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Destaques

Calor anormal

Calor anormal. Era mais um dia de onda de calor. Era incrível como o tempo era imprevisível. Há alguns dias estava desejando por dias de sol, mas não desse jeito. O calor desconfortável era fazê-lo desejar a volta dos dias de frio. Parecia que não tinha um meio-termo. Ora estava com dias cinzentos e de chuva, ora estava com onda de calor. Quantos dias de ondas de calor aguentaria? A verdade era que dias assim o faziam sentir uma inquietação e parecia que sentir as coisas à flor da pele. Escrevia para registrar, para desabafar e para mostrar que mesmo diante do desconforto, ainda estava aqui. Escrevia, antes que as palavras queimassem e derretessem com a pele. Era mais um dia de calor do qual não queria lembrar, mas também difícil de esquecer.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Livro (Vol. 2) , di...

Desalinhados

Desalinhados. Eram desse modo, como se vivessem em universos diferentes com seus próprios sistemas. Tudo parecia diferente nos dois, como se fosse impossível encontrar um lugar em comum. Era o tipo de desgaste que só aumentava com o passar dos dias, mesmo quando eles tentavam se esforçar para entenderem o universo um do outro. Era inútil continuar tentando.

Estavam em locais tão distantes que seus sinais não eram captados um pelo outro e a linguagem se esfarelava, deixando nuvens de ruídos por onde passava. Era como tentar sintonizar uma frequência e tudo o que restavam eram os barulhos capazes de enlouquecer.

Estariam algum dia em sintonia? A resposta que gritava era “não!”. Como seres de locais tão únicos poderiam conviver em paz, sem compreenderem o mínimo de um sobre o outro? Às vezes, bastava uma frase fora de lugar para causar um furacão de emoções. Às vezes, quando estavam em silêncio era quando mais se davam bem.

Aceitar que nada será como era o esperado é, muitas vezes, o que resta. Uma sensação dolorosa toma conta do corpo inteiro, eles percebem que criaram expectativas irreais um do outro e se preparam lentamente para uma despedida, tentando aproveitar cada pequeno momento, antes que tudo seja tomado pela escuridão completa.

A dor eventualmente vai diminuindo e a atmosfera é preenchida pelo silêncio. Um pé de cada vez, em uma espécie de coreografia, os corpos vão se distanciando e abrindo espaço para algo novo surgir. Na esperança de que desta vez não sejam seres de universos incompatíveis.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle..

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