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Destaques

Resenha: Jurassic Park – Michael Crichton

Jurassic Park (O Parque dos Dinossauros) foi uma leitura nostálgica para mim. À medida que me aventurava pelas páginas do romance, foi como se eu desenrolasse várias memórias relacionadas ao universo ficcional dos dinossauros, popularizado pela adaptação cinematográfica dirigida por Steven Spielberg, em 1993. O livro de ficção científica escrito por Michael Crichton foi republicado em 2015, pela Editora Aleph, com tradução de Marcia Men.


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Mais do que entretenimento para os amantes de dinossauros, Jurassic Park é um conto caucionário sobre ciência, genética, ética e ambição humana. Hammond é um homem rico que idealiza um parque de diversão com dinossauros reais, sem se dar conta dos potenciais perigos de dar vida às criaturas.

Antes da abertura do parque, uma equipe de profissionais é convidada a visitar a Ilha Nublar, na Costa Rica, entre eles um matemático que alerta sobre as chances do projeto se tornar caótico e…

Resenha: O Maravilhoso Bistrô Francês – Nina George

Quantas vezes é possível recomeçar ao longo da vida? No livro O Maravilhoso Bistrô Francês, da escritora Nina George, somos introduzidos na vida de Marianne, uma mulher que está passando por uma crise e tenta se jogar nas águas do Rio Sena, em Paris. Quanto mais conhecemos sua história de vida, mais empatia temos pela protagonista. A frustração faz parte da experiência humana e todos nós queremos a felicidade, mas existem períodos em que parece que fizemos as escolhas erradas ou nos deixamos levar para um caminho sem volta.


O romance nos faz refletir sobre as escolhas que as mulheres fazem e como muitas deixam de lado sua própria alegria por causa de convenções, como o casamento e abrir mão de uma escolha profissional. Aos 60 anos, Marianne se dá conta de que não é feliz há um bom tempo e que deseja morrer.

“As pessoas não mudam nunca! Nós nos esquecemos de nós mesmos. E, quando nos redescobrimos, pensamos que mudamos. Mas isso não é verdade. Não se podem mudar os sonhos, apenas matá-los. E alguns de nós somos assassinos muito bem-sucedidos” – Nina George, O Maravilhoso Bistrô Francês

Da tentativa frustrada, Marianne acaba fugindo da vida antiga e do marido e vai para a Bretanha. Os pequenos detalhes vão movimentando a narrativa, como as percepções de quando estamos presentes e como as memórias. A protagonista se vê confrontada com várias ideias: deveria tentar se matar de novo, voltar para o marido ou recomeçar?

Narrado em terceira pessoa, o romance se foca mais em Marianne, mas também conhecemos outros personagens tão interessantes quanto ela, como os artistas Pascale e Yann. O cenário da história tem uma aura de nostalgia e de desaceleração em relação ao mundo moderno, mas ao mesmo tempo, a protagonista se conscientiza ao desenrolar da trama o quanto ela perdeu durante todos os anos de um casamento infeliz. Então, mesmo nesta região tão conservadora, alguns dos personagens despertam para outras possibilidades.

“E o que é a arte, Yann Gamé? A arte é um músculo que a gente exercita. Tanto faz se ela pinta azulejos, se monta homenzinhos estranhos ou se encadeia fileiras de palavras. A arte é, Yann. [...] O que lhe falta é amor. Lembra-se do amor? Esse sentimento que faz as pessoas cometerem tolices ou se transformarem em heróis? Nenhuma arte neste mundo vai amá-lo, Yann. Você bota tudo que tem na arte, mas ela não lhe dá nada em troca” – Nina George, O Maravilhoso Bistrô Francês

Alguns leitores podem reduzir a história somente às histórias de amor, mas o romance trata com delicadeza sobre tantos assuntos, como a relação que construímos com a vida e o tempo, a comida, os sonhos, a arte e os pequenos prazeres. 

Em uma jornada de autodescoberta, ao se perder, Marianne reencontra uma parte dela. O livro proporciona ótimas reflexões sobre casamentos infelizes, como acontece quando uma pessoa se doa demais para a outra ou como algumas mulheres se sacrificam pelos maridos na esperança de que eles vão tratá-las melhor um dia. A protagonista relembra sua história de vida e se dá conta de que essa postergação pela própria felicidade e a pressão das convenções sociais fazem com que muitas mulheres esqueçam de si mesmas, desde a adolescência até a velhice.

“Toda mulher é sacerdotisa [...] As grandes religiões e seus pastores atribuíram um lugar à mulher ao qual ela não pertence. Relegadas à segunda classe. A deusa se transformou em Deus; as sacerdotisas, em putas; e as mulheres que não quiseram se curvar, em bruxas. E as habilidades especiais de cada mulher, a intuição, a inteligência, o poder de cura, a sensibilidade, foram e são diminuídas” – Nina George, O Maravilhoso Bistrô Francês

O Maravilhoso Bistrô Francês tem uma linguagem sensível e poética, assim como A Livraria Mágica de Paris. Com uma dose de romance, drama e um leve erotismo, Nina George nos lembra de como o amor próprio, a autoestima e a paixão podem transformar a vida de uma pessoa e como nunca é tarde para recomeçar.

Sobre a autora – Nina George nasceu em 1973, é jornalista e autora de vários best-sellers traduzidos para 35 idiomas. A Livraria Mágica de Paris, lançado no Brasil pela Editora Record, é um fenômeno de vendas ao redor do mundo. Ela é casada com o escritor Jens Jo Kramer e mora em Berlim e na Bretanha.

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad.

Comentários

  1. O enredo lembra demais Bagdad Café, que certamente deve ter inspirado a autora....

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  2. Respostas
    1. Maravilha. Espero que sua leitura seja prazerosa!

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  3. Respostas
    1. Oi, Mari!
      Fico feliz que tenha gostado. O Maravilhoso Bistrô Francês foi uma leitura tão prazerosa quanto A Livraria Mágica de Paris. Já estou com vontade de ler mais livros da Nina George.
      Abraços

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