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Destaques

Dias de silêncio

Nos dias de silêncio estava dividido entre a fadiga e a ansiedade. Amava escrever, mas sentia como se não tivesse energia suficiente. Não poderia negar: gostava da sensação de estudar. Porém, os conteúdos difíceis eram como pedras: sabia que para algumas coisas precisava de um tempo a mais.  Entre aulas mais calmas, intermediárias e complexas, tentava fazer o melhor possível para aprender, sem se comparar com os outros, sabendo que cada um era único e todos tinham suas facilidades e dificuldades. A verdade era que mesmo coisas que gostávamos poderiam nos deixar cansados e tínhamos que tomar cuidado para não entrar em estado de esgotamento. Estava fazendo o possível para deixar a rotina equilibrada, de forma que não tivesse mais sobrecarga mental. O excesso de estudo poderia ser pior do que não estudar. Escrevia para registrar como os dias estavam sendo. Escrevia para matar a saudade de escrever. Escrevia para estudar. Escrevia. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Auto...

Relacionamentos Indefinidos

Existem dois tipos de pessoas no mundo: as que acreditam que nada dura para sempre e aquelas que acreditam que existem infinitos dentro de infinitos. Eventualmente, as duas se encontram sem criar expectativas, mas, ao mesmo tempo, sem abrir mão das demonstrações de afeto.

“Eu espero que ele baixe a guarda”. “Eu vou manter a guarda alta”. Pensamentos se intercalam, como numa espécie de pega-pega entre adultos. Quem vai ganhar? Quem vai perder? Os dois saem ganhando? Os dois saem perdendo? É difícil prever.

Você escuta o discurso cético e pensa o quanto são parecidos, mas tão diferentes ao mesmo tempo. E se vocês tivessem se conhecido em uma outra época da vida? Como as coisas seriam? Não adiantava divagar sobre o passado, você está vivendo o momento presente e se concentrando em não criar expectativas sobre o futuro. Tudo o que temos é o agora. 

Um agora que vai se tecendo a cada pequena atitude, toques, beijos e a sensação de estarem grudados um ao outro. “Esqueça as palavras”, o pensamento se repete. “Baixe a guarda um pouco”. De repente, parece loucura fazer isso com quem já havia deixado claro tanta coisa sobre si mesmo. De repente, as palavras vão se transformando. Muitas coisas podem acontecer de repente.

No mundo dos relacionamentos indefinidos, eu não sabia qual papel agir, então, fui cumprindo um pouco de todos, secretamente, me deixando experimentar as diferentes sensações e pensando que por trás de todo excesso de ceticismo se escondem muitas verdades: algumas dolorosas, outras indiferentes e lógicas demais, distantes do terreno das emoções.

Sem criar as temidas expectativas, você se vê beijando no meio do shopping, como se fosse um casal de mais tempo juntos ou quem sabe um jovem casal desfrutando os primeiros dias de uma suposta lua de mel. Tudo pode acontecer, inclusive nada. A voz de Carla Bruni passa pela cabeça: “Me prometa nenhuma promessa¨.

Um beijo que deixou o outro com vergonha e parece tão fofo que você quer registrar o momento na memória e repetir várias vezes. Como um jogo que você não quer perder, você aprende a modular as emoções e deixar do jeito que era combinado, com baixas expectativas, ao mesmo tempo percebendo que eventualmente, as coisas precisam mudar. 

Sem saber as respostas, você adormece para não ter que pensar nas perguntas. Em um universo de indefinições, falta vocabulário emocional para definir o que está sentindo, o que vocês são e se haverá próximos capítulos da história. Tudo é tão incerto que se desmancha e escorre como areia pelas mãos. De repente, você não sabe se está em uma praia, uma ilha ou um deserto.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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