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Destaques

Desconhecer

 “Vamos nos Desconhecer”. Você respondia não e dizia que era uma ideia ruim. Mas o tempo foi mais forte e quando menos nos demos conta, estávamos em um processo de afastamento e encerramento de ciclo. Não responder também era uma reposta. Não perguntar sobre como o outro estava. Não aceitar os limites do outro. Não entender que estava tudo bem discordar e continuar conversando. A verdade é que a permanência de ninguém está em nossas mãos. Não temos controle sobre quem vai, quem fica, mas podemos lembrar de ao menos termos tentado e as coisas não darem certas. Olhando assim, talvez até parecia que só havia uma tragédia. Mas a verdade era que aprendera com o outro, coisas úteis e também aprendera como não queria ser. Escrevia como uma forma de colocar o luto para fora. Escrevia como quem sabia desde o começo: um dia iríamos nos desconhecer, e não seria uma questão só de escolher, e sim de como a vida era. Havia me deixado mal acostumado. Sempre achando que estaria disponível. Até que...

Fogos de artifício no peito

Enquanto os fogos de artifício explodiam no céu, dentro do peito algo também explodia. A mensagem que havia esperado durante anos havia chegado e com ela, tudo aquilo que havia receio em ler.

Palavras que mesmo contidas eram capazes de machucar. Lia, relia e relia, enquanto o barulho no céu se misturava ao som das batidas do coração. Era o timing perfeito. Precisava de uma resposta, mais uma oportunidade de cair na realidade e apesar de ficar insatisfeito e frustrado, sabia que tudo o que poderia fazer era respeitar o desejo do outro.

Entre memórias felizes e outras não tão felizes, apesar dos anos terem passado, continuava nutrindo sentimentos, como se tivesse congelado no tempo. Sua parte racional sabia que não era saudável, mas sua parte romântica fantasiava que algum dia iriam voltar a se falarem.

Então, depois de tanto engolir as emoções, decidira colocá-las para fora: em vez de explodir, temia implodir. Palavras que para ele nada significavam, como se eu estivesse falando em outra língua, de outra pessoa – não de quem ele era.

Muitos e muitos anos se passaram, mas o arrependimento de como as coisas foram no final nunca o haviam abandonado. Se ao menos pudesse voltar no tempo e fazer tudo diferente. O futuro era completamente incerto e o presente marcado por uma ausência que era sentida e tentava se reconfortar dizendo que se era o melhor para ele, pois que fosse assim.

Fez uma pausa para olhar os fogos queimando no céu. Era assim que seu corpo sentia sempre que pensava nele. O fogo foi iluminando, em seguida tudo o que conseguia ver era o céu de estrelas. Por alguns minutos, o coração havia pegado fogo, até virar faísca e tudo ficar frio e escuro.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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