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Destaques

11 Meses Sem Fumar Cigarro

Quase completando 11 meses sem fumar cigarro, se dera conta de que um dia parecia impossível, havia se tornado real. E faltava tão pouco para completar o primeiro ano sem cigarro. Estaria mentindo se dissesse que vez ou outra não sentia uma vontade súbita de fumar cigarro, mas se sentia no controle da situação e era capaz de dizer não. Dizer não se tornava cada vez mais fácil com o passar do tempo. Mas era ilusão achar que nunca mais seria tomado pela vontade. A diferença era que agora era muito mais fácil se negar. Dizer não ao cigarro significava dizer sim para outras coisas. Parar de negar o quanto fumar fazia mal à saúde e aceitar que por mais difícil que fosse se manter longe do cigarro, os benefícios valiam a pena. Então, era um dia qualquer para os outros, mas para quem havia parado de fumar, celebrar esses pequenos passos fazia toda diferença. Só mais um dia sem fumar cigarro. Só mais um dia para ignorar os pensamentos de que não ia conseguir. Só mais um dia provando que era ca...

Nostalgia Sombria

Fora do pedestal, encarava o outro como um ser humano qualquer, sem todas fantasias e idealizações, sem o desejo alimentado pela nostalgia. Nada mais justo a fazer, especialmente quando deixara claro que não queria fazer parte da sua vida.

Os meses voaram, mas as palavras continuavam ecoando dentro dele. Não havia sentido. De uma coisa ele tinha certeza, sua vida seria diferente se não tivesse Transtorno Bipolar, mas era incapaz de mudar a realidade.

Não importava o que fizesse. Não importava o quanto tentasse. Tudo o que restava era aceitação. Aceitar que independente do que o outro importava para ele, não tinha a mesma importância. Aceitar o não e continuar seguindo em frente, consciente de que encontraria um sim pelo caminho.

Era quando encarava o vício de frente, que a nostalgia voltava para lhe confortar de alguma forma. Pensar em como as coisas tinham sido boas e se esquecendo da parte ruim, assim alimentava a nostalgia, criando uma espécie de edição de memórias da vida e o outro fazia parte das suas favoritas – ainda que para o outro fosse um capítulo esquecido e sem tanta importância.

A nostalgia era gostosa, mas precisava saber a hora de deixá-la ir e se reconectar com o presente. Aceitar a desimportância que tinha para o outro, aceitar que nada será como foi um dia e não podemos mudar o passado. Simplesmente aceitar, se livrando do canto hipnotizante do amontoado de desejos.

Ia, então, levando os dias, sem se esquecer, mas aceitando as coisas que não poderia mudar. Era, no mínimo, irônico, como a vida era cíclica. Havia passado por algo parecido e entendia mais a perspectiva do outro, mas ainda não havia chegado o dia em que deixara de se importar completamente, era como uma velha cicatriz que ainda ardia e coçava.

De volta ao momento presente, se permitia deixa tudo para trás, o bom e o ruim, e todas idealizações que jamais serão realizadas. Em uma espécie de nostalgia sombria, sabia que às vezes, precisava deixá-la passar fome a alimentá-la, até que os pensamentos perdessem força e pudesse se soltar de uma vez por todas, vivendo no aqui e no agora, sem pensar em todos “e se”, simplesmente aceitando as coisas como elas eram.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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