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Criminologia, Jessica Jones e Mulher-Maravilha: Ficar do lado do agressor é sinal de perigo à sociedade – Ben Oliveira

Que dia lindo para servir Karma Coletivo para Diana, Lilith e Nêmesis ao mesmo tempo:  Resistam julgar as pessoas pela aparência. Meus 2 ex-namorados manipuladores se faziam de vítimas e todo mundo ficava ao lado deles e como eu sou porra louca, como Jessica Jones e Malévola, era injustiçado entre quatro paredes e julgado por todos ao redor. Como sou uma vaca, só há duas pessoas com a qual me importo no mundo, minhas duas chamas gêmeas, o resto é indiferente. Ainda assim... Vocês criam cada distorção cognitiva que só por Deus... É muita falta de terapia, autoconsciência, reflexão e bom senso.  Foi você que tava dentro do carro capotado? Foi você que quase morreu? Foi você que teve que recomeçar várias vezes na vida? Foi você que saiu como vilão quando a pessoa era tóxica pra cacete? Não foi. Então, boca fechada, sempre. Opinião só se dá quando é pedida. Sem falar os DELUSIONAIS que ficaram comentando: Que pena, achei que vocês iam casar. Quem quiser casar com ele, passo até o perfil KK

Resenha: Pachinko – Min Jin Lee

Escrito pela autora coreana-americana Min Jin Lee, o livro Pachinko é um desses romances memoráveis sobre períodos dolorosos da história. Para quem tem curiosidade em entender um pouco da rixa entre coreanos e japoneses, a obra narra a história de uma Coreia dominada pela Colônia do Japão, período em que os próprios moradores locais eram discriminados quando não falavam japonês. Lançado no Brasil em 2020 pela Editora Intrínseca, o livro de 2017 foi traduzido por Marina Vargas.

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A escrita de Min Jin Lee proporcionou uma experiência muito prazerosa de leitura de Pachinko, que me lembrou um pouco outros escritores que exploraram nuances culturais, como os livros da escritora indiana Thrity Umrigar e o inesquecível Memórias de Uma Gueixa, do Arthur Golden. Há muitos ocidentais que têm uma visão estereotipada da Ásia e tentam reduzir tudo a uma coisa só, quando, na verdade, há muito mais contrastes e pluralidades do que imaginam.

Em uma época de tantos preconceitos em relação à aparência física, um homem com lábio leporino e problemas de locomoção se casou e teve uma filha. Ainda que ele tenha demorado para encontrar uma esposa e das possíveis discriminações, sua vida foi honrada a ponto dele ser admirado pelos outros e de ter deixado conforto e memórias afetivas para sua família.

“O estômago tem uma memória melhor do que a do coração” – Min Jin Lee, Pachinko 

Dos sofrimentos de vários abortos e uma doença letal para a época, que levou Hoonie, coube à viúva Yangjin cuidar da filha e manter os negócios em movimento, em uma Coreia marcada por notícias ruins, desgostos pela dominação japonesa, miséria e desemprego, bem como pelos conflitos sociais.

Adolescente, a vida de Sunja gira ao redor do trabalho junto com a mãe, mas tudo muda quando um homem viajante chega à cidade e se encanta por sua beleza. Entre novas experiências para a garota, em um período em que ser mãe solteira era algo que atraía comentários negativos e poderia até mesmo afetar os negócios da família, com a gravidez inesperada e expectativas frustradas, Sunja que nunca havia conhecido outros países, faz uma escolha difícil, especialmente para alguém de sua idade.

Recomeçando no Japão, o leitor conhece um pouco da difícil realidade dos coreanos que se mudaram para lá e, além dos preconceitos culturais e linguísticos e da xenofobia, também precisam se adaptar a uma realidade com um custo de vida mais alto, onde muitos lutam diariamente pela sobrevivência e são atormentados pelas preocupações financeiras.

Além de tantos desafios e conflitos inerentes ao período histórico tanto no Japão quanto na Coreia, Sunja tenta encontrar formas de sobreviver e ajudar sua família, mesmo sabendo do preconceito que coreanos enfrentavam no outro país e das dificuldades do período por ser mulher.

Conforme a história se desenrola, muitas coisas fazem os coreanos que se mudaram para as terras japonesas questionarem como eles se sentem em relação ao seu país de origem, quase como eles absorvessem um pouco do preconceito dos japoneses e também por causa dos medos relacionados ao caos político, econômico e social da época. E, assim, como a história de muitos imigrantes, o peso do futuro acaba se sobrepondo à saudade da terra natal e lentamente a família vai se adaptando a uma nova realidade, na qual mesmo com tanta discriminação, eles pensam na estabilidade que talvez não teriam em seu país.

Assim como as memórias agridoces da vida, Pachinko aperta muitas feridas que ainda permanecem abertas em algumas regiões. Embora as gerações mais novas talvez não se lembrem de tantas ofensas e preconceitos sofridos pelos coreanos, mesmo aqueles que nasceram no Japão, talvez os mais velhos ainda carreguem não só as cicatrizes das guerras, como também aquelas nascidas diante de um tratamento tão desumano que levou coreanos, coreanos-japoneses e até pessoas vindas de outros países da Ásia para uma vida de miséria, sofrimento e empurraram até alguns para o suicídio.

Com o amadurecimento dos personagens, também vêm os ressentimentos de uma família que sobreviveu e resistiu há tantos episódios tristes, mas que também conseguiu colher algumas felicidades pelo caminho, especialmente para os mais novos, após tantos períodos de adaptações e situações que só aumentaram o preconceito e até causavam vergonha para alguns. 

O título do livro faz referência a um jogo de azar que fazia sucesso no Japão e muitos salões eram comandados por coreanos, sendo que alguns eram associados à máfia. Assim como a vida de muitos imigrantes, a mudança para uma terra repleta de doçuras, mas também na qual os coreanos eram tratados como malditos, era quase como apostar no escuro, com a exceção de que muitos se prendiam naquela nova realidade e não tinham mais como escapar. Pachinko é um romance histórico sobre os horrores da história que se repetem de tempos em tempos em diferentes partes do mundo.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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