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Destaques

Dias de silêncio

Nos dias de silêncio estava dividido entre a fadiga e a ansiedade. Amava escrever, mas sentia como se não tivesse energia suficiente. Não poderia negar: gostava da sensação de estudar. Porém, os conteúdos difíceis eram como pedras: sabia que para algumas coisas precisava de um tempo a mais.  Entre aulas mais calmas, intermediárias e complexas, tentava fazer o melhor possível para aprender, sem se comparar com os outros, sabendo que cada um era único e todos tinham suas facilidades e dificuldades. A verdade era que mesmo coisas que gostávamos poderiam nos deixar cansados e tínhamos que tomar cuidado para não entrar em estado de esgotamento. Estava fazendo o possível para deixar a rotina equilibrada, de forma que não tivesse mais sobrecarga mental. O excesso de estudo poderia ser pior do que não estudar. Escrevia para registrar como os dias estavam sendo. Escrevia para matar a saudade de escrever. Escrevia para estudar. Escrevia. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Auto...

Do Love Bombing ao Ghosting

Bem-vindo, 2024. Dizem que tudo que começa muito rápido pode acabar mal. Quando falamos de Love Bombing ou bombardeio de amor, muitas vezes, ele vem acompanhado do Ghosting, quando a pessoa que costumava falar com você simplesmente desaparece e fica indiferente de uma hora para outra.

Dizem que devemos desconfiar de quando as coisas estão boas demais para serem verdade e talvez haja um fundo de verdade nisso quando estamos diante de alguém que em poucas horas ou dias está te contando coisas íntimas, tentando criar um laço e de um instante para o outro, sem qualquer motivo aparente, a pessoa desaparece.

Você começa a questionar a própria sanidade mental. Não sabe o que era real ou se você projetou uma imagem sobre a pessoa e quis acreditar, como se fosse a imagem real. Para onde tinha ido aquela pessoa que disse coisas maravilhosas sobre você, que parecia estar pensando em um relacionamento e, do nada, havia simplesmente se afastado, sem dar qualquer justificativa?

É difícil de acreditar quando você vê acontecendo. É algo que tem sido cada vez mais discutido, mas uma parte sua se recusa a acreditar que é verdade. A velha intuição que tinha te alertado e você escolheu ignorar, agora começa a gritar: “Eu estava certa o tempo todo!”. Você não só percebe que a pessoa tentou te conquistar de alguma forma, como ela fez o possível para que você sentisse falta e sempre estivesse por ali, até que ela não estivesse mais e agisse sem qualquer responsabilidade afetiva, te fazendo se contentar com migalhas de contato, até se dar conta de que é um caminho sem volta.

Você se culpa, mesmo sabendo que não é totalmente sua culpa. Parte sua quis ignorar os avisos de quando as coisas pareciam estar rápidas demais, um excesso de gostar e demonstrações afetivas em um curto período de tempo te fizeram se sentir às alturas, só para descobrir que logo vinha uma queda paralisante.

Com compaixão por si mesmo, você começa a se reerguer dia após dia. O espaço que era da saudade dá lugar a uma sensação de paz que você tinha antes, de aproveitar o momento presente. De repente, por mais doído que tenha sido, você pensa que o melhor foi a pessoa ter desaparecido, afinal, quem garantiria que ela não faria o mesmo em um cenário um pouco mais para frente, após te fazer acreditar em tantas tolices românticas? 

Você substitui a vergonha pela empatia. Você deixa que independente do que tenha acontecido com a pessoa, que ela se cure disso de alguma forma, e não volte a machucar os outros neste cenário artificial de várias ondas de amor para o sumiço – de quem age como se não tivesse falado nada e talvez você tenha imaginado as coisas. 

Você dá um ponto final e recomeça, consciente desta vez de como não agir se uma situação semelhante acontecer e dar espaço para as coisas crescerem naturalmente.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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