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Destaques

Dose de poesia

Uma dose de poesia, às vezes, era tudo o que precisava para levar o dia. Tomava uma dose, mesmo sem saber sobre o que viria pela frente, gostava de se deixar surpreender pelo texto. Em dias mais tristes, encontrava certo conforto na poesia. Já nos dias mais felizes, encontrava uma certa dose de validação. O silêncio também poderia ser poesia. E havia certa beleza em desfrutar da paz. Era em dias barulhentos que mais valorizávamos o silêncio. Continuava se alimentando de letras, na esperança de produzir novas histórias e manter o fluxo de palavras livre. A cada poesia que lia era como se alimentar de uma colherada de uma sopa de letrinhas. Não sabia explicar o como, mas encontrava conforto para o espírito. A cada texto lido, algo se mudava dentro de mim e a pessoa que lia vai se transformando. Bastava uma dose de poesia.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escritpa Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bru...

Eutimia

Dias de Eutimia. Não fazia a mínima ideia de quanto tempo ia durar, mas sabia que precisava confiar no processo, sem deixar o medo de um próximo episódio bipolar acontecer.


Era verdade que não era fácil. Tinha ficado com hipervigilância – era a forma do cérebro entrar em estado de alerta a qualquer alteração –, mas se preocupar em excesso poderia ser pior do que não se preocupar.

Três anos sem uma crise, estava mais do que contente com a eutimia. Até quando ia durar? Não sabia. O que sabia é que poderia prever os gatilhos e comportamentos e diminuir o seu impacto.

Para quem vicia com transtorno bipolar, era preciso não só tomar remédios e fazer terapia, mas alterar hábitos e rotina.

Há alguns meses tinha começado a monitorar o humor, energia e ansiedade diariamente. Nem sempre era agradável e tinha dias que tinha preguiça de preencher a ficha, mas sabia que era uma forma a mais de garantir mais consciência sobre a própria saúde mental.

Então, mesmo quando tinha um dia bom, às vezes ficava com medo do fantasma da bipolaridade. Mas era verdade que estava em eutimia a tempo suficiente para se tranquilizar.

Era estranho estar com a saúde mental em equilíbrio. Torcia por melhores tratamentos no futuro. Por vidas com menos restrições. Havia abandonado o cigarro. Tentava diminuir o café e reduzir Coca-Cola. 

Estar em eutimia era tudo o que desejara. Mas sabia que a natureza do transtorno fazia com que tudo poderia mudar a qualquer momento. Seguia firme, desta vez, sem alimentar o medo diário de um surto.

Desejava a todos dias de Eutimia. Sabia que alguns casos eram mais graves do que outros e mesmo com a medicação e todas medidas, nem sempre era possível evitar uma crise. Sabia o pior que poderia acontecer, mas escolhera ser otimista.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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