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Destaques

Cafeína

Cafeína. Acordo e o primeiro gosto que sinto é o de café. Anos depois o diagnóstico de transtorno bipolar, minha quantidade de café reduziu bastante e evito energéticos – costumava amar as madrugadas, algo bem distante do meu sono atual. A verdade é que nem todo mundo consegue ou precisa cortar a cafeína, mas tomando uma dose segura e em horário que não vai afetar o sono fazem toda diferença.  Já aconteceu de dizerem: “Você é corajoso de ainda beber café”. A verdade é que cada um sabe o que está disposto a abrir mão e sem mencionar que monitoro o humor, a energia e a ansiedade diariamente. Ter autoconsciência sobre o próprio transtorno faz muita diferença. No entanto, se a pessoa não se sente confortável e causa mais ansiedade, vale a pena se questionar se realmente não é necessário cortar o café. Há quem opte pelo descafeinado. A verdade é que estímulos estão em todos cantos. Um simples bolo de chocolate pode atrapalhar o sono dependendo do horário em que comeu. Um copo de Coca-Co...

O outro

O outro dominava o love bombing como se fosse seu primeiro idioma. Eu sei que o termo relacionamento tóxico foi banalizado, mas também sei que quando estamos diante de um real temos dificuldade de aceitar.

Então, como poderia descrever o outro se não como alguém que primeiro me fazia sentir como se estivesse tocando o paraíso, para depois me fazer mergulhar na dor e no caos?

Começava com uma história cheia de idealização, tamanho era o pedestal que me fazia ignorar todas bandeiras vermelhas. A verdade é que isso não as fazia desaparecer e cobravam um preço depois. 

Tudo se iniciava com um foco na nostalgia, nas memórias, mas a verdade era que aquela versão que ele conhecia de mim não existia mais há mais de uma década. E, então, assim como era bom mergulhar no passado, era no presente que as coisas importavam e era até saudável frisar que todos tínhamos uma versão que já não existia mais.

As músicas românticas misturadas à nostalgia criavam um clima especial, mas tudo não se sustentava após os primeiros dias. O clima de romance dava espaço para um de “se não gosta de quem eu sou, problema é seu. Não vou mudar”. E assim não havia espaço para o diálogo, para entender os limites.

Após uma vida inteira sem saber como lidar quando ultrapassavam os seus limites, naquele ano havia aprendido a dizer não, a se afastar quando necessário e seguir o próprio caminho, avisando ou não, colocando a paz em primeiro lugar.

Nem sempre era fácil impor limites. Nem sempre era fácil lidar com a saudade. Porém, não havia love bombing e nostalgia no mundo que faziam apagar as bandeiras vermelhas do outro. Enquanto encarava as bandeiras vermelhas, sabia que para levantar a bandeira branca dentro de si, tudo o que precisava era de distância. E uma vez tomada a decisão, por mais difícil que fosse, seguiria em frente, sem olhar mais para aquela nostalgia toda lá de trás.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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