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Destaques

Dia frio para escrever

O dia frio era um convite para a escrita. O mesmo dia frio que o convidava a descansar. A verdade era que escrever não deixa de ser uma forma de descanso. Palavra após palavra, ia sentindo as emoções se movimentando pelo corpo, e dando novo sentido às coisas. A cada vez que escrevia um texto, uma pessoa ficava para trás e se tornava alguém novo. Era como magia. Escrevia para esquecer e para lembrar. Escrevia, pois era seu modo de deixar registrado no mundo seus pensamentos e emoções. Escrevia. O mesmo frio que era um convite para a coberta, hoje era um convite à escrita. E as palavras, elas também aqueciam corpos, mentes e corações.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escritpa Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Livro (Vol. 2) , disponíveis no  Wattpad  e na loja Kindle.

Resenha: Sobre Entrevistas: Teoria, Prática e Experiências – Stela Guedes Caputo

Em seu livro: "Sobre Entrevistas: Teoria, Prática e Experiências" (Ed. Vozes), lançado em 2006, a jornalista Stela Guedes Caputo aborda os conceitos de entrevistas, dá dicas de como melhorar esta ferramenta do jornalismo e da pesquisa, expõe algumas de suas entrevistas com diferentes pessoas e tece comentários sobre as mesmas.

Para a autora, as fórmulas podem ajudar na hora de se realizar uma entrevista, mas não resolvem. Caputo explica que se a entrevista é mais do que uma técnica para obter respostas através de um questionário: é preciso que haja comunicação entre as pessoas e uma das características fundamentais para qualquer jornalista é saber realmente ouvir. Outro ponto importante no jornalismo e que é pouco praticado, de acordo com a autora é o de: "Pluralizar ao máximo as visões sobre o assunto em pauta, ainda que não possa se desvencilhar de seu próprio ponto de vista".

O jornalista Eugênio Bucci escreveu o prefácio do livro e fala sobre a importância de se pensar nos direitos, necessidades e interesses dos destinatários da notícia e de saber separar o que é relevante do que é supérfluo. Bucci cita 5 características de um bom texto jornalístico: subordinado ao direito à informação; necessário; percebido e reconhecido como necessário; urgente; dialoga de perto com o desejo daquele a quem se destina.

Cada entrevista é influenciada pela forma feita, que de preferência seja realizada pessoalmente, depende da abordagem, do tempo e da aproximação. Para a autora, é difícil conceituar entrevista. Caputo acredita que a entrevista é uma aproximação do jornalista em uma dada realidade, a partir de determinado assunto e do próprio olhar, através de perguntas dirigidas a um ou mais indivíduos. "O que sinto, e apenas sinto, é que, quando o jornalista realiza bem essa aproximação, a entrevista se torna uma experiência. Uma experiência de olhar o mundo e ouvir o outro".

A ideologia do jornalista influencia ao se produzir uma matéria jornalística, a suposta neutralidade pregada pelo jornalismo é contrariada através da opinião - a favor ou contra - um acontecimento. A autora cita o jornalista Eugênio Bucci, que explica que o ideal é se buscar um equilíbrio ("pacificação entre as convicções e crenças pessoais do jornalista e o nível de objetividade requerido pelo público"). Ainda de acordo com Caputo, esta busca pelo equilíbrio, muitas vezes, tende a cair para o lado ideológico do veículo em que o jornalista trabalha.

Por meio dos exemplos de entrevistas realizadas por Stela Caputo percebe-se a diferença entre os entrevistados, os contextos e as abordagens, além de se aprender informações interessantes com estes diálogos enriquecedores. A jornalista conta que o livro não busca responder todas as perguntas e nem se tornar um manual, cabe ao jornalista desenvolver o seu próprio estilo, refletir e aprender a lidar com as diferentes situações da melhor forma possível.

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