Pular para o conteúdo principal

Destaques

Resenha: Esta e Todas as Vidas – Anne Marck

Dizem que algumas leituras são como uma viagem sem sair do lugar. No livro Esta e Todas as Vidas, a autora Anne Marck leva o leitor para um passeio místico por São Tomé das Letras, município localizado em Minas Gerais. A obra foi publicada pela editora Astral Cultural, em 2019.


Compre o livro Esta e Todas as Vidas (Anne Marck): https://amzn.to/347veKE

“Memórias têm um poder muito forte dentro de nós. Elas podem nos levar para o momento mais feliz de nossas vidas ou para o pior que já tivemos. E, no meu caso, os dois extremos estavam ligados à mesma pessoa” – Anne Marck, Esta e Todas as Vidas
Narrado em primeira pessoa por dois personagens principais da história, um deles Antares Letícia, uma jovem que trabalha como guia turística e em uma lojinha junto com sua melhor amiga, Flor de Lis, o romance traz uma pitada de fantasia e misticismo que combinam bastante com o cenário da narrativa.

Esse diálogo entre ficção e turismo acabam gerando uma experiência prazerosa de leitura e até mesmo se…

Preciso ler e escrever

Quanto mais eu leio, sinto como se não tivesse lido nada. Sinto que morrerei sem ter lido metade dos livros que gostaria, sem contar as novas obras criadas a todo instante e histórias que eu nem imaginava. Preciso ler e escrever, como preciso de ar, água e alimento para viver. O tempo passa e ainda me vejo diante de alguns livros como uma eterna criança aprendendo a ler, fascinado com os personagens, lugares, histórias, mensagens. Aprender nunca é suficiente. Desejava ter começado minhas leituras quando ainda era bebê, para não dizer antes de até mesmo existir, e ainda assim não teria tempo para sorvê-las. Queria me alimentar de livros, deixar suas palavras correrem pelo meu sangue, nutrirem o meu cérebro, alma e coração. Sinto-me mais vivo quando folheio uma publicação, iluminando os cantos obscuros da minha mente com o conhecimento. Às vezes, sinto como se a quantidade de luz nunca se equivalera à de sombra. Sou como um livro largado atrás de um armário. Minha capa está cheia de pó. Minhas páginas estão amareladas, sujas, intocáveis. Não sei quando alguém me tirará daqui. Queria viver sob o sol, iluminado, aquecido, vívido, mas a escuridão não me deixa ir. Sou o livro publicado, renegado pelo seu autor, jogado às traças, desesperado por um toque, alguém que me segure e diga que minhas linhas tortas também têm valor. Sou escritor, leitor e obra. Minhas nuances se misturam, se confundem, se iludem. Sou imortal, inerte e animal. Vivo esperando pela hora em que tudo faça sentido, como o leitor entretido que se coloca na pele do personagem, chorando aliviado por ter sobrevivido aos seus desafios, pronto para se levantar e lutar pela própria vida. Então, deito na minha cama e vejo minhas energias sendo sugadas para outro mundo, uma vida que não vivi. Estou cercado por livros. Eles me tem, me entendem e me ensinam, e eu pouco sei sobre eles. São tantos livros e pouco tempo para viver...

“Não seremos nós também um livro que Alguém lê? E não será nossa vida o tempo da Leitura?”, Ernesto Sabato, no seu livro O escritor e seus fantasmas.

Comentários

  1. Nós, enquanto estudantes de jornalismo, precisamos "ler e escrever, assim como precisamos de ar, água e alimento para viver". E, sem sombra de dúvidas, quanto mais a gente escreve, mais vontade surge de compartilharmos o que estamos sentindo, aprendendo ou, simplesmente, querendo expor através de algumas linhas.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Obrigado pelo comentário. Volte sempre!

Mais lidas da semana