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Destaques

Meses sem fumar cigarro

Seis meses. Metade de um ano. O que antes parecia só algo impossível de acontecer, havia se tornado realidade: conseguira passar 6 meses sem fumar cigarro.  Estaria mentindo se tinha dias em que não se imaginava fumando ainda, mas estava feliz por conseguir resistir à tentação, sabendo que uma vez que tinha decidido não ia dar um passo para trás. Há seis meses, talvez estaria fumando enquanto escrevia o texto ou quem sabe ouvindo música e usando o Instagram, mas as coisas tinham mudado e ainda bem. Por mais difícil que seja no início. Passei por várias tentativas e falhas e não sinto vergonha, precisava criar resiliência antes de conseguir parar o cigarro de vez.  Difícil, sim. Impossível, não. Seria mentira dizer que é fácil, embora algumas pessoas tivessem mais facilidade do que outras para parar de fumar cigarro. Porém, nem todo mundo era igual e para algumas pessoas, a fissura continuaria aparecendo de tempos em tempos. Porém, a informação importante é que a fissura por ci...

Um teste de confiança

Embora sua natureza fosse calma, quando entrava em crise se tornava uma bomba. Um profissional que ajudasse a evitar que a bomba explodisse, era isso o que buscava. Como confiar no presente quando já tinham errado no passado? Talvez se reunisse em pontos em comum, ajudaria ao psicólogo conseguir identificar uma crise antes de acontecer.

Não queria o impossível. Sabia que era impossível todos profissionais se especializarem em tudo. Mas gostaria de continuar mantendo seu recorde de tempo sem crises, consciente de que era um trabalho em equipe e sozinho pela própria natureza do transtorno, não era capaz de identificar por conta própria: ter um olhar externo fazia toda diferença.

Então, ia pensando em como já tinham errado no passado com seu diagnóstico, independente da empatia. A empatia era o mínimo que buscava num processo terapêutico, mas também a consciência de que se o profissional não será capaz de lidar com a demanda, que tenha a ideia de indicar outro profissional.

Ainda que sentisse o vínculo terapêutico, algumas questões da realidade poderiam abalar a confiança. Sabia que todos precisavam começar de algum lugar, mas também sabia da complexidade do próprio caso.

Era verdade que o outro talvez não tivesse toda experiência que esperava. Mas também era verdade que estava dando conta da demanda. Talvez fugir da rigidez cognitiva era o que precisava fazer e aceitar que o outro estava dando o melhor de si. Mas como não se incomodar com a ideia de um profissional mais especializado? Como não se preocupar com o tempo de experiência em clínica?

Muitas perguntas que ainda não tinha a resposta. Talvez aceitar que era a ansiedade tomando conta de si, especialmente quando queria ter o controle de tudo. Não seria capaz de prever sempre que iria explodir, embora tivessem situações em que era possível evitar a explosão. No entanto, talvez acolher o outro, fosse como acolher a si mesmo, sabendo dos riscos e aceitando o processo. Talvez o contraste entre um olhar mais maduro e um olhar mais fresco fosse o que precisasse para encontrar certo equilíbrio no tratamento e se permitir se encontrar no meio, sem excesso de rigidez, sem excesso de viés.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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