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Destaques

Página rasgada

Rasguei a página que marcava o dia em que nos encontramos. É que a memória disso já não importava mais. Depois do silêncio, tudo o que restava era seguir em frente.  E de tento tentar esconder as emoções, eu sempre ia deixando cada vez mais óbvio. No entanto, já não havia um eu e você, tudo o que restava era uma mensagem visualizada não respondida. A verdade é que o outro nunca saberia o quanto havia sentido por ele e estava tudo bem. Aceitara que ninguém controlava a permanência de ninguém e, às vezes, tudo o que precisava fazer era deixar ir. Enquanto sou queimado pelo sol, sinto algo mais queimar dentro de mim. A cicatriz de uma queimadura, como se tivesse chegado perto de mais do sol. Ia escrevendo novas histórias, até que as outras o deixassem em paz. Escrevia para lembrar. Escrevia para esquecer. Escrevia para registrar os dias bons. Escrevia para lembrar que os dias ruins passavam. Escrevia só para no final rasgar a página. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . A...

Feministas Lutam Contra Crimes de Deepfakes Sexuais na Coreia do Sul

Um pouco antes da prisão de Pavel Durov (Telegram) em Paris, França, um assunto chocante e triste sobre crimes digitais na Coreia do Sul começou a viralizar no X/Twitter e em outras redes sociais nos últimos meses. Uma feminista coreana alertou sobre algo que já não era incomum, mas que estava se repetindo: o uso de deepfakes com propósitos sexuais, afetando desde garotas do colégio e adultas, até celebridades, cantoras do K-pop e atrizes de K-dramas.

A reação dos fãs de artistas e também de outras feministas e pessoas incomodadas com os crimes digitais foi de enviar mensagens em massa para as empresas, pedindo para que representantes legais protegessem os artistas. 

Por meio do uso de mapa da Coreia do Sul, feministas conseguiram marcar quais colégios tinham vítimas dos crimes virtuais e sexuais, servindo como um alerta para famílias e autoridades. Embora os mais afetados por grupos de Telegram fossem da Coreia do Sul, feministas alertaram que a tendência poderia se espalhar para os países asiáticos ao lado e para o resto do mundo, tendo planejado um protesto em setembro para cobrar as autoridades sobre os crimes.

Com milhares de usuários participando dos grupos de Telegram na Coreia do Sul e também de diferentes partes do mundo, o movimento feminista sul-coreano está tentando chamar a atenção para os casos e torcendo para que o país seja o primeiro a ter leis que punam de forma mais rígida e servir como exemplo para o resto do mundo.

Mesmo com o pronunciamento do presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol, no qual ele pediu para que os casos fossem investigados para erradicá-los, a pressão dos jornalistas, autoridades e usuários das redes sociais não deve diminuir até os problemas serem solucionados. Chegou ao ponto em que estudantes das escolas estão expondo suas colegas e professoras e por muitos serem menores de idade serem punidos com a expulsão do colégio.

Com a divulgação do caso pelos jornais e portais coreanos, ao invés de o caso gerar muita repercussão social, escândalos e fofocas de ídolos/celebridades ganharam mais destaque do que os atos de crime digital sexual. Embora a Coreia do Sul esteja em destaque cada vez mais por sua música, dramas e até literatura, dando a impressão de que são progressistas, o país ainda é muito conservador, especialmente contra feministas.

Por meio de contas para protegerem suas identidades, as feministas sul-coreanas fizeram a notícia circular não só nas redes sociais traduzindo os conteúdos do coreano para o inglês, mas conseguiram fazer com que o conteúdo traduzido se tornasse pauta não só de jornais asiáticos – países com vítimas em potencial –, mas jornais de diferentes partes do mundo, aumentando a pressão internacional para que os grupos de Telegram e seus usuários sejam criminalizados por usar inteligência artificial para alterar rostos de menores de idade, pessoas comuns e celebridades em conteúdo sexual.

Uma de tantas empresas que faz parte do mundo do entretenimento, a YG Entertainment publicou uma nota nas redes sociais dizendo que estão trabalhando e monitorando as atividades ilegais e que devem entrar na justiça contra os que estão usando conteúdo deepfake inapropriado envolvendo seus artistas, entre eles: Blackpink, BabyMonster e 2NE1. Outras empresas também têm se manifestado, especialmente após os pedidos de fãs.

Por medo de que possam se tornar vítimas dos crimes, muitas coreanas estão removendo suas fotos e tornando seus perfis privados nas redes sociais, visto que a situação está fora de controle. Os casos de misoginia acabam revelando uma nação bem diferente daquela representada nos dramas coreanos e mostrando a importância do feminismo, cujas apoiadoras também se tornam vítimas de exposição e ódio gratuito.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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