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Destaques

Um Conto Taiwanês de Duas Cidades: Série de romance e drama explora raízes, sonhos e amores

Uma série de romance e drama sobre duas mulheres conectadas por suas raízes de Taiwan, mas que seguiram caminhos bem diferentes e com personalidades moldadas pelas cidades em que viveram: enquanto uma cresceu em San Francisco, nos Estados Unidos, a outra passou a vida inteira em Taipei. A série A Taiwanese Tale of Two Cities (Um Conto Taiwanês de Duas Cidades, 2018) balanceia os idiomas e experiências culturais dos dois países, criando uma experiência prazerosa para quem deseja visitar ambos destinos turísticos. Essa produção taiwanesa foi um dos achados na Netflix . A mulher que nunca saiu do país, abraça as raízes da medicina chinesa e por causa do seu histórico de saúde frágil abriu mão de muitas coisas fora de sua zona de conforto, Lee Nien-Nien (Tammy Chen) que coincidentemente sonhava em conhecer San Francisco, acaba conhecendo a taiwanesa-americana Josephine Huang (Peggy Tseng), que embora tivesse curiosidades sobre sua origem, passou praticamente a vida toda nos Estados Unidos

Mindhunter Profile 2: Especialista em serial killers compartilha experiências após aposentadoria do FBI

Após se aposentar do FBI, o ex-agente especialista em assassinos continuou sendo convidado para colaborar em alguns casos que exigiam entender melhor o perfil psicológico dos criminosos. No livro Mindhunter Profile 2, dos autores Robert K. Ressler e Tom Snachtman, é possível conhecer um pouco mais da história de vida desta figura que deixou uma boa contribuição para a criminologia e compreensão sobre as mentes de serial killers. A obra foi publicada pela editora DarkSide Books, em 2021, com tradução de Alexandre Boide.



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Entre os casos explorados no livro há um que desperta o interesse por envolver algo não tão desconhecido, como o uso de transtornos mentais para diminuir as penas. Ressler percebeu um fenômeno de ex-soldados que usavam o Transtorno do Estresse Pós-Traumático como uma justificativa quando cometiam crimes e notou que muitas vezes, os históricos dos assassinos não eram checados e muitos inventavam histórias de períodos de guerra para justificarem seus comportamentos criminais.

O caso do empreiteiro que ficou conhecido como Palhaço Assassino, pois gostava de animar festas infantis e fazia trabalhos voluntários, John Gacy foi abordado no primeiro volume de Mindhunter Profile, mas o segundo volume traz uma entrevista realizada com ele na prisão. Condenado pelo assassinato de mais de 30 homens e garotos, os quais ele atraía com seus truques e conversas e alguns abusava sexualmente e torturava, na entrevista realizada por Ressler fica muito claro o comportamento manipulador de assassinos em série, no qual o criminoso tenta reescrever sua história e levantar dúvidas, se focando no seu caráter profissional e suposta moral ou tentando colocar a culpa nos outros.

A estratégia de Gacy possivelmente se tratava do seu desespero para fugir da pena da morte. Ele alegava que a imprensa e a polícia tinham pintado uma imagem de monstro dele – ainda que houvesse sensacionalismo, já que histórias de serial killers costumam chocar e despertar o interesse público, Ressler era experiente com a pesquisa e entrevistas com assassinos e soube conduzir a entrevista sem se deixar levar, algo que profissionais mais inexperientes talvez não conseguissem e até mesmo poderiam comprar a história de John Gacy. Enquanto tentava alegar inocência, a verdade era que muitos possíveis assassinatos cometidos por Gacy não foram investigados, especialmente os que aconteceram em outras regiões, já que ele costumava viajar bastante.

Ressler também comenta sobre o caso de Jeffrey Dahmer, o qual ele chegou a ser convidado pelo time da defesa, não para inocentar o assassino, mas para esclarecer melhor o perfil psicológico: a decisão gerou polêmica no próprio departamento que ele trabalhou no FBI. Assim como fez com Gacy, Ressler entrevistou Dahmer, só que o resultado consegue ser mais chocante, pois o último não esconde o prazer que sentiu com os assassinatos, desde a fantasia de ter total controle sobre a vítima até o ato de ficar excitado e se masturbar antes e após cortar diferentes partes dos cadáveres. Chega a ser chocante como Dahmer fala com naturalidade sobre seus atos criminosos e até mesmo admite ter praticado canibalismo.

Saindo um pouco do cenário dos Estados Unidos, Robert K. Ressler também foi consultor e colaborador para casos que aconteceram em outros países e pôde ajudar diretamente ou indiretamente, por meio de seus cursos, livros e palestras sobre o assunto. Casos no Japão e África do Sul, por exemplo, ajudam a mostrar um pouco das diferenças culturais tanto na percepção social, como do estranhamento e da normalização em relação aos crimes.

Embora o segundo livro não seja tão instigante quanto o primeiro, as experiências de Ressler certamente são interessantes e devem ter sido mais envolventes na época em que foram escritos. Algumas perspectivas estão desatualizadas, como a associação entre violência, criminalidade e ficção televisiva sobre o assunto, como se o simples fato de assistir pudesse influenciar alguém – uma teoria antiga que já foi derrubada e anos depois, até mesmo, foi questionada em relação aos jogos de violência – enquanto outras preocupações permanecem atuais: como a de que potenciais assassinos em série se aproveitam de obras do gênero para se atualizarem sobre métodos e/ou estudarem formas de não serem descobertos com tanta facilidade. 

O livro Mindhunter Profile 2 serve como um lembrete da importância de melhor treinamento não só de policiais e detetives, mas também de diferentes profissionais, como psiquiatras, psicólogos, advogados, promotores e juízes. Por meio de comportamentos de manipulação, há casos em que assassinos em série conseguem alegar insanidade, mesmo que são conscientes dos seus atos e também aqueles em que acontece o contrário, o criminoso precisa de tratamento e reclusão, mas acaba sendo julgado como alguém sem transtornos mentais.

Um livro que levanta bastantes reflexões e desperta a curiosidade, mas que em algumas perspectivas deixa a desejar em relação ao primeiro volume. A ordem dos capítulos com diferentes casos ficou bem aleatória, porém, ao menos foram explorados assassinos de diferentes países, mas levando em conta a diversidade do mundo, o autor poderia ter se aprofundado mais – algo que talvez se deu pelo período em que foi escrito e o assunto não era tão discutido como nos dias atuais.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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