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Destaques

Virada

É na esperança de uma virada que muita gente se uniu e se posicionou. Há tempos não vinha tanta mobiliza nas redes sociais. Foi algo lindo de ver.  Uma virada ainda é possível? Tudo pode acontecer em uma semana. Vejo as pessoas tirando um tempo para engajar e conhecer outras pessoas que vão votar no mesmo candidato. E quando a pesquisa mostrou virada, não havia como não sentir esperança. A verdade era que muita gente tinha medo de se posicionar, mas com a chegada das eleições, sabia que não havia tempo a perder  Então, seguia escrevendo, na esperança de que ainda fosse possível. Na esperança de que dias melhores viriam. Na esperança de uma virada.  Como com grande parte dos artistas por aqui não tinha como ser diferente. Nem mesmo era uma opção a se considerar. Tudo o que poderia fazer era torcer para uma virada. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Br...

Nostalgia Sombria

Fora do pedestal, encarava o outro como um ser humano qualquer, sem todas fantasias e idealizações, sem o desejo alimentado pela nostalgia. Nada mais justo a fazer, especialmente quando deixara claro que não queria fazer parte da sua vida.

Os meses voaram, mas as palavras continuavam ecoando dentro dele. Não havia sentido. De uma coisa ele tinha certeza, sua vida seria diferente se não tivesse Transtorno Bipolar, mas era incapaz de mudar a realidade.

Não importava o que fizesse. Não importava o quanto tentasse. Tudo o que restava era aceitação. Aceitar que independente do que o outro importava para ele, não tinha a mesma importância. Aceitar o não e continuar seguindo em frente, consciente de que encontraria um sim pelo caminho.

Era quando encarava o vício de frente, que a nostalgia voltava para lhe confortar de alguma forma. Pensar em como as coisas tinham sido boas e se esquecendo da parte ruim, assim alimentava a nostalgia, criando uma espécie de edição de memórias da vida e o outro fazia parte das suas favoritas – ainda que para o outro fosse um capítulo esquecido e sem tanta importância.

A nostalgia era gostosa, mas precisava saber a hora de deixá-la ir e se reconectar com o presente. Aceitar a desimportância que tinha para o outro, aceitar que nada será como foi um dia e não podemos mudar o passado. Simplesmente aceitar, se livrando do canto hipnotizante do amontoado de desejos.

Ia, então, levando os dias, sem se esquecer, mas aceitando as coisas que não poderia mudar. Era, no mínimo, irônico, como a vida era cíclica. Havia passado por algo parecido e entendia mais a perspectiva do outro, mas ainda não havia chegado o dia em que deixara de se importar completamente, era como uma velha cicatriz que ainda ardia e coçava.

De volta ao momento presente, se permitia deixa tudo para trás, o bom e o ruim, e todas idealizações que jamais serão realizadas. Em uma espécie de nostalgia sombria, sabia que às vezes, precisava deixá-la passar fome a alimentá-la, até que os pensamentos perdessem força e pudesse se soltar de uma vez por todas, vivendo no aqui e no agora, sem pensar em todos “e se”, simplesmente aceitando as coisas como elas eram.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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