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Destaques

Ressignificar dia após dia

A linha era tênue entre a verdade e a autoficção, mas a literatura era um espaço para criar e não tinha compromisso com a realidade. Como tinta invisível, personagens às vezes se misturam e podem confundir. Um personagem pode ser vários e a graça não está em descobrir quem é quem, mas de aproveitar a leitura. Escrever em blog poderia não ser a mesma coisa do que escrever um livro de ficção ou de memórias, mas a verdade era que acabava servindo para as duas coisas. Às vezes o passado estava no passado. Às vezes o presente apontava para o futuro. Mas nunca dá para saber sobre quem se está escrevendo e há beleza nisso. A beleza de que personagens não eram pessoas, de que não precisava contar a verdade sempre, que às vezes quatro personagens poderiam se tornar um. Saber quem é quem parecia o menos importante, mas apreciar a beleza das entrelinhas. Ia escrevendo como uma forma de esvaziar a mente e o coração, sentindo o corpo mais leve. Escrevia e continuaria escrevendo sempre que sentisse ...

Memórias de uma Gueixa: Após processo judicial, autor de livro best-seller nunca mais publicou

Quem lembra do famoso livro Memórias de uma Gueixa? Você pode até não ter lido o romance, mas é bem provável que tenha assistido ao filme. Lançado originalmente em 1997 e adaptado para filme em 2005, seja por meio de palavras ou da fotografia e trilha sonora, é difícil não se emocionar com a história de Sayuri, uma mulher retratada como uma gueixa e fazendo o seu melhor para viver diante de uma nova realidade para ela. 

A menos que você seja leitor e tenha gostado muito do livro, muita gente não sabe, mas desde um processo judicial envolvendo o livro, Arthur Golden não publicou mais nenhuma obra, bom, a menos não em seu nome: ninguém sabe se adotou algum pseudônimo para continuar escrevendo. 

A mulher que serviu de inspiração para a personagem entrou com um processo contra ele, alegando que muitas partes da história foram alteradas e que ela não havia dado permissão para a divulgação de outras informações, como as identidades de seus clientes. 

O livro vendeu milhões de exemplares e foi adaptado por Steven Spielberg, um dos diretores norte-americanos mais prestigiados de Hollywood. A editora Random House pagou para sair do tribunal, desde então, Arthur Golden. 

Para quem nunca assistiu ou não lembra, a história se passa em um período anterior, presente e após a Segunda Guerra Mundial e a protagonista desde nova passa por inúmeros desafios por sua sobrevivência, sendo inclusive vendida pelo próprio pai, levada para um lugar onde é treinada para se tornar uma aprendiz de gueixa. Usando seus conhecimentos e habilidades, ela vai seduzindo seus clientes e eventualmente consegue se aposentar deste mundo, recomeçando sua vida em Nova Iorque.

Como o processo judicial não acabou bem para o autor e para a editora, é difícil encontrar edições novas no Brasil, porém, caçando em sebos talvez seja possível encontrar. 

*Por aqui, a obra continua sendo vendida no formato de eBook para Kindle pela Editora Arqueiro: https://amzn.to/3vUWfSc

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Entre 2002 e 2003, Mineko Iwasaki – que teve o seu nome ocultado pelo escritor norte-americano –lançou sua própria autobiografia, escrita junto com o escritor e tradutor Rande Gail Brown. Considerada uma das gueixas mais famosas de sua geração. Ela foi treinada para encantar reis e príncipes, entre outros profissionais bem-sucedidas e acabou se tornando amiga de alguns deles.

"Nenhuma mulher nos trezentos anos de história do karyukai jamais se apresentou em público para contar sua história. Fomos constrangidos por regras não escritas a não fazê-lo, pelas vestes da tradição e pela santidade de nosso chamado exclusivo... Mas eu sinto que é hora de falar" – Mineko Iwasaki

Mineko Iwasaki comentou que, para muitos, a vida de uma gueixa ainda é repleta de mistérios e informações, especialmente quando se tratam de pessoas do Ocidente. O livro chegou a ser traduzido para o Brasil, em 2006, com o título Minha Vida como Gueixa (Geisha, a Life).

Leia também: Resenha: Pachinko – Min Jin Lee 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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