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Destaques

Seis meses sem cigarro

Seis meses sem cigarro. Há um tempo parecia algo impossível de alcançar e aqui estava ele: estaria mentindo se dissesse que ainda não tinha fissura, mas havia conseguido controlar bem mais como nunca imaginara antes. Seis meses davam uma sensação boa. Seis meses sem fumar um cigarro, mesmo passando por inúmeras situações de estresse e de ansiedade. Seis meses aprendendo a regular as emoções de forma a não descontar no vício. Os meses iam passando. Datas que antes pareciam impossíveis se tornam reais. Já imaginara quando seria quando completasse um ano sem cigarro. Ia escrevendo para comemorar e lembrar que os pequenos dias também importavam. Escrevia para lembrar que o difícil não era impossível e qualquer um poderia conseguir se livrar do cigarro, por mais difícil que parecesse no início. Escrevia para agradecer a si mesmo por ter se libertado de algo que fazia tão mal e muita gente ainda acreditava que fazia bem. Escrevia para deixar claro que não queria voltar atrás e mesmo nos dias...

O último banho de sol do ano

Era o último banho de sol do ano quando aproveitava a luz solar para bronzear a pele enquanto pedalava pelos labirintos do seu condomínio. Escutava as músicas mais tocadas do ano por ele no Spotify, uma retrospectiva que o lembrava que mesmo subconscientemente sua mente estava em outra pessoa – ou seriam os gostos em comum que haviam adquirido ao longo do tempo? Não sabia responder.

Sentir os raios de sol o fazia se sentir vivo, especialmente nos dias em que dormia demais e parecia que nunca ia acordar. No início via a atividade como algo para simplesmente ajudar com o cérebro a se recuperar, até que se tornou algo prazeroso e inevitável no dia a dia.

Todos os dias, não importava o horário, ele ia tomar sua dose diária de sol – o que também o lembrava de um drama coreano, no qual se abordava a importância de pedir e aceitar ajuda para saúde mental quando necessário.

Os minutos ora passavam lentamente, ora passavam mais rápidos e a cada música reproduzida sentia emoções diferentes: era como dar uma volta em uma roda-gigante, sabendo que se estivesse sentindo demais, bastava trocar a música. Acelerava e desacelerava conforme o ritmo e sentia certo alívio quando voltava para casa e o ar era preenchido pelo silêncio.

A dose de sol havia chegado ao final, mas seus benefícios continuavam com ele. Era quando podia recarregar as energias e continuar com as atividades diárias, deixando o peso para trás. Sabendo que independente de ser fim de ano, amanhã estaria com a bicicleta novamente.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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