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Destaques

The Good Detective: Série coreana policial sobre antigo caso e a busca pela verdade

The Good Detective é uma série coreana policial que aborda um caso antigo, cujo julgamento levou à sentença de condenação de morte do acusado. Um detetive novato no departamento e um veterano se juntam para descobrir se aconteceram falhas nas investigações policiais. A série está disponível na Netflix . Com 16 episódios em sua primeira temporada, três personagens se destacam: o detetive que participou da investigação do caso, Kang Do Chang (Son Hyeon-ju) , o jovem detetive Oh Ji Hyuk (Seung-jo Jang) e a jornalista investigativa Jin Seo Kyung (Elliya Le) . Quando um novo caso de um suposto assassino confesso da filha do homem condenado ganha a atenção da mídia, muitas dúvidas pairam no ar sobre as motivações e os possíveis envolvidos, fazendo com que os detetives discretamente se aprofundassem nas investigações, mesmo sabendo que poderiam prejudicar as próprias carreiras. Kang é movido pela consciência pesada de ter sido parte do caso do condenado possivelmente inocente sofrer pena de

Monsters Inside: Minissérie documental da Netflix sobre Billy Milligan, criminoso com supostas múltiplas personalidades

Lançamento de setembro de 2021 na Netflix, a minissérie documental Monsters Inside: The 24 Faces of Billy Milligan mostra o lado sombrio e perigoso de criminosos que de forma consciente ou inconsciente usam brechas jurídicas relacionadas aos transtornos mentais para se safarem e, muitas vezes, conseguem manipular o público de tal forma que toda atenção se direciona para eles, deixando as vítimas de lado, e até alimenta fantasias, glamoriza e romantiza ao torná-los famosos de tanto aparecerem na mídia.

Se livros de não ficção e documentários sobre assassinos já causam preocupação sobre a influência na sociedade, especialmente, pois sempre há viés por trás e depoimentos de pessoas com traços manipuladores não são necessariamente confiáveis, imagina quando os próprios profissionais de saúde mental e da área da justiça divergem sobre os diagnósticos, histórias contadas pelos criminosos e seus comportamentos?

Billy Milligan despertou a atenção da imprensa dos Estados Unidos e de diversos psiquiatras e psicólogos, bem como dos advogados, defensores públicos e do juíz por ter suposta personalidade múltipla. Enquanto parte dos envolvidos acreditava que ele poderia ser considerado insano e não ser mandado para uma prisão comum, já que alegava que uma das personalidades não lembrava o que a outra fazia e inicialmente até desconhecia suas existências, a outra acreditava que ele era perigoso e deveria pagar pelos crimes na prisão por ter estuprado três mulheres.

Ao longo dos quatro episódios da minissérie documental, o telespectador acompanha diferentes perspectivas de profissionais envolvidos no caso que aconteceu nos anos de 1970, no qual antes de ser julgado, ele foi diagnosticado por profissionais, um que acreditava que ele sofria de Esquizofrenia e a outra que acreditava que ele tinha Transtorno Dissociativo de Identidade – algo que já era estudado na época, mas não era tão conhecido e aceito entre os próprios profissionais de saúde mental, conhecido pela terminologia de Personalidades Múltiplas.

Além das supostas personalidades múltiplas, os depoimentos de familiares, amigos e profissionais que o analisaram discutem questões relacionadas à personalidade principal e mesmo diante dos crimes, é quase como se muitos não quisessem acreditar que ele fosse capaz de cometê-los por ser bem diferente da personalidade que cometeu – o que acaba não só criando polêmicas sobre essa terceirização da culpa, como, acredito, gerando mais revolta nas vítimas ao relembrar tudo o que aconteceu e vê-lo sendo tratado de forma tão condescendente. 

Trazendo pontos de vistas de profissionais que apoiavam a teoria de que ele tinha múltiplas personalidade e outros que questionavam se não se tratava de uma espécie de sugestão e até de manipulação – ou que não acreditavam que acontecia da maneira retratada por Billy e levantavam dúvidas sobre a ‘recuperação’ dele –, a minissérie documental serve como um lembrete de que as pessoas enxergam o que querem ver e quando envolvem questões financeiras, como direitos autorais sobre a história, e os holofotes que os profissionais estavam recebendo por causa do caso, se você é dos mais céticos, é impossível não ficar com uma pulga atrás da orelha.

Por ser algo envolvendo a mente humana e do qual ainda existem limitações e dificuldades para diagnosticar, bem como envolve confiança no que o narrador está contando, ainda que Billy tivesse Transtorno Dissociativo de Identidade, a impressão que a minissérie documental passa é a de que ele surfou no sucesso que fez e isso até mesmo fez com que ele recebesse tratamento especial e, de certa forma, contribuiu para que ele cometesse outros crimes.

Embora a família não concordasse com os crimes de Billy e os profissionais vissem com desconfiança seus comportamentos de manipulação – lembrando que muitos tinham relação com o seu trauma, que possivelmente causou o transtorno dissociativo de identidade como um mecanismo de compensação –, a inteligência do criminoso é exaltada em vários momentos e mesmo o documentário lembrando da falta de atenção que as vítimas receberam, a produção foca tanto no aspecto do transtorno, que não aborda a relação criminológica e os riscos de reincidência, tratando como algo relativo à outra personalidade, a qual supostamente ele teria aprendido a controlar.

Dois pontos curiosos da minissérie documental revelam falhas nas declarações das personalidades de Billy, como uma que supostamente escrevia em árabe e outra que supostamente falava outro idioma – o que não apurado de forma consistente dava um tom de inteligência incomum para ele, como se transcendesse suas experiências cognitivas, já que eram áreas de conhecimento das quais ele nunca aprendera.

Casos complexos como o de Billy Milligan expõem as fragilidades e falhas do sistema: diferente de muitas situações em que tentam colocar toda responsabilidade na imprensa pela popularização de um assassino, nada disso teria acontecido com uma abordagem diferente por parte dos profissionais responsáveis pela avaliação psicológica e do sistema judicial, porém, na época por ser algo incomum. 

Não há dúvidas de que vários erros foram cometidos, até por uma ingenuidade e ignorância sobre responsabilização, recuperação focada só nas personalidades múltiplas e não em questões que talvez não poderiam ser mudadas como os traços antissociais e falta de empatia e como a necessidade de atenção por Milligan era tão grande que ele soube monopolizar e receber até mesmo apoio público, como se o seu passado sombrio e sua condição mental fossem suficientes para apagar seus crimes. 

Tão chocante quanto a possibilidade de tantas personalidades que pudessem induzir comportamentos criminais, é perceber como um criminoso colocou vários profissionais em suas mãos, brincando com suas crenças e expectativas a ponto de ter a oportunidade de repetir várias vezes seus atos e sempre que fizesse algo errado, a culpa era de outra personalidade, nunca dele. Tamanha ingenuidade levantou ceticismo de muitos profissionais, bem como a noção de que quanto mais aprofundavam na questão das múltiplas personalidades, mais personalidades surgiam (de 10 foram para 24 personalidades), sendo difícil distinguir até que ponto era algo induzido ou espontâneo.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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