sábado, 12 de março de 2016

Bate-papo sobre Livros reúne autores e leitores na Fundação Cultural de Blumenau (SC)

A leitura conecta pessoas. Junte leitores e escritores de diferentes regiões do Brasil e idades diversas em uma sala, todos com uma paixão em comum pela literatura e múltiplos pontos de vistas sobre o universo dos livros vão surgir, proporcionando uma troca, no mínimo, interessante. Assim foi o bate-papo literário que aconteceu na Fundação Cultural de Blumenau, na tarde deste sábado, 12 de março de 2016, organizado por Marcos Ouriques e mediado pela acadêmica de Letras Emille Alexandra.
Iniciação no universo literário, experiências e desafios foram debatidos no bate-papo sobre livros em Blumenau. Foto: Ben Oliveira.

Membros do grupo do Facebook Leitores Anônimos viajaram a Blumenau, Santa Catarina, para participarem do encontro literário que promoveu o debate sobre tópicos, como a influência da leitura, o início na jornada do escritor, as dificuldades no mercado editorial brasileiro para o autor iniciante, a utilização da internet para conquistar leitores e interagir com outras pessoas, recomendações de leituras por meio das resenhas e comentários, a literatura de massa e demais questões que foram surgindo ao longo da conversa. Ao final do evento foram sorteados livros cedidos pela DarkSide Books, Livrarias Catarinense e Rebecca Dellape.

Influências literárias

Reunidos em uma roda, os treze participantes compartilharam como o gosto pela leitura entrou em suas vidas. Enquanto alguns se aventuraram pelo universo das histórias desde a infância, por influência da família, outros comentaram que o gosto pela ficção surgiu mais tarde, quando entraram em contato com narrativas que os tocaram e impulsionaram ler outras obras. Entre os leitores mais jovens pareceu haver um consenso sobre como a leitura obrigatória de clássicos da literatura nacional, muitas vezes, acabou-os afastando de outros livros.

“Eu comecei a ler tarde. Minha família nunca me incentivou. O Analista de Bagé, do Luis Fernando Veríssimo, foi o primeiro livro que eu li”, afirmou Gideão Fabrício. Para Wylson Azevedo, a leitura foi influenciada pelo avô durante a adolescência.

Autor do livro de fantasia Os Doze Guardiões da Luz, Luiz Henrique Batista comentou que os livros recomendados na escola pelos professores o afastavam da leitura, ao invés de incentivá-lo. Segundo o escritor, eram obras que eles não estava preparado para ler na época e um dos primeiros livros que o cativou foi da série As Crônicas de Nárnia. “Foi uma espera pelo livro certo que me jogou na leitura”, disse Luiz. Na mesma época em que surgiu o interesse pela leitura de obras da literatura fantástica, ele também se arriscou a escrever suas próprias narrativas e foi uma professora da faculdade que o incentivou a seguir em frente.

Um dos colunistas do blog Horrorshow, Wallace Santos contou que se sentia sortudo, pois desde que ganhou o seu primeiro exemplar da série de livros Harry Potter, ele passou a ler mais obras de ficção. A escritora, jornalista e tradutora Clara Madrigano também teve esse contato com os livros desde criança, com a estante dos pais. “Não tinha tantos livros para ler que eu gostava, mas tinha muitas opções”, disse. Assim como muitos leitores e autores jovens que foram tocados pela magia de J. K. Rowling e um dos bruxos mais conhecidos da ficção dos últimos tempos, Clara começou a escrever fanfictions que se passavam no mesmo mundo fictício.

Outros tiveram iniciações curiosas no universo da literatura. A estudante Emille Alexandra compartilhou uma história de como uma aposta do pai a desafiou a ler e o primeira obra lida foi sobre o Rei Arthur. Ela comentou como a febre de Harry Potter ajudou a expandir o mercado editorial para jovens leitores, aumentando as opções. “Comecei a escrever como uma forma de expressão e por influência dos amigos, comecei a mostrar o que escrevia”, afirma Emille.

Já para a autora do livro Entre Outubros, Rebecca Dellape, a jornada aconteceu de maneira invertida. O seu gosto por inventar histórias e sua habilidade de mentir desde a infância fizeram com que ela escrevesse muito antes de tomar o gosto pela leitura, mas que foi aos 9 anos, quando ela ganhou um livro sobre uma criança cega, que ela decidiu que gostaria de escrever histórias emocionantes que proporcionassem sensações semelhantes em seus leitores.


Publicação literária

“Foi a melhor coisa que eu já fiz na minha vida”, afirmou Luiz Henrique Batista ao ser questionado sobre como foi sua experiência com a publicação de seu primeiro livro. Para o escritor, é preciso que em qualquer área se conheça o mercado, mas não foi o que ele fez e acabou entrando com a cara e a o coragem no mercado editorial. Segundo Luiz, com a escrita ele encontrou um caminho a seguir, com seus propósitos e objetivos, mesmo com as inseguranças iniciais. “Foi bem assustadora a ideia de pessoas estranhas e conhecidas lerem o que eu escrevi”, lembrou.

Rebecca Delape, como muitos autores brasileiros, se emocionou ao relembrar sua experiência de publicação. Ela compartilhou algumas das dificuldades, como a falta de apoio da mãe e alguns problemas que enfrentou para divulgar o livro. “Foi uma das coisas mais loucas que me aconteceu. Quando eu comecei a escrever o livro, eu já tinha na minha cabeça que iria publicar”, recorda Rebecca. Ela relembra a importância do autor estar bem preparado, pois tem vários prós e contras.

Clara Madrigano contou que sua primeira publicação literária aconteceu aos 27 anos. “Sou totalmente a favor de publicação independente”, disse Clara, lembrando que atualmente existem diversas ferramentas de divulgação de histórias na internet, como a Amazon e o Wattpad. E enfatiza a importância de plataformas de leituras gratuitas: “O autor não recebe dinheiro, mas tem uma ligação mais direta com o leitor”.


Interações

“Interação com o leitor é algo que faz muita diferença”, afirma Rebecca Dellape sobre como a interação com os leitores e divulgações ajudaram a vender seus livros. Ela acredita que é fundamental para o autor saber usar a internet para se comunicar com potenciais leitores.

Entre as ações que o espaço virtual a ajudou estão a escolha de capa de livro e a leitura beta, bem como conquistar recursos para publicação através da pré-venda. Uma das maneiras encontradas por Luiz Henrique Batista para chamar a atenção de novos leitores está sendo através da criação de imagens de seus personagens. Ele contratou artistas e o resultado tem sido positivo nas vendas, assim como no engajamento com pessoas que já leram o seu livro.

Ainda sobre essas interações do universo das editoras, autores e leitores, o blogueiro Wallace Santos afirmou que não acredita que os blogs de críticas literárias vão morrer. Mesmo com o avanço dos canais no Youtube, ele acredita que nem todo mundo gosta de assistir a vídeos e que uma das formas dos blogs literários driblarem essa situação, seriam investindo na criação de conteúdo audiovisual também, para complementar o conteúdo. A respeito das parcerias de editoras com blogs de literatura, Wallace acredita que é uma forma das editoras quebrarem um pouco da imagem de empresa e se tornarem mais acessíveis aos leitores. “É um marketing simples e bem eficiente”, acredita.

2 comentários:

  1. Nossa! Que matéria top. Sonho em fazer parte de um clube assim. Tenho o meu online, mas presencial sempre é um sonho. Me identifiquei com a matéria por ser blogueira, não tenho vontade de ir na onda da febre de canais no youtube e estou para lançar meu primeiro livro, sendo que já tenho mais dois prontos, a caminho. E mesmo que isso me custa, eu quero ver minha obra em formato físico. Parabéns! Matéria maravilhosa. Paty leiturasplus.blogspot.com

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    1. Oi, Paty!
      Fico muito feliz que tenha gostado do texto. A maioria dos participantes se reuniu pelo Facebook para marcar o encontro. É algo que pode ser feito em qualquer cidade, basta encontrar outros leitores e autores interessados em participar.
      Obrigado pela visita e parabéns pelos livros. Sucesso!
      Abraços

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