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Destaques

Para Toda a Eternidade: Livro explora rituais funerários diversos

Entre a naturalidade e o espanto, o tradicional e o moderno, o ocidental e o oriental, Caitlin Doughty transmite ao leitor histórias de suas visitas a espaços e profissionais envolvidos com o universo mortuário. Uma das obras pedidas por quem já tinha lido Confissões do Crematório, o novo livro foi publicado no Brasil pela editora DarkSide Books, em junho de 2019, com tradução de Regiane Winarski e ilustrações de Landis Blair.


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“Eu passei a acreditar que os méritos de um costume relacionados à morte não são baseados em matemática [...] mas em emoções, numa crença na nobreza única da própria cultura da pessoa. Isso quer dizer que consideramos os rituais de morte selvagens apenas quando eles não são como os nossos” – Caitlin Doughty, Para Toda a Eternidade
Dá para ler tranquilamente Para Toda a Eternidade sem ter lido Confissões do Crematório, mas acredito que as duas leituras são complementares. Enquanto na p…

Crítica Meu Namorado é um Zumbi


O filme Meu Namorado é um Zumbi (Warm Bodies) foi baseado no livro Sangue Quente (título traduzido homônimo do filme e livro em inglês), escrito por Isaac Marion, cuja história mostra o relacionamento entre um zumbi e uma humana. Logo na escolha do nome do filme, não consegui entender porque eles não traduziram da mesma maneira que o livro, sendo que o nome em inglês é igual, mas tudo bem.

Cartaz – Meu Namorado é um Zumbi.
Interpretado por Nicholas Hoult e Teresa Palmer, Meu Namorado é um Zumbi foi lançado em 2013. O filme foi dirigido por Jonathan Levine. O roteiro vago e as atuações fracas não fazem justiça ao livro que se tornou um best-seller.

Não sou muito fã de quem gosta de ficar comparando livros aos filmes, já que os mesmos não passam de adaptações, e muitas coisas podem mudar, sendo o que mais importa transmitir a sua essência, mas alguns detalhes, se deixados de lado, fazem a história ficar bem diferente.

Em Sangue Quente, por exemplo, o protagonista, R. é um zumbi casado com outra morta-viva e que tem dois filhos zumbis adotados. Você pode estar se perguntando: “Como pode uma criatura desprovida de sentimentos estar casada com alguém?” – afinal, não é o mesmo que acontece na vida real? Talvez mais do que a morte fisiológica, Isaac Marion tenta falar sobre aqueles que estão vivos, mas estão vazios, empalidecidos pelos seus dias e mortos diante de seus sonhos. Este pequeno detalhe omitido no filme, não demonstra a ideia de quem está junto com outra pessoa somente pelo medo da solidão, de quem realmente sente-se completo e feliz, que necessita estar por perto para cuidar, proteger, dar carinho e passar a vida ao lado.

Diferente do livro, no qual R. precisa comer o cérebro de Perry, o namorado de Julie, para poder se interessar por ela, no filme, antes mesmo de matar o rapaz, ele já está quase apaixonado pela garota loira, deixando a história adaptada para o cinema superficial. Por exemplo, ao tirar os pensamentos e a consciência de Perry, a impressão que se tem é a de que o zumbi começou a gostar de Julie por vontade própria, enquanto em Sangue Quente fica claro que todos os flashbacks são responsáveis pelo início daquele relacionamento, já que o menino-morto começa a fazer as coisas que a loira gosta para agradá-la.

Romance adolescente é destaque no filme de zumbi. 

A opinião sobre livros adaptados para o cinema nem sempre é positiva, em poucas exceções o filme consegue prender mais a atenção de quem está assistindo do que uma extensa narrativa com detalhes. Em Meu Namorado é um Zumbi, o excesso de cortes para deixar a história mais curta transforma o filme em mais um fracasso hollywoodiano, tão superficial e entediante, que mesmo se eu não tivesse lido o livro, não me interessaria.

Ao focar a história somente nos dois protagonistas: R. e Julie, o roteiro do cinema esqueceu dos outros personagens que complementariam a história. Além da omissão de acontecimentos, algumas ordens dos eventos foram invertidas, perdendo o sentido que teriam. Enquanto no livro, a paixão entre o zumbi e a garota se desenvolve com o tempo, seja dentro de R. que se sente vazio e em Julie que sente repulsa pelo morto-vivo, no filme acontece tão rápido, como se fosse algo natural. Além do protagonista, ao verem um cartaz de duas pessoas de mãos dadas, magicamente os zumbis voltam a sentir as coisas e a sonharem.

Envolvimento entre os protagonistas acontece de forma instantânea, deixando
a história superficial. 

Algumas cenas que provocam a reflexão do leitor no livro foram retiradas do filme, deixando o roteiro do cinema com um caráter de puro entretenimento e se esquecendo do papel que o meio de comunicação poderia ter. No livro Sangue Quente, pude comparar os zumbis com pessoas frias, vazias, quase como se fossem robôs, programados para comerem cérebros e se alimentarem, não pensando em suas atitudes, assim como algumas pessoas se comportam na sociedade atual – fazendo o leitor refletir sobre a alienação.

Em um mundo apocalíptico, o filme é tão clichê, que o simples amor entre o casal, um zumbi e uma humana, faz com que todos se transformem e tenham um final feliz. A acidez de Sangue Quente foi transformada em um filme água com açúcar em Meu Namorado é um Zumbi.

Comentários

  1. Nunca vi este filme, mas sem dúvida vou ponderar e vê-lo o mais rápido possível!

    http://modaestyle.blogs.sapo.pt

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