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Destaques

A era da nostalgia

Estamos vivendo a era da nostalgia. Diferente da ideia de se envergonhar por algo consumido no passado, com tantos projetos sendo revividos, o que tem prevalecido é um sentimento de pertencimento. Não podemos ser completamente ingênuos a ponto de achar que esses projetos não são voltados pensando no retorno financeiro, mas no final das contas quem sai ganhando mais são os fãs. Impossível não pensar em como Buffy quase retornou para os fãs. Com expectativas altas, tudo o que parecia certo, no final, foi cancelado. Mas esse é só um de tantos exemplos que poderia dar. Músicas do passado regravadas para uma versão atual, por exemplo, como Taylor Swift fez tão bem, Hilary Duff e Miley Cyrus. 20 anos após sua estreia, as The Pussycat Dolls estão de volta, com metade da formação, mas melhor do que nada. E já lançaram música nova e anúncio de turnê. Quem poderia imaginar que elas voltaram logo agora? Há quem força para um retorno da Britney Spears, mas por enquanto tudo não se passam de rumore...

Um teste de confiança

Embora sua natureza fosse calma, quando entrava em crise se tornava uma bomba. Um profissional que ajudasse a evitar que a bomba explodisse, era isso o que buscava. Como confiar no presente quando já tinham errado no passado? Talvez se reunisse em pontos em comum, ajudaria ao psicólogo conseguir identificar uma crise antes de acontecer.

Não queria o impossível. Sabia que era impossível todos profissionais se especializarem em tudo. Mas gostaria de continuar mantendo seu recorde de tempo sem crises, consciente de que era um trabalho em equipe e sozinho pela própria natureza do transtorno, não era capaz de identificar por conta própria: ter um olhar externo fazia toda diferença.

Então, ia pensando em como já tinham errado no passado com seu diagnóstico, independente da empatia. A empatia era o mínimo que buscava num processo terapêutico, mas também a consciência de que se o profissional não será capaz de lidar com a demanda, que tenha a ideia de indicar outro profissional.

Ainda que sentisse o vínculo terapêutico, algumas questões da realidade poderiam abalar a confiança. Sabia que todos precisavam começar de algum lugar, mas também sabia da complexidade do próprio caso.

Era verdade que o outro talvez não tivesse toda experiência que esperava. Mas também era verdade que estava dando conta da demanda. Talvez fugir da rigidez cognitiva era o que precisava fazer e aceitar que o outro estava dando o melhor de si. Mas como não se incomodar com a ideia de um profissional mais especializado? Como não se preocupar com o tempo de experiência em clínica?

Muitas perguntas que ainda não tinha a resposta. Talvez aceitar que era a ansiedade tomando conta de si, especialmente quando queria ter o controle de tudo. Não seria capaz de prever sempre que iria explodir, embora tivessem situações em que era possível evitar a explosão. No entanto, talvez acolher o outro, fosse como acolher a si mesmo, sabendo dos riscos e aceitando o processo. Talvez o contraste entre um olhar mais maduro e um olhar mais fresco fosse o que precisasse para encontrar certo equilíbrio no tratamento e se permitir se encontrar no meio, sem excesso de rigidez, sem excesso de viés.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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