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Destaques

Hipervigilância

Acordo e minha mente logo entra em estado de hipervigilância. A cada batida do coração sinto que algo aconteceu, acontece e acontecerá. O medo de perder o controle toma conta de mim. Era verdade que a ansiedade havia melhorado nos últimos dias. Porém, era difícil distinguir uma melhora terapêutica de um início de crise. Às vezes, tudo o que poderia fazer era relaxar. Fecho os olhos e tento me concentrar na minha respiração. Só por hoje, não há necessidade de me preocupar. A verdade era que a hipervigilância nunca sumia completamente, mas tão ruim quanto uma crise, era viver neste constante estado em que algo ruim pode acontecer. Permitia-se relaxar. Permitia-se não se preocupar um pouco. Permitia-se. Era tão difícil se permitir em alguns dias, que quando conseguia, era possível sentir uma dose de paz. A verdade era que nunca saberia completamente distinguir o otimismo de uma possível crise. Havia aprendido a identificar os sinais de crise, mas poucos profissionais ensinavam a distingui...

Deixar para trás não é fingir

Deixar para trás não é fingir que nada aconteceu. Pelo contrário, apesar de aceitar que nem tudo está em suas mãos, há coisas que você precisa se lembrar para não repetir os mesmos erros e padrões de comportamentos.



Então, por mais tentadora que seja a ideia de focar só na frente, há uma parte sua que precisa lembrar das pequenas coisas, de como e do porquê das coisas terem acontecido.

Escrevia para se lembrar, mas também pata esquecer.  Poderia parecer contraintuitivo, como se de alguma forma estivesse sabotando o próprio processo, mas entendera que se não estivesse consciente do passado, correria o risco de repetir as frustrações no presente e futuro.

Sentir as emoções, para algumas pessoas, era algo muito intenso. Elas gostariam de algo para anestesiar, mas fazia parte da vida o sentir. Então, há momentos em que precisamos sentar com o desconforto e nos deixar lembrar de que existiam motivos para escolher que foram feitas.

Então, ao se lembrar, quem sabe, independente das circunstâncias, você entende que o melhor que pode fazer é ficar longe. Do mesmo modo que entendera que não se passava de um ciclo encerrado para quem um dia fora tão importante, agora entendia mais do que nunca a importância de dizer não é encerrar seus próprios ciclos.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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