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Destaques

Dias de silêncio

Nos dias de silêncio estava dividido entre a fadiga e a ansiedade. Amava escrever, mas sentia como se não tivesse energia suficiente. Não poderia negar: gostava da sensação de estudar. Porém, os conteúdos difíceis eram como pedras: sabia que para algumas coisas precisava de um tempo a mais.  Entre aulas mais calmas, intermediárias e complexas, tentava fazer o melhor possível para aprender, sem se comparar com os outros, sabendo que cada um era único e todos tinham suas facilidades e dificuldades. A verdade era que mesmo coisas que gostávamos poderiam nos deixar cansados e tínhamos que tomar cuidado para não entrar em estado de esgotamento. Estava fazendo o possível para deixar a rotina equilibrada, de forma que não tivesse mais sobrecarga mental. O excesso de estudo poderia ser pior do que não estudar. Escrevia para registrar como os dias estavam sendo. Escrevia para matar a saudade de escrever. Escrevia para estudar. Escrevia. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Auto...

Reflexão: Transitoriedade e Aceitação

Transitoriedade. Precisamos anotar esta palavra. Além da morte, a única coisa que temos certeza na vida é a de que tudo muda. Sabendo que nada permanece igual, podemos nos prevenir da decepção. Embora seja óbvio, quando estamos mergulhados nos problemas, nos sentimos miseráveis e quando estamos maravilhados com as novidades, não queremos enxergar que tudo vai se transformar em breve.

Em um dia estamos com a autoestima baixa, no outro nos sentimos nas alturas. Em uma hora estamos irritados, na outra estamos sorrindo. Passamos pelo sofrimento e pela felicidade diariamente. Será que podemos controlar nossos sentimentos? Viver é sofrer. O sofrimento não é opcional, faz parte do pacote. Não é possível escolher ser só feliz, até porque a felicidade é temporária.

Nos momentos de trevas, nos deixamos levar por quaisquer palavras, conselhos, ideias, até mesmo as mais genéricas retiradas de um livro de autoajuda. “É preciso passar por momentos difíceis para valorizar os bons”. Tudo bem. Será que realmente só damos valor ao que desejamos depois de sofrer? Nem sempre. Da mesma forma que se sentir mal não nos torna bem vistos pela alegria.

É neste momento em que entra a aceitação. Não importa o quanto desejamos que algo seja como esperávamos, idealizávamos, projetávamos. De um minuto para o outro tudo pode mudar, num simples piscar de olhos ou na batida de asas de uma borboleta. Quanto mais expectativas criamos quando estamos felizes, maiores são as chances de transformarmos nosso porto seguro em um inferno e nos sufocarmos pelas próprias imagens, pensamentos e sensações que criamos em nossas cabeças.

Não basta aceitarmos que tudo vai mudar quando estamos tristes, quando chove sem parar, dentro e fora de nós e torcemos para que o sol apareça logo, iluminando todos os cantos obscuros de nossas almas. A aceitação envolve o reconhecimento da transitoriedade também nos momentos bons, quando estamos tão felizes com algo e desejamos que aquele sentimento nunca passe; acredite, ele vai passar e quanto mais você lutar contra a mudança, mais sofrimento vai trazer à sua vida.

Precisamos encontrar o caminho do meio, o equilíbrio, a harmonia. Apreciar um pouco do inferno no paraíso e se sentir em paz até mesmo diante da morte. De todas as ilusões que buscamos ao longo da vida, como amores perfeitos, riquezas, uma vida livre de doenças, imortalidade, famílias de comercial de margarina, amizades que duram a vida toda, a pior delas e a que envolve toda a nossa existência, é a de não querermos enxergar e aceitar o fato de que tudo se transforma e nada permanece igual.

O que fazer, então? Estamos na merda, mas podemos sorrir, pois logo o jogo vai virar, ele sempre muda, não importa o quanto julgamos que não. Estamos felizes e precisamos valorizar cada minuto como se fosse o último, e certamente será, já que tudo muda o tempo todo e lutar contra o inevitável só nos colocará novamente para baixo, na escuridão. A aceitação da transitoriedade nos ajuda a andar no meio, enquanto passamos pelos altos e baixos da vida, sem desistirmos e também sem exagerar nas expectativas.

Devemos, então, refletir. Só enxergamos o gramado do vizinho sempre verde, porque não desejamos enxergar o óbvio, pois até a grama dele está sempre mudando. Tudo o que podemos fazer é torcer para que nossas gramas secas ganhem vidas e fiquem verdes e quando, finalmente, elas estiverem do jeito que gostamos, nos sentirmos gratos e aceitarmos que logo ela vai estar diferente.

Tudo muda – aceite.

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