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Destaques

Reflexão sobre tempos de pandemia no Brasil

Sexta-feira reflexiva. Caos coletivo por causa de egoísmo individual. Elegeram um analfabeto científico: aliás, o brasileiro adora eleger analfabetos.

Fez promessas para deus e o mundo e agora, além de estar afundando, quer, ironicamente, afundar junto seus eleitores que em grande parte representa grupos de risco, como idosos.

Um político que representa tudo o que eu desprezo.

Para alguns, ele tira a máscara; para outros, nada novo no horizonte.

Com tanto despreparo e ignorância nem as funerárias vão sorrir: afinal, muitos nem vão poder velar seus familiares.

Coronavírus não é uma histeria; histeria é o delírio de um mitomaníaco no poder.

É muito bizarro ver negacionistas da ciência que são da área da saúde. Escolheram o nicho errado... Aproveita a pausa para se reinventar e mudar de área. O mundo agradece.
Sobre o autor:
Ben Oliveira é escritor, blogueiro, jornalista por formação e Asperger. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem 

Milton Hatoum ministra aulas sobre Tempo Narrativo e Personagens


O professor e romancista Milton Hatoum ministrou uma série de aulas sobre Construção do Romance, DVD que faz parte da série Grandes Cursos na TV Cultura. Além dos gêneros literários, o escritor abordou o tempo narrativo e os personagens em suas aulas.

Tempo Narrativo
Um dos elementos importantes para a construção de um romance é o tempo narrativo, tão importante quanto o foco narrativo. "O tempo não apenas faz parte da estrutura da narrativa, como também pode ser um tema literário. O tempo é problematizado. Além de técnica, é uma questão estética, da qual depende o andamento do romance", acredita Milton Hatoum.

Segundo Milton Hatoum, existem o tempo cronológico, o tempo histórico e o tempo psicológico, sendo o último o tempo de duração interior, do fluxo de consciência e marca do romance contemporâneo e da subjetividade insatisfeita do herói. "O tempo se torna uma questão filosófica. Confronto e conflito entre o tempo vivido e o cronológico. A narrativa começa a mudar a partir da insatisfação do narrador, do sujeito", argumenta.

"Um texto muito breve pode contar uma história muito longa", revela Milton Hatoum. De acordo com o escritor, mais do que o tempo estar relacionado ao tema, ele também marca a reflexão dos personagens e a maneira que eles conduzem os eventos.

Personagens


Sobre os personagens, Milton Hatoum explica a relação entre o termo em inglês "Character" (tradução para personagem) e o caráter, comportamento, atitude moral de uma pessoa. "O personagem vive através do enredo", comenta o romancista.

Ainda segundo o escritor, a discussão entre os personagens deve se relacionar direta ou indiretamente com uma configuração maior da narrativa, o enredo, elemento que extrai os distintos eventos que acontecem. "Os pequenos eventos, argumentos e histórias que fazem parte da narrativa, não podem estar completamente soltas, elas devem fazer parte da configuração. Se um dos elementos falhar, o leitor talvez perceba", ensina.

"Mesmo os eventos aparentemente fortuitos, tem uma relação com a obra toda", declara Milton Hatoum à respeito das ações descritas no romance, acreditando ele que não existe um ato gratuito, ou seja, que não tenha sido pensado pelo escritor e faça algum sentido no enredo.

Milton Hatoum fala sobre os personagens planos e superficiais e sobre os personagens redondos e esféricos. "Uma personagem plana quase nunca surpreende, caracteriza-se por gestos aparentes (aparência), atitudes que se repetem, traços físicos, cacoetes. Ao passo que uma personagem esférica é mais complexa, não pela aparência, mas pelo seu modo íntimo de se comportar, contradições que leva dentro de si e mudanças de comportamento e do modo de ser ao longo da narrativa", define. O escritor argumenta que os personagens redondos são mais difíceis de serem criados do que os personagens planos.

Mesmo sendo fictícios, o escritor acredita que os personagens podem causar fascínio ou repulsa nas pessoas, o que muitas pessoas vivas não causam. "O personagem é, às vezes, mais convincente que as próprias pessoas que nós conhecemos", justifica Milton Hatoum. Para o escritor, os personagens além de paradoxais, podem ter histórias mais convincentes e comoventes que o nosso cotidiano.

Tão complexos, segundo Milton Hatoum, os personagens não vem um de pessoa conhecida. "A construção de personagens mais complexas depende da vivência de cada um, da observação do nosso cotidiano e das leituras de grandes personagens que nos fascinam", esclarece.

Leia também: Milton Hatoum ministra aula sobre gêneros literários

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