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Destaques

Dias de silêncio

Nos dias de silêncio estava dividido entre a fadiga e a ansiedade. Amava escrever, mas sentia como se não tivesse energia suficiente. Não poderia negar: gostava da sensação de estudar. Porém, os conteúdos difíceis eram como pedras: sabia que para algumas coisas precisava de um tempo a mais.  Entre aulas mais calmas, intermediárias e complexas, tentava fazer o melhor possível para aprender, sem se comparar com os outros, sabendo que cada um era único e todos tinham suas facilidades e dificuldades. A verdade era que mesmo coisas que gostávamos poderiam nos deixar cansados e tínhamos que tomar cuidado para não entrar em estado de esgotamento. Estava fazendo o possível para deixar a rotina equilibrada, de forma que não tivesse mais sobrecarga mental. O excesso de estudo poderia ser pior do que não estudar. Escrevia para registrar como os dias estavam sendo. Escrevia para matar a saudade de escrever. Escrevia para estudar. Escrevia. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Auto...

Desbloqueio

Após uma série de ciclos que chegaram ao fim, se viu diante da carência, aquela mesma que fizeram esquecer tudo de errado que o outro havia feito. Por alguns segundos, se viu encarando o contato do outro e quando se deu conta: o desbloqueio.

A verdade era que se havia sido bloqueado em primeiro lugar, havia um motivo para isso. Porém, a mente sempre esperando que o outro poderia mudar e que as coisas poderiam ser diferentes, às vezes, tomava conta de tudo em um processo de autossabotagem. 

Uma vez que o número era desbloqueado e não tinha o contato salvo no celular, ele simplesmente desaparecia e se tornava quase uma missão impossível bloquear novamente. Tudo o que poderia torcer era para que o outro fizesse contato: não porque queria conversar, mas porque precisava consertar as coisas.

Depois de tantos meses sem se falarem, como conseguir dizer com todas letras que já não via mais sentido em continuar tentando um relacionamento com alguém que não via problemas no próprio comportamento e não estava disposto a mudar?

A verdade era que independente de quando a carência nos levava a autossabotagem, também era possível sair daquele lugar que havia se colocado antes que fosse tarde demais.

Se em uma época o bloqueio foi associado à imaturidade, agora servia como proteção à saúde mental. Proteger-se do outro quando limites eram ultrapassados e o outro não via necessidade de mudar. Proteger-se.

Deixava a nostalgia de lado e encarava o lado romântico com uma dose de realismo. Não haveria momento em que os dois se dariam bem. Talvez nunca tivesse existido. Talvez, em vez de escutar aquela voz que diz que o outro pode ter mudado com o passar do tempo, temos que escutar aquela que diz, não ignore as bandeiras vermelhas e não há nada de errado em se proteger.

Os dias passavam. Sabia que bloquear novamente era a melhor escolha. Sabia que o desbloqueio vinha de querer esperar o melhor dos outros, mas a vida nem sempre era assim. Às vezes, era preciso bloquear e não olhar para trás. Às vezes, se perdoar por em um curto intervalo de tempo ter desbloqueado e levado alguns dias para bloquear novamente. Às vezes, bloquear para evitar que dinâmicas disfuncionais se repitam novamente. Às vezes, desbloquear sem querer, mas saber a hora certa de bloquear novamente, para não deixar a ferida se abrir e que tudo volte a cicatrizar novamente. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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