem as pessoas saberem.  Dirigido e roteirizado por Dan Krauss e produzido pela Netflix e pela BBC, 21 anos após o ataque e o primeiro caso de circulação do antraz, o documentário Antraz: EUA Sob Ataque (The Anthrax Attacks) leva o telespectador para as investigações do FBI que duraram anos. O que a princípio foi alvo de muita pressão para a solução do caso, principalmente pelo medo dos norte-americanos do esporo da bactéria continuar se espalhando pelas cartas e fazendo mais pessoas adoecerem e/ou morrerem, logo foi caindo no esquecimento conforme as investigações desenrolavam fora dos holofotes.  Com a proximidade do caso do ataque às torres gêmeas, à primeira vista, o pânico generalizado fez com quem os norte-americanos

Mindhunter Profile 2: Especialista em serial killers compartilha experiências após aposentadoria do FBI

Após se aposentar do FBI, o ex-agente especialista em assassinos continuou sendo convidado para colaborar em alguns casos que exigiam entender melhor o perfil psicológico dos criminosos. No livro Mindhunter Profile 2, dos autores Robert K. Ressler e Tom Snachtman, é possível conhecer um pouco mais da história de vida desta figura que deixou uma boa contribuição para a criminologia e compreensão sobre as mentes de serial killers. A obra foi publicada pela editora DarkSide Books, em 2021, com tradução de Alexandre Boide.



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Entre os casos explorados no livro há um que desperta o interesse por envolver algo não tão desconhecido, como o uso de transtornos mentais para diminuir as penas. Ressler percebeu um fenômeno de ex-soldados que usavam o Transtorno do Estresse Pós-Traumático como uma justificativa quando cometiam crimes e notou que muitas vezes, os históricos dos assassinos não eram checados e muitos inventavam histórias de períodos de guerra para justificarem seus comportamentos criminais.

O caso do empreiteiro que ficou conhecido como Palhaço Assassino, pois gostava de animar festas infantis e fazia trabalhos voluntários, John Gacy foi abordado no primeiro volume de Mindhunter Profile, mas o segundo volume traz uma entrevista realizada com ele na prisão. Condenado pelo assassinato de mais de 30 homens e garotos, os quais ele atraía com seus truques e conversas e alguns abusava sexualmente e torturava, na entrevista realizada por Ressler fica muito claro o comportamento manipulador de assassinos em série, no qual o criminoso tenta reescrever sua história e levantar dúvidas, se focando no seu caráter profissional e suposta moral ou tentando colocar a culpa nos outros.

A estratégia de Gacy possivelmente se tratava do seu desespero para fugir da pena da morte. Ele alegava que a imprensa e a polícia tinham pintado uma imagem de monstro dele – ainda que houvesse sensacionalismo, já que histórias de serial killers costumam chocar e despertar o interesse público, Ressler era experiente com a pesquisa e entrevistas com assassinos e soube conduzir a entrevista sem se deixar levar, algo que profissionais mais inexperientes talvez não conseguissem e até mesmo poderiam comprar a história de John Gacy. Enquanto tentava alegar inocência, a verdade era que muitos possíveis assassinatos cometidos por Gacy não foram investigados, especialmente os que aconteceram em outras regiões, já que ele costumava viajar bastante.

Ressler também comenta sobre o caso de Jeffrey Dahmer, o qual ele chegou a ser convidado pelo time da defesa, não para inocentar o assassino, mas para esclarecer melhor o perfil psicológico: a decisão gerou polêmica no próprio departamento que ele trabalhou no FBI. Assim como fez com Gacy, Ressler entrevistou Dahmer, só que o resultado consegue ser mais chocante, pois o último não esconde o prazer que sentiu com os assassinatos, desde a fantasia de ter total controle sobre a vítima até o ato de ficar excitado e se masturbar antes e após cortar diferentes partes dos cadáveres. Chega a ser chocante como Dahmer fala com naturalidade sobre seus atos criminosos e até mesmo admite ter praticado canibalismo.

Saindo um pouco do cenário dos Estados Unidos, Robert K. Ressler também foi consultor e colaborador para casos que aconteceram em outros países e pôde ajudar diretamente ou indiretamente, por meio de seus cursos, livros e palestras sobre o assunto. Casos no Japão e África do Sul, por exemplo, ajudam a mostrar um pouco das diferenças culturais tanto na percepção social, como do estranhamento e da normalização em relação aos crimes.

Embora o segundo livro não seja tão instigante quanto o primeiro, as experiências de Ressler certamente são interessantes e devem ter sido mais envolventes na época em que foram escritos. Algumas perspectivas estão desatualizadas, como a associação entre violência, criminalidade e ficção televisiva sobre o assunto, como se o simples fato de assistir pudesse influenciar alguém – uma teoria antiga que já foi derrubada e anos depois, até mesmo, foi questionada em relação aos jogos de violência – enquanto outras preocupações permanecem atuais: como a de que potenciais assassinos em série se aproveitam de obras do gênero para se atualizarem sobre métodos e/ou estudarem formas de não serem descobertos com tanta facilidade. 

O livro Mindhunter Profile 2 serve como um lembrete da importância de melhor treinamento não só de policiais e detetives, mas também de diferentes profissionais, como psiquiatras, psicólogos, advogados, promotores e juízes. Por meio de comportamentos de manipulação, há casos em que assassinos em série conseguem alegar insanidade, mesmo que são conscientes dos seus atos e também aqueles em que acontece o contrário, o criminoso precisa de tratamento e reclusão, mas acaba sendo julgado como alguém sem transtornos mentais.

Um livro que levanta bastantes reflexões e desperta a curiosidade, mas que em algumas perspectivas deixa a desejar em relação ao primeiro volume. A ordem dos capítulos com diferentes casos ficou bem aleatória, porém, ao menos foram explorados assassinos de diferentes países, mas levando em conta a diversidade do mundo, o autor poderia ter se aprofundado mais – algo que talvez se deu pelo período em que foi escrito e o assunto não era tão discutido como nos dias atuais.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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