Pular para o conteúdo principal

Destaques

Dias de Chuva

Os dias de chuva chegaram sem previsão de quando vão embora. Aquela dose diária de sol que faz tanta falta para ajudar a despertar o cérebro já não está disponível. Estaria mentindo se dissesse que não gostava de chuva, mas a verdade era que tanta escuridão já estava afetando o humor. Ia passando dia após dia, sem saber quando a chuva ia finalmente chegar ao fim. A verdade era que quando se tratava da saúde mental, dias assim poderiam prejudicar mais do que ajudar. Escrevia enquanto a chuva caia. Escrevia fugindo do molhado. Escrevia pensando que às vezes, a vida era feita de dias de chuva e estava sem guarda-chuva. Escrevia para deixar a chuva levar tudo o que não queria lembrar. Escrevia para que chegasse o último dia de chuva. Escrevia.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Livro (Vol. 2) , dispo...

Escrita sem movimento

Depois de passar mais de um mês escrevendo entre passos ou depois da caminhada e corrida, o dia de chuva veio para me lembrar da importância da escrita sem movimento.


Os dias de chuva me lembravam da nostalgia. E nostalgia nem sempre era algo bom. Uma vez que um ciclo era encerrado, deveria ser deixado para trás. Mas é muito mais fácil na teoria do que na vida prática.

Inspirava o ar lentamente e deixava sair, tentando se tornar consciente da temperatura mudando, dos pingos de chuva caindo e sentindo a leve brisa refrescante.

Nos últimos tempos, vinha pensando na ideia de abrir mão da Coca-Cola. Não gostava de quando dependendo do horário, ela afetava o tempo de dormir.

Vinha escrevendo coisas aleatórias. Vinha dando sentido às palavras. Vinha ressuscitando ideias. Vinha deixando ir.

Nem sempre era fácil deixar ir. Mas assim como a chuva que atrapalha o dia de corrida, tudo o que podemos fazer é aceitar. E é na aceitação que novos ciclos vão surgindo, deixando os antigos para trás. 

De repente, o texto havia sido escrito. Seja em movimento ou parado, a escrita era como respirar e até quando pudesse, usaria de forma terapêutica.

Escreveria para lembrar as coisas boas, mas também para relembrar as ruins, até que tudo caísse no esquecimento e não sentisse mais necessidade de falar. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Mais lidas da semana