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Destaques

Página rasgada

Rasguei a página que marcava o dia em que nos encontramos. É que a memória disso já não importava mais. Depois do silêncio, tudo o que restava era seguir em frente.  E de tento tentar esconder as emoções, eu sempre ia deixando cada vez mais óbvio. No entanto, já não havia um eu e você, tudo o que restava era uma mensagem visualizada não respondida. A verdade é que o outro nunca saberia o quanto havia sentido por ele e estava tudo bem. Aceitara que ninguém controlava a permanência de ninguém e, às vezes, tudo o que precisava fazer era deixar ir. Enquanto sou queimado pelo sol, sinto algo mais queimar dentro de mim. A cicatriz de uma queimadura, como se tivesse chegado perto de mais do sol. Ia escrevendo novas histórias, até que as outras o deixassem em paz. Escrevia para lembrar. Escrevia para esquecer. Escrevia para registrar os dias bons. Escrevia para lembrar que os dias ruins passavam. Escrevia só para no final rasgar a página. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . A...

Nostalgia Sombria

Fora do pedestal, encarava o outro como um ser humano qualquer, sem todas fantasias e idealizações, sem o desejo alimentado pela nostalgia. Nada mais justo a fazer, especialmente quando deixara claro que não queria fazer parte da sua vida.

Os meses voaram, mas as palavras continuavam ecoando dentro dele. Não havia sentido. De uma coisa ele tinha certeza, sua vida seria diferente se não tivesse Transtorno Bipolar, mas era incapaz de mudar a realidade.

Não importava o que fizesse. Não importava o quanto tentasse. Tudo o que restava era aceitação. Aceitar que independente do que o outro importava para ele, não tinha a mesma importância. Aceitar o não e continuar seguindo em frente, consciente de que encontraria um sim pelo caminho.

Era quando encarava o vício de frente, que a nostalgia voltava para lhe confortar de alguma forma. Pensar em como as coisas tinham sido boas e se esquecendo da parte ruim, assim alimentava a nostalgia, criando uma espécie de edição de memórias da vida e o outro fazia parte das suas favoritas – ainda que para o outro fosse um capítulo esquecido e sem tanta importância.

A nostalgia era gostosa, mas precisava saber a hora de deixá-la ir e se reconectar com o presente. Aceitar a desimportância que tinha para o outro, aceitar que nada será como foi um dia e não podemos mudar o passado. Simplesmente aceitar, se livrando do canto hipnotizante do amontoado de desejos.

Ia, então, levando os dias, sem se esquecer, mas aceitando as coisas que não poderia mudar. Era, no mínimo, irônico, como a vida era cíclica. Havia passado por algo parecido e entendia mais a perspectiva do outro, mas ainda não havia chegado o dia em que deixara de se importar completamente, era como uma velha cicatriz que ainda ardia e coçava.

De volta ao momento presente, se permitia deixa tudo para trás, o bom e o ruim, e todas idealizações que jamais serão realizadas. Em uma espécie de nostalgia sombria, sabia que às vezes, precisava deixá-la passar fome a alimentá-la, até que os pensamentos perdessem força e pudesse se soltar de uma vez por todas, vivendo no aqui e no agora, sem pensar em todos “e se”, simplesmente aceitando as coisas como elas eram.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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