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Destaques

Uma pausa dentro da pausa

Uma pausa dentro da pausa, às vezes, é tudo o que precisamos para recarregar as energias. Estava aproveitando de forma consciente maneiras de reduzir a quantidade de estímulos e relaxar. Relaxava não só por relaxar, mas por saber que isso ajudaria mesmo nos estudos. Tirar um tempo para si mesmo e não fazer nada, em alguns casos, é tudo o que a gente precisa. E está tudo bem estranhar no começo. Pensar que deveria estar fazendo alguma coisa. Mas não fazer alguma coisa também é fazer algo e, às vezes, para ajudar com o esgotamento, era necessário.  Dias de silêncio também eram importantes. Às vezes, o corpo e a mente pedem. Às vezes, o que você mais precisa é saber separar um tempo do seu dia para se focar em relaxar e evitar uma sobrecarga mental. Ia escrevendo pensando nos dias de silêncio. Ia escrevendo para se lembrar de que era importante este tempo para si mesmo. Ia escrevendo para lembrar que estava tudo bem e a diferença que tirar um tempo para si fazia melhor do que esperava...

Aceitação: Fim do ciclo

Aceitar que você não pode voltar no tempo. Aceitar o momento presente. Aceitar que as coisas mudam. Aceitação nem sempre é fácil, mas algo necessário. É somente quando aceitamos, que podemos finalmente deixar algumas coisas para trás e voltar os olhos para a frente.

Aceitar não significa se pôr no papel de vítima, pelo contrário, assumir que você teve responsabilidade também, de um grau ou outro, por tudo o que aconteceu. Há coisas que vamos adiando e adiando, na esperança de que o outro vá mudar, mas esta mudança nunca vem. Em vez de colocar vírgulas, você decide por um ponto final, um ponto que já deveria ter colocado há anos, desde que fora aconselhado pela primeira vez.

Escolher a própria saúde mental vem com um preço: às vezes, você decide colocar sua paz em primeiro lugar e quando você lida com alguém sempre envolvido em problemas, o que há muitos anos tinha sido um relacionamento saudável, há anos já se transformara em várias bandeiras vermelhas.

Sabia quando tinha começado, mas esperava que após superar determinado episódio, a pessoa ia seguir em frente e mudar, mas, não, continuava no cômodo papel de vítima de tudo e todos, mesmo quando as escolhas eram feitas por ela. Um constante oscilar de emoções, uma série de padrões comportamentais, uma série de relacionamentos que acabavam da mesma maneira, escolhas confusas que eram feitas e desfeitas, uma série de padrões disfuncionais. Não podia mudar o outro, mas podia mudar a si mesmo.

Estava cansado de ouvir as mesmas histórias de sempre que só mudavam os personagens e ver que o outro nunca se colocava como autorresponsável. Estava cansado de lidar com tanto negativismo acompanhado de vitimização, na qual os problemas do outro eram maiores do que o do resto do mundo e nenhuma solução para os problemas era suficiente. Estava saturado de ter que escutar desabafos diários de coisas que seriam importantes de serem trabalhadas em terapia e nem mesmo eram de conhecimento da psicóloga. Estava esgotado de andar sobre cascas de ovos, sabendo como uma palavra fora do lugar poderia causar uma confusão, optava sempre por dar um tapinha nas costas e reforçar o comportamento do outro que deveria ser mudado, mas não era terapeuta para apontar.

Desde que decidira se afastar, a vida não se tornou instantaneamente mais fácil – seria cômodo e irrealista dizer que todos problemas vinham do outro –, mas, sim, se tornou um pouco mais leve. Havia seus próprios problemas para lidar e agora tinha mais energia para si mesmo, menos tempo perdido e parado de carregar problemas que não eram responsabilidades dele. O que pessoas que drenam a energia dos outros não sabem é que, sim, isso é responsável pelo afastamento dos outros ao redor e ficam sem entender, como se fossem vítimas de um papel que elas mesmas criaram para si mesmas e a terapia existe para se transformar, não somente como um espaço de desabafo.

Uma vez que certas coisas são vistas, não dá para fingir que nada aconteceu. Com cautela foi se afastando gradualmente ao longo dos anos, mas o outro continuava preso, com cada vez mais demandas, mais carência, sempre precisando de validação, de uma forma que não era nada saudável. Tinha coisas que não era o papel dele contar, como explicar que relacionamentos assim se tornavam prisões e eram extremamente tóxicas para a mente.

Não se sentia culpado. Mesmo tendo empatia com a situação do outro, já não havia espaço para si mesmo há anos: não se pode consertar a personalidade do outro, tampouco seus possíveis transtornos e traços. Foi somente após se esgotar emocionalmente que se dera conta de que não precisava passar por tudo aquilo de novo. Não ia se deixar afundar nem se alterar pelo outro, desta vez se colocaria em primeiro lugar, consciente de que tivera feito mais do que o suficiente para ajudar e havia coisas que só o outro poderia fazer por si mesmo. Não se importava se seria o vilão do outro, também já não se importava se o outro continuaria preso no mesmo ciclo, mas com outras pessoas. Havia aceitado que o que era do outro já não era mais interesse dele, tampouco se interessava se aprenderia algo da experiência, consciente de que só se pode mudar aquilo que nos tornamos conscientes e estamos fadados à repetição, até que o ciclo chegue ao fim.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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