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Destaques

Sobre rabiscos e telas brancas

A tela branca pode ser um convite à explosão criativa ou uma tortura ao artista que sente seu espírito definhando diante da pesada realidade. Em tempos de crise e ódio, a arte fica esquecida e é vista como desimportante; ironicamente, é quando mais precisamos dela, de algo que nos faça sentir vivo e toque as partes atordoadas.


O som dos dedos se movendo pelo teclado era como fantasmas de uma vida distante. É incrível perceber quantas vezes nós deixamos algumas partes nossas morrerem ao longo de nossas existências; as máscaras, antes tão confortáveis, agora incomodam e não nos servem mais. Leva tempo até ficarmos satisfeitos e ajustados à nova realidade. Viver é admitir que sabemos pouco sobre nós mesmos e há sempre algo novo que pode nos transformar, seja para o bem ou para o mal.

O artista encara a tinta respingando pela tela. Para o espectador sem intimidade, nada faz sentido, a desconexão de ideias é tormentosa; para ele, o lembrete de que sua arte nunca o abandonaria. Como poderia…

Resenha: Ecos da Morte - Kimberly Derting

Ecos da Morte é o nome do primeiro livro escrito por Kimberly Derting, o número um da série The Body Finder, lançado no Brasil em 2011, traduzido por Rita Sussekind e publicado pela Editora Intrínseca.

Violet poderia ser como uma adolescente norte-americana qualquer do seu colégio, se não fosse pela sua habilidade de sentir ecos da morte, como ela gosta de chamar os sons que ela ouve, os gostos e as luzes emitidas por animais e pessoas mortas.

Ao mesmo tempo em que o livro conta a história da adolescente e seus dramas com os amigos, principalmente com Jay, o melhor amigo desde a infância de Violet que teve o seu corpo transformado com o passar dos anos, a narrativa também mostra os pensamentos de um assassino de garotos, destilados ao decorrer das páginas.

Enquanto Violet descobre-se apaixonada pelo seu melhor amigo, tentando manter as coisas como eram com medo de estragar sua amizade, uma série de desaparecimentos de garotas está acontecendo pela cidade, deixando todos os moradores, pais e estudantes preocupados. Desde nova, Violet encontrava diversos animais mortos e os enterrava, até o dia em que encontrou o corpo de uma garota assassinada que havia sido enterrado na floresta.

A escritora faz com que o leitor simpatize com a protagonista do começo ao fim da história. Após encontrar um corpo no lago, durante uma tarde com os amigos, enquanto estava com Jay no jet-ski, a garota continuou sentindo os ecos.

Com os contínuos desaparecimentos, os moradores da cidade montam grupos de busca para acharem uma das meninas. Violet usa o seu dom para tentar encontrar o corpo de uma das meninas do colégio, até dar de cara com o responsável por todas aquelas mortes.

Tudo parece estar em paz na vida de Violet. O assassino está preso e a garota e o seu melhor amigo começaram a namorar. Mas, ao ajudar o seu tio policial tentar encontrar um dos corpos, Violet acaba se expondo e envolvida naquela situação, fazendo com que sua vida corra perigo, graças ao seu dom de rastrear a morte.

Para quem gosta de livros adolescentes e suspense policial, Ecos da Morte é uma boa pedida. Confesso que me prendi mais às cenas dos assassinatos e não dei muita importância para o relacionamento água com açúcar entre o casal de adolescentes. Esperava mais cenas de mortes e perseguições, mas nem por isso consegui deixar de ler até mergulhar no clímax e sentir todos os músculos que estavam tensos relaxarem ao matar a minha curiosidade e me livrar daquela ansiedade típica de leituras envolventes – nas quais nos sentimentos integrantes da história, seja se identificando com os personagens ou se imaginando assistindo todo o desenrolar dos fatos de perto.

Posso dizer que gostei do primeiro livro de Kimberly Derting a ponto de desejar ler os outros da série The Body Finder . A maneira que a autora fragmentou a narrativa, deixando que os dramas clichês adolescentes não se tornassem o foco principal da história, lembrando ao leitor que o desaparecimento e as mortes das adolescentes não vão parar até que alguém encontre o responsável, tornando  o livro mais cativante.

Ecos da Morte proporciona uma leitura leve e que pode ser concluída em um livro, caso o leitor sinta-se engajado o suficiente, sem muitos esforços. Gostei da narrativa, mas se não fosse pelas mortes e thriller, o livro seria mais uma daquelas histórias adolescentes sobre uma garota do colegial e seus dramas com amigos e garotos. Uma versão bem light do livro Uma Vida Interrompida, escrito por Alice Sebold.

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