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Destaques

Eutimia

Dias de Eutimia. Não fazia a mínima ideia de quanto tempo ia durar, mas sabia que precisava confiar no processo, sem deixar o medo de um próximo episódio bipolar acontecer. Era verdade que não era fácil. Tinha ficado com hipervigilância – era a forma do cérebro entrar em estado de alerta a qualquer alteração –, mas se preocupar em excesso poderia ser pior do que não se preocupar. Três anos sem uma crise, estava mais do que contente com a eutimia. Até quando ia durar? Não sabia. O que sabia é que poderia prever os gatilhos e comportamentos e diminuir o seu impacto. Para quem vicia com transtorno bipolar, era preciso não só tomar remédios e fazer terapia, mas alterar hábitos e rotina. Há alguns meses tinha começado a monitorar o humor, energia e ansiedade diariamente. Nem sempre era agradável e tinha dias que tinha preguiça de preencher a ficha, mas sabia que era uma forma a mais de garantir mais consciência sobre a própria saúde mental. Então, mesmo quando tinha um dia bom, às vezes fic...

Resenha: Veronika Decide Morrer - Paulo Coelho

Ao entrar na livraria uma obra chamou a minha atenção: "Veronika Decide Morrer", escrita por Paulo Coelho, conhecido como "o autor brasileiro mais lido do mundo". Já havia assistido ao filme, cujo roteiro foi adaptado do livro e confesso que fiquei surpreso com a atuação de Sarah Michelle Gellar no papel da protagonista.

Nunca tinha lido nenhum livro do escritor tão aclamado por alguns e criticado por outros. A linguagem simples permite a fluidez da leitura e talvez seja um dos motivos de tamanho sucesso pelo mundo, já que permite a sua tradução para diversas línguas sem a perda do sentido, o que também provoca uma certa ira nacionalista nos amantes dos escritores clássicos da literatura nacional.

Chega um momento da vida em que todos nós nos perguntamos o que temos feito e a insatisfação toma conta de nossos dias. A rotina traz a miséria e ficamos acomodados com nossos empregos, relacionamentos e ações. A falta de novidade e a repetição robótica está relacionada à normalidade, mas também pode nos levar a depressão. Já a loucura, seria necessária e vista como o aproveitamento da vida.

Inspirado em experiências pessoais, o livro nos faz refletir sobre a loucura e traz uma mudança de perspectiva sobre a mesma. "A loucura é a incapacidade de comunicar suas ideias", comenta uma personagem internada no mesmo hospício em que Veronika.

Veronika é uma eslovena de 24 anos,  insegura e frágil, porém como somos representações sociais, a imagem que a mulher sempre transmitiu para os outros era de independente e forte, como ela mesmo cita no livro, do tipo que poderia causar inveja e admiração nos amigos.

Formada em Direito por orientação de sua mãe, a mulher trabalhava em uma biblioteca e morava num lar de freiras, no qual alugava um quarto. Deixando seus desejos de lado durante toda a sua existência, ela começou a sentir que sua vida não tinha mais sentido, pois todos os dias eram iguais e decidiu que queria morrer. Veronika planejara seu suicídio tomando remédios e quase conseguiu, mas acorda em um sanatório e descobre que só tem mais alguns dias de vida, por conta de uma condição cardíaca resultante da sua ação.

Tendo ignorando o ódio e o amor durante anos, a mulher vivencia experiências diferentes no sanatório e reflete como seria sua vida se tivesse mais tempo sabendo o que sabe agora. Da tentativa frustrada de suicídio e descoberta de que morreria em alguns dias, na obra acompanhamos Veronika tocando piano, realizando um sonho antigo e lutando finalmente pela sua vida.

O livro nos faz refletir sobre a vida, morte, loucura, justiça, prazer e sexo, elementos que dão sentido às nossa existências pessoais e em sociedade. Nascemos sabendo que vamos morrer um dia, mas deixar de viver torna-se um dilema quando já não temos esta opção e temos uma data definida para acontecer.

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