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Destaques

11 Meses Sem Fumar Cigarro

Quase completando 11 meses sem fumar cigarro, se dera conta de que um dia parecia impossível, havia se tornado real. E faltava tão pouco para completar o primeiro ano sem cigarro. Estaria mentindo se dissesse que vez ou outra não sentia uma vontade súbita de fumar cigarro, mas se sentia no controle da situação e era capaz de dizer não. Dizer não se tornava cada vez mais fácil com o passar do tempo. Mas era ilusão achar que nunca mais seria tomado pela vontade. A diferença era que agora era muito mais fácil se negar. Dizer não ao cigarro significava dizer sim para outras coisas. Parar de negar o quanto fumar fazia mal à saúde e aceitar que por mais difícil que fosse se manter longe do cigarro, os benefícios valiam a pena. Então, era um dia qualquer para os outros, mas para quem havia parado de fumar, celebrar esses pequenos passos fazia toda diferença. Só mais um dia sem fumar cigarro. Só mais um dia para ignorar os pensamentos de que não ia conseguir. Só mais um dia provando que era ca...

Nação Dopamina: Livro explora a relação entre prazer, sofrimento, equilíbrio e vício

Prazer, recompensa, vício e sofrimento. No livro Nação Dopamina (Dopamine Nation), a autora psiquiatra norte-americana Anna Lembke aborda como a dopamina está relacionada à experiência viciante e como estamos cercados de estímulos que alimentam esse sistema. A obra foi publicada pela editora Vestígio, em 2022, com tradução de Elisa Nazarian.

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Chocolate, compras, filmes, videogames, redes sociais, a autora cita várias coisas que podemos desejar e que o sistema de recompensa pode gerar prazer, mas em excesso pode levar à dependência e consumo compulsivo. Embora tenha se inspirado na neurociência, Anna Lembke contou histórias baseadas em casos de seus pacientes, de entrevistas e de sua própria vivência para abordar a importância de buscar uma vida equilibrada.

“Todo paciente é um pacote fechado, um romance não lido, uma terra inexplorada” – Anna Lembke

Desde o vício sexual, dependência de drogas até como a internet pode influenciar comportamentos e ser viciante por causa da quantidade de recursos disponíveis, a autora fala sobre como o tempo sem atividades ou chato pode ser importante para o ser humano, criando espaço para novos pensamentos e até como oportunidade de aproveitar o momento presente.

Como o prazer está relacionado à liberação de dopamina, Anna Lembke explica como o neurotransmissor age e cita algumas pesquisas que comentam quais substâncias liberam mais dopamina. Para manter o equilíbrio do organismo, a autora lembra que após a sensação de subida, vem a de descida, como uma gangorra ou balança. Ou seja, um ciclo de prazer e sofrimento.

“Com a repetida exposição ao mesmo estímulo ao prazer, ou a um estímulo semelhante, o desvio inicial para o lado do prazer fica mais fraco e mais curto, e a resposta posterior para o lado do sofrimento fica mais forte e mais demorada, um processo chamado pelos cientistas de neuroadaptação” – Anna Lembke

Em um mundo repleto de estímulos, entender como o nosso cérebro funciona pode fazer a diferença e evitar que uma simples busca por prazer e de alívio do tédio acabe se tornando algo viciante. Logo, embora substâncias tenham relação com a liberação de dopamina, os comportamentos também podem ter.

Ao abordar o jejum de dopamina como uma forma de reencontrar o equilíbrio, Anna Lembke ressalta que ela não recomenda para quem tem vício em determinadas substâncias, recomendando a diminuição gradual. Ela explica sobre a importância de lidar com a dor para não trocar uma dependência por outra, por exemplo, o abandono de drogas pelo vício em pornografia, entre inúmeras possibilidades.

“As práticas de mindfulness são especialmente importantes nos primeiros dias de abstinência. Muitos de nós usam substâncias e comportamentos de alta dopamina para se distrair de seus próprios pensamentos. Quando acabamos de largar o uso da dopamina como fuga, esses pensamentos, emoções e sensações dolorosos vêm para cima da gente” – Anna Lembke

O uso de smartphones com um monte de aplicativos, por exemplo, pode levar à dependência, segundo a autora, mesmo quando não se encaixa nos critérios de diagnóstico. Anna Lembke defende a importância do autocomprometimento e a criação de estratégias para dificultar o acesso à determinada substância e/ou comportamento compulsivo, seja por meio físico ou até mesmo por tratamento médico.

Sobre o uso de medicamentos para lidar com a dor e ansiedade, a autora acaba entrando em um assunto polêmico, questionando um possível uso indiscriminado de várias substâncias. É importante lembrar que no início do livro ela afirma que os conselhos dados não substituem a consulta com um médico, portanto é uma obra para ler com cuidado – ou seja, ninguém deve abandonar um tratamento médico por conta própria, independente da reflexão levantada pela autora.

Uma forma de lidar com as substâncias e comportamentos, segundo a autora, é por meio da aceitação da dor. Ela cita alguns casos de pessoas que encontraram formas alternativas de lidar com o desconforto, como por meio de banhos gelados ou prática de determinadas atividades radicais. Da mesma forma que o prazer é usado como uma fuga, Anna Lembke lembra que há quem use uma dor menor contra uma dor maior.

“A honestidade mútua exclui a vergonha e prenuncia uma explosão de intimidade, um ímpeto de calor emocional que vem de nos sentirmos em conexão profunda com os outros, de nos sentirmos aceitos apesar das nossas falhas. O que cria a intimidade que desejamos não é a nossa perfeição, mas a disposição de trabalharmos juntos para remediar nossos erros” – Anna Lembke 

Quando se tratam de comportamentos e substâncias viciantes, uma das recomendações de Anna Lembk é a aposta na honestidade radical, como uma forma de expressar abertamente sobre o que se está vivendo. Ela também aborda como a vergonha pró-social e a responsabilidade podem fazer parte deste processo de autoaceitação de que se precisa mudar, citando como exemplo organizações como o Alcóolicos Anônimos e sua dinâmica de funcionamento, bem como clubes e relações familiares.

Ao final do livro fica a reflexão de que estamos vivendo cercados de muitos estímulos e, muitas vezes, para buscar o prazer ou esquecer o sofrimento, nosso sistema acaba se desequilibrando. Anna Lembke acredita no poder de tentar lidar com a dor como uma forma de se buscar uma vida mais equilibrada, dando uma espécie de reset no cérebro para que a pessoa tenha mais autonomia e dependa menos de substâncias e comportamentos – no entanto, vale ressaltar que todo caso é individual e cada um sabe dos seus próprios limites e realidade.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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