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Destaques

Nostalgia da nostalgia

Dias de nostalgia da nostalgia, em que parecia sentir falta de algo ou alguém. Dias em que sabia que era delicioso se perder na sensação de que o passado proporcionava, mas que sabia a importância de voltar a atenção para o presente. Então, os dias continuavam seguindo, mesmo quando uma parte nossa insistia na nostalgia. Nostalgia boa era coisa temporária, mais do que isso poderia se tornar tóxica. A verdade era que escrevia para dar sentido às coisas. A verdade era que tinha uma relação dupla com a nostalgia; em alguns instantes, adorava, em outros, achava que era o pior que poderia acontecer. Escrevia, então, na esperança de continuar mantendo a nostalgia sob controle, aceitando que o passado não voltaria e estava tudo bem ressignificar as coisas. Ao dar um novo sentido, a nostalgia também se transformava. E, então, quem sabe poderia se manter em um nível mais saudável e menos tóxico. Se apegar à nostalgia, mas sentir os pés firmes no presente.  *Ben Oliveira é escritor, formado ...

Desalinhados

Desalinhados. Eram desse modo, como se vivessem em universos diferentes com seus próprios sistemas. Tudo parecia diferente nos dois, como se fosse impossível encontrar um lugar em comum. Era o tipo de desgaste que só aumentava com o passar dos dias, mesmo quando eles tentavam se esforçar para entenderem o universo um do outro. Era inútil continuar tentando.

Estavam em locais tão distantes que seus sinais não eram captados um pelo outro e a linguagem se esfarelava, deixando nuvens de ruídos por onde passava. Era como tentar sintonizar uma frequência e tudo o que restavam eram os barulhos capazes de enlouquecer.

Estariam algum dia em sintonia? A resposta que gritava era “não!”. Como seres de locais tão únicos poderiam conviver em paz, sem compreenderem o mínimo de um sobre o outro? Às vezes, bastava uma frase fora de lugar para causar um furacão de emoções. Às vezes, quando estavam em silêncio era quando mais se davam bem.

Aceitar que nada será como era o esperado é, muitas vezes, o que resta. Uma sensação dolorosa toma conta do corpo inteiro, eles percebem que criaram expectativas irreais um do outro e se preparam lentamente para uma despedida, tentando aproveitar cada pequeno momento, antes que tudo seja tomado pela escuridão completa.

A dor eventualmente vai diminuindo e a atmosfera é preenchida pelo silêncio. Um pé de cada vez, em uma espécie de coreografia, os corpos vão se distanciando e abrindo espaço para algo novo surgir. Na esperança de que desta vez não sejam seres de universos incompatíveis.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle..

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