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Destaques

Uma escolha nada difícil

Então, chegou o grande dia das eleições. E só consigo lembrar de que a escolha não é nada difícil. Enquanto para alguns as eleições estão mais pacíficas este ano, há quem acha que terá conflitos. A verdade é que votar é também um exercício de se colocar no lugar do outro e, muitas vezes, ver não só o que é melhor para você, mas para o coletivo. Entre votar em alguém sem nenhuma experiência e alguém que já mostrou saber como lidar com as coisas, não resta dúvidas da melhor opção. Escrevia para lembrar que o que uma vez tinha feito tão mal, agora trazia paz. Escrevia para dizer que estava aceitando melhor as coisas. Escrevia.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Livro (Vol. 2) , disponíveis no  Wattpad  e na loja Kindle.

O outro

O outro dominava o love bombing como se fosse seu primeiro idioma. Eu sei que o termo relacionamento tóxico foi banalizado, mas também sei que quando estamos diante de um real temos dificuldade de aceitar.

Então, como poderia descrever o outro se não como alguém que primeiro me fazia sentir como se estivesse tocando o paraíso, para depois me fazer mergulhar na dor e no caos?

Começava com uma história cheia de idealização, tamanho era o pedestal que me fazia ignorar todas bandeiras vermelhas. A verdade é que isso não as fazia desaparecer e cobravam um preço depois. 

Tudo se iniciava com um foco na nostalgia, nas memórias, mas a verdade era que aquela versão que ele conhecia de mim não existia mais há mais de uma década. E, então, assim como era bom mergulhar no passado, era no presente que as coisas importavam e era até saudável frisar que todos tínhamos uma versão que já não existia mais.

As músicas românticas misturadas à nostalgia criavam um clima especial, mas tudo não se sustentava após os primeiros dias. O clima de romance dava espaço para um de “se não gosta de quem eu sou, problema é seu. Não vou mudar”. E assim não havia espaço para o diálogo, para entender os limites.

Após uma vida inteira sem saber como lidar quando ultrapassavam os seus limites, naquele ano havia aprendido a dizer não, a se afastar quando necessário e seguir o próprio caminho, avisando ou não, colocando a paz em primeiro lugar.

Nem sempre era fácil impor limites. Nem sempre era fácil lidar com a saudade. Porém, não havia love bombing e nostalgia no mundo que faziam apagar as bandeiras vermelhas do outro. Enquanto encarava as bandeiras vermelhas, sabia que para levantar a bandeira branca dentro de si, tudo o que precisava era de distância. E uma vez tomada a decisão, por mais difícil que fosse, seguiria em frente, sem olhar mais para aquela nostalgia toda lá de trás.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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