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Destaques

Sobrecarregar

Impor limites nem sempre era fácil, mas às vezes fundamental para preservar a própria saúde mental. Então, ia aos poucos se fechando, permitindo ficar mais tempo offline do que online. Negociar limites talvez fosse o melhor termo. De todo modo, nem sempre as pessoas iriam entender. Às vezes, o silêncio era a melhor resposta. Escrevia para se lembrar. Escrevia para que as coisas fizessem sentido. Escrevia. Ia se soltando aos poucos. O que havia começado com empolgação, havia se tornado uma frustração. Aos poucos tentava diminuir o acesso às redes sociais, na esperança de voltar a respirar em paz. Ia impondo limites, pois era mais fácil se recuperar antes de se sobrecarregar do que depois. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Livro (Vol. 2) , disponíveis no  Wattpad  e na loja Kindle.

Outra página em branco

Reescrever a história que havia reescrito na mente. Era isso o que precisava fazer. Deixar de lado uma visão idealizada do outro e voltar a enxergar as coisas como eram. Por mero acaso, seus caminhos tinham se encontrado de novo anos atrás e as memórias tinham voltado editadas. Seu consciente sabia que tudo seria diferente se tal coisa não tivesse acontecido, se ele não estivesse lá, mas seu subconsciente se prendia a algo que já não existia há anos, como um fantasma que o seguia para onde quer que fosse e vice-versa.

Diferente do que fizera anos atrás, quando supostamente tentara apagar suas memórias e se distanciou completamente – as quais voltaram mais fortes do que nunca –, precisava encontrar um modo saudável de lidar com o desconforto e a noção de que se não fosse por mero acidente, suas emoções não teriam voltado, nada disso teria acontecido. Sabia que era uma espécie de bug do cérebro, mas não sabia como consertar.

Por que era tão difícil entender que já não tinha importância para o outro? Por que continuava reescrevendo a história, torcendo para que o final fosse diferente? As coisas eram como eram e tudo o que precisava fazer era aceitar e continuar seguindo em frente. Quanto mais tempo preenchesse o espaço com uma presença fantasma, mais se distanciava do momento presente e também de possibilidades que estavam por vir.

Em vez de evitar a dor, desta vez estava sentindo no peito, da cabeça aos pés: tanto para se lembrar, como para poder esquecer. Não havia motivos para tentar se fazer presente na vida de quem tinha deixado bem claro sobre sua desimportância. Nem por isso as coisas não doíam menos. Mesmo sabendo que sem aquele encontro, talvez nada disso estivesse acontecendo.

Cansado de se lamentar, foi ensaiando uma nova coreografia, sem coordenação, se distanciando lentamente e abrindo espaço para a cura. A dor algum dia seria esquecida, mas o que fizera dela seria lembrado. E quando menos se dera conta, outra página em branco havia sido escrita.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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