Pular para o conteúdo principal

Destaques

Murder By The Coast: Documentário espanhol da Netflix sobre casos de jovens assassinadas traz dilemas éticos

Murder By The Coast (Homicídio na Costa do Sol/El caso Wanninkhof - Carabantes) é um ótimo documentário de crimes para quem deseja entender os impactos do julgamento antecipado pela imprensa sobre casos mal investigados, influenciando a opinião pública, quando só existem indícios, mas nenhuma prova. Lançado pela Netflix em 2021, o filme espanhol foi dirigido por Tània Balló e roteirizado por Gonzalo Berger . Em mais de 20 anos, muita coisa mudou no mundo. Mas há outras que ainda servem como ótimo exemplo de erros e acertos, especialmente no que diz respeito aos casos criminais, opiniões públicas, preconceitos e faltas de evidências. O documentário traz o caso da adolescente Rocío Wanninkhof que foi assassinada em 1999 e na ansiedade para encontrar um culpado, diante da falta de informações concretas, tudo toma um rumo que se fossem contar, poderiam jurar que se trata de um enredo de ficção. Os depoimentos de profissionais envolvidos ou que estudaram o caso só enriquecem o documentári

4 Curiosidades do livro O Cérebro Autista

Existem mais de 2 milhões de pessoas no espectro autista no Brasil e os números seriam bem maiores se ainda não houvesse tanta dificuldade de encontrar profissionais especialistas no assunto. É bem provável que ao longo da vida você tenha conhecido um autista, mesmo que não saiba ou até mesmo que a pessoa não soubesse – como acontece com quem tem diagnóstico tardio na vida adulta de Síndrome de Asperger. Entender um pouco sobre a condição neurológica diversa é essencial para a inclusão social.


Compre o livro O Cérebro Autista (Temple Grandin e Richard Panek): https://amzn.to/2QMYXWP

Estamos em 2018 e ainda há muita desinformação sobre o autismo, especialmente na internet com a explosão de informações falsas. Ainda há um déficit de profissionais da saúde especializados no transtorno do espectro autista no Brasil, mas com o aumento do número de diagnósticos no mundo todo, mais autistas, familiares e profissionais estão buscando mais conhecimentos e informações.


Texto da imagem: 

“Para algumas pessoas, no entanto, os problemas sensoriais causam transtornos. Elas não conseguem conviver em ambientes normais, como escritórios e restaurantes. A dor e a confusão definem suas vidas” – Temple Grandin

Temple Grandin foi e ainda é muito importante no processo de conscientização sobre o autismo. No livro O Cérebro Autista: Pensando Através do Espectro (The Autistic Brain: Thinking Across The Spectrum), a especialista em comportamento animal e o jornalista Richard Panek falaram sobre algumas das pesquisas envolvendo o cérebro da própria Temple Grandin, bem como comentando sobre os comportamentos autísticos. Lembrando que o livro foi publicado originalmente em 2013, mas ainda permanece relevante.

Confira 4 curiosidades do livro O Cérebro Autista:


1) Temple Grandin puxa a orelha dos pesquisadores sobre a questão sensorial


A autora e palestrante renomada reclama da falta de pesquisas sobre os problemas sensoriais. Há uma preocupação excessiva com a socialização, sem levar em conta que a presença em alguns ambientes com muitos estímulos sensoriais pode ser desconfortável e/ou doloroso, provocando ansiedade e crises. 

Ou seja, não adianta se focar só no desenvolvimento de habilidades sociais e esquecer que cada autista tem diferentes níveis de transtornos sensoriais e como os comportamentos podem ser mal-interpretados por quem não entende. 

“Se os pesquisadores querem saber como é ser uma das muitas e muitas pessoas que vivem em uma realidade sensorial paralela, eles precisam perguntar a elas. Pesquisadores costumam menosprezar o relato dessas pessoas por pensarem que não se presta à verificação científica por ser subjetivo. Mas essa é a questão. A observação objetiva do comportamento pode fornecer informações importantes. Mas só a pessoa com sobrecarga sensorial pode dizer o que isso realmente representa” – Temple Grandin e Richard Panek, O Cérebro Autista

Ignorar a questão sensorial é não querer enxergar questões como porque os autistas se cansam com mais facilidade e precisam de um tempo maior para recarregar as energias e porque alguns ambientes são evitados e/ou tolerados por pouco tempo, influenciando também o nível de socialização. Você ficaria muito tempo em um lugar que te faz mal? Teria disposição para conversar enquanto sente dor e/ou desconforto?

2) Identificação e exemplos das experiências sensoriais


Usando a própria experiência sensorial e a de outros autistas, Temple Grandin classificou as questões do processamento sensorial em três categorias: busca sensorial, alta responsividade sensorial e baixa responsividade sensorial.

Para ficar mais fácil para os leitores entenderem, Temple Grandin identificou alguns dos problemas e comportamentos relacionados aos cinco sentidos: problemas de processamento visual, processamento auditivo, sensibilidade tátil, sensibilidades olfativa e gustativa, além de dar dicas de como é possível identificar e como lidar.

“Como alguém que precisou inventar a máquina do abraço para conter a ansiedade e as crises de pânico, obviamente tenho um grande problema com a sensibilidade ao toque... Mas meus problemas táteis não acabam aqui. As roupas me deixam louca se não tiverem a textura correta” – Temple Grandin, O Cérebro Autista

3) Breve histórico sobre o autismo


Temple Grandin discute desde as dificuldades de sua infância, época em que pouco se sabia sobre o autismo, até algumas das transformações das classificações e visões dos pesquisadores. Segundo ela, um dos motivos para o aumento dos diagnósticos é o de que mais pais estão levando os filhos atrás de um diagnóstico correto.

Uma coisa é certa: apesar de alguns dos mitos espalhados antigamente, como o da mãe geladeira, ela ressalta que o autismo está no cérebro, não na mente. Essa forma de pensar o autismo, além de ser mais correta, ajuda a entender alguns dos comportamentos e de que forma eles estão relacionados com os neurônios e partes do cérebro. Outra questão importante é lembrar de que forma o autismo está relacionado à genética.

4) Entender os pensamentos e os pontos fortes


Quando Temple Grandin deu suas primeiras palestras e lançou seu livro, ela imaginava que os autistas pensavam igual ela. Temple tem uma forte relação com o pensamento visual. Conforme ela foi conhecendo outros autistas, ela percebeu que cada um se identifica mais e se expressa melhor do seu jeito.

A autora fala sobre como a inteligência de autistas já foi subestimada e também cita a importância de descobrir os pontos fortes, o que poderia dar um direcionamento sobre o que estudar e/ou trabalhar. Ela fala sobre a importância de trabalhar com diferentes pensadores e cita o próprio jornalista Richard Panek (pensador por padrões e palavras) como um exemplo e como eles colaboraram para escrever o livro.

“Ao cultivar a mente autista cérebro por cérebro, ponto forte por ponto forte, podemos repensar os adolescentes e adultos autistas em empregos e estágios sem um esquema caritativo, como gente valiosa e até essencial que contribui para a sociedade” – Temple Grandin, O Cérebro Autista

Porém, para que essas mudanças e a inclusão aconteçam, é preciso que a sociedade também esteja preparada. Além do preconceito, assunto pouco comentado no livro e tirando as questões cerebrais, muitas das barreiras impostas aos autistas ainda são sociais – muitas vezes, o ambiente é mais propício para o desenvolvimento. Um autista pode ter muitos conhecimentos em determinadas áreas e não ter as mesmas oportunidades de emprego por não ter os mesmos contatos (facilidade de conhecer outras pessoas) e/ou não ter aceitação, empatia e paciência no local de trabalho.


Sobre os autores:


Temple Grandin – é autista e revolucionou as práticas de tratamento de animais em fazendas e abatedouros. Ph.D. em zootecnia, é professora de ciência animal na Colorado State University e autora de best-sellers que já somaram mais de 1 milhão de exemplares vendidos. O filme da HBO, Temple Grandin, baseado em sua vida, recebeu sete Emmys, incluindo os de melhor filme para televisão e de melhor atriz para Claire Danes, que também ganhou o Globo de Ouro ao interpretar Grandin.

Richard Panek – é jornalista e escritor premiado, autor de The 4 Percent Universe e ganhador de um prêmio de reconhecimento na área de escrita científica pela John Simon Guggenheim Memorial Foundation, tendo sido traduzido para mais de quinze idiomas.

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Comentários

Mais lidas da semana