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Destaques

Dias de silêncio

Nos dias de silêncio estava dividido entre a fadiga e a ansiedade. Amava escrever, mas sentia como se não tivesse energia suficiente. Não poderia negar: gostava da sensação de estudar. Porém, os conteúdos difíceis eram como pedras: sabia que para algumas coisas precisava de um tempo a mais.  Entre aulas mais calmas, intermediárias e complexas, tentava fazer o melhor possível para aprender, sem se comparar com os outros, sabendo que cada um era único e todos tinham suas facilidades e dificuldades. A verdade era que mesmo coisas que gostávamos poderiam nos deixar cansados e tínhamos que tomar cuidado para não entrar em estado de esgotamento. Estava fazendo o possível para deixar a rotina equilibrada, de forma que não tivesse mais sobrecarga mental. O excesso de estudo poderia ser pior do que não estudar. Escrevia para registrar como os dias estavam sendo. Escrevia para matar a saudade de escrever. Escrevia para estudar. Escrevia. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Auto...

O Triângulo das Impossibilidades

O triângulo das impossibilidades era formado por nostalgia e expectativas irreais. Era de certa forma poético, mas quando se encarava no plano real, era só isso: um triângulo de impossibilidades. Pessoas no presente presas ao passado e pensando no futuro, uma combinação que era uma bomba para a saúde mental.

Não havia jeito certo ou errado de enxergar as coisas, tudo era possível no impossível. Como se os três estivessem de uma forma envolvidos por um novelo que os conectavam. Quem puxaria o primeiro fio? Quem ficaria de fora? Não havia nada concreto. Não havia resposta certa ou errada.

O choque de três personalidades diferentes. Era como se o roteirista do universo estivesse fora de si, se divertindo com cada ato falho e aumentando a pressão: “Uma hora você vai ter que escolher só um dos dois”.

Qual dos dois o deixava menos confuso? Qual dos dois era o que fazia seu coração bater mais forte? Qual dos dois? As perguntas não o deixavam em paz. Um era como um furacão dentro do seu peito, o outro tinha tanta paixão que explodia como um vulcão. Sentimentos intensos que buscava na teoria, mas na prática eram capazes de tirar os pés do chão, levitar e então cair em queda livre, sem ter onde se ancorar.

Era uma tragédia desde o início, fadada a uma série de incompreensões e incompatibilidades, de desencontros e reencontros. Teria feito a escolha certa? Teria feito a escolha errada? Não sabia. Tudo o que sabia era que as coisas seriam sem dúvidas e mais claras com a pessoa certa e no momento não sentia aquilo com os dois. Estava mergulhado em um poço escuro, torcendo pela entrada de luz, cansado de divagar sobre as coisas que tinham acontecido e tentando não pensar nas que viriam a seguir.

Diante de um triângulo de impossibilidades, decidira escolher a si mesmo. Por que precisava escolher entre um e outro? Queria tudo? Queria nada? As perguntas o atormentariam por um bom tempo, mas a resposta já estava ali: diante de uma série de confusões, o amor-próprio era tudo o que precisava e os triângulos virariam quadrados, círculos e, no final, tudo terminaria em estrelas.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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