Pular para o conteúdo principal

Destaques

Terapeutização

Terminar uma série antiga com muitas temporadas é sempre uma surpresa. Diferente dos formatos atuais que são mais curtos, você se torna familiarizado com os personagens depois de tantas temporadas é isso te faz refletir episódio após episódio sobre a vida. Em um intervalo de meses tudo pode acontecer, inclusive nada. Além das séries, vinha pensando nos livros sobre amor próprio e confessava que tinha dificuldade para determinar onde começava uma coisa e terminava outra, se o excesso de terapeutização da vida não poderia encerrar tudo o que causasse frustração. A verdade era que tudo dependia do contexto. Séries, filmes e livros nos ensinavam sobre a vida, assim como a importante terapia. Diante de um mar de livros focados na autoestima e amor próprio, me perguntava se algumas vezes não estávamos indo longe demais. Qual é o limite? Quantos fins de ciclos precisamos passar? Ciclos terminavam, novos começavam e o receio de que tudo se repetisse passava pela mente. Estaria perdendo tempo a...

Rede de apoio

Reaprender a aproveitar os dias de calma. Ocupar a mente com coisas boas. Ter confiança de que nem tudo precisa se repetir, que a ansiedade pode ser muito mais do que um incômodo, mas conduzir para o caminho errado. 

Estar no escuro e estar cercado de alarmes podem ser terríveis. É preciso uma dose de equilíbrio para que os dias voltem a se tornar leves.

Às vezes, o viés pode atrapalhar. Os padrões podem dar falsos positivos.  É preciso paciência para identificar as coisas como elas são e não enxergar um padrão em tudo.

Muitas vezes, é somente com uma rede de apoio que descansar se torna possível. Não ficar ansioso o tempo inteiro e criando cenários catastróficos também faz parte do tratamento. Deixar as coisas fluírem e abrir mão do controle total.

É somente ao abrir mão do controle que é possível respirar com calma. É somente quando se está seguro que é possível manter vínculos saudáveis. É somente ao aceitar que o excesso de controle era pior do que não ter qualquer controle.

Ia, então, se permitindo aproveitar o momento presente, sem lembrar o tempo inteiro dos problemas do passado. Era quando se permitia estar no presente que a vida se tornava leve. Não era como se as preocupações tivessem desaparecido. Era mais como aceitar que mesmo com a rigidez, era possível encontrar flexibilidade e perceber que essa paz era resultado de meses se permitindo mostrar como era e co não era. Aceitar que no lugar de se preocupar diariamente, poderia também fazer outras coisas e ir desenvolvendo a neuroplasticidade, até que a ansiedade não o incomodasse tanto e não precisasse se preocupar com pequenas coisas.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Mais lidas da semana