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Destaques

Fim da série

Há uma sensação de prazer quando chega o fim da série. Se despedir dos personagens com os quais pôde acompanhar suas histórias ao longo de várias temporadas, especialmente se for série antiga. Enquanto muitas novas séries têm apostado em um formato mais curto, alguns até de minissérie, teve uma época boa em que as séries pareciam sem fim. Mas mesmo as séries que pareciam sem fim, também chegam ao final. É gratificante a sensação. É como dizer adeus e agradecer pelo tempo juntos.  Então, se antes você torcia para que a série chegasse ao fim logo, agora você torcia por cada minuto, para que tivesse mais tempo juntos. Quantos dias tinha passado assistindo a série? Quantos episódios assistiu? Perdera a conta, mas de uma coisa estava certo: o alívio de encerrar mais uma série, abrindo espaço para novas descobertas e consciente de que cada minuto assistindo valeu a pena, entre erros e acertos.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escritpa...

Página riscada

Éramos uma página riscada. Todas palavras que poderíamos ser estavam rasuradas e não havia espaço suficiente para escrever novas palavras. Éramos o que não éramos. 

Todo mundo tem uma história. Esta é a de quando começamos a nos afastar. Não estava acostumado e não queria se acostumar com a evitação, eu que intercalava momentos evitativo e ansioso.

Não, se queria seguir sendo do jeito que era, cabia a mim aceitar ou deixar ir. A verdade é que era possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Fui me soltando de seus braços e abraços, lentamente que era para você não sentir, até dar um fim na versão que eu havia projetado de você e encarar as coisas como realmente eram. 

Após um período de ciclos que chegaram ao fim, eu queria que você ficasse. Torcia para que as coisas fossem diferentes. Mas novamente esbarrada no fato de que não poderia forçar a permanência de ninguém.

Então, foi deixando o silêncio aumentar com o passar dos dias. Depois de uma experiência anterior, prometera que não iria repetir a mesma história. É que, às vezes, você quer tanto alguém ou alguma coisa que se esquece de se perguntar se não era incompatível.

Assim, foram se transformando em outra coisa, mas agora algo definido. Desta vez sem colocar o outro no centro ou em um pedestal, aceitando que o fato de entender a evitação do outro não era um sinal verde para tentar e tentar, mas para entender que estava tudo bem se seguissem caminhos diferentes e ainda assim não enxergassem o ciclo. Cansado de encerrar ciclos, começara a pensar em formas de manutenção respeitando o outro e a si mesmo. E a página? A página continuava riscada. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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