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Pós-Verdade: Quando Jornalismo, Propaganda Política e Cinismo se Confundem no Brasil

Estamos em 2021. Em teoria, com tanto volume de informação disponível, brasileiros e pessoas de diferentes países teriam mais condições de entenderem sobre manipulação política . Porém, o  sistema político da Pós-Verdade tem revelado o quanto a democracia pode ser frágil quando as mentiras reforçadas constantemente por figuras políticas ganham destaque midiático. Em um jogo de inversão, quem mente, acusa o outro de fake news e muitos perdem o referencial de credibilidade, sem saber distinguir o que é jornalismo, propaganda política ou cinismo. Muita gente poderia achar que o que tem acontecido nos últimos anos é um mero acaso, assim como milhares de brasileiros tentam minimizar o impacto das falas de Jair Bolsonaro, chamando-o de louco e mentiroso patológico – tirando de jogo a intencionalidade da questão de manipulação política por trás de suas estratégias de governar.  Embora tente passar imagem de originalidade, nada do que ele faz é novidade no resto do mundo: talvez exceto pelo

Resenha: Algum Dia — David Levithan

Pode o corpo alterar nossa percepção sobre a vida e o amor? E o que acontece quando todo dia mudamos de corpo e ainda assim tentamos manter um relacionamento? Em Algum Dia, do David Levithan, o leitor é levado a conhecer o desfecho da trilogia que encantou pessoas do mundo todo. No Brasil, a obra foi publicada pela Editora Galera Record, em 2020.


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Algum Dia foi um dos livros mais esperados por muitos leitores, entre eles: eu. Fui com muita expectativa na leitura. Não é que não tenha gostado do romance, mas senti falta de mais envolvimento entre os dois personagens principais. David Levithan nos deixa instigado por mais momentos entre Rhiannon e A, mas a narrativa acaba dando mais destaque para a condição do personagem sem corpo fixo.

"Agora eu sei: o amor não é tão simples. O amor nunca é sobre você dizer a si mesmo que deve fazer alguma coisa e então fazer. Nunca é sobre alguém te dizer que você deve fazer e por isso fazer. O amor não pode existir entre duas pessoas se elas não conseguirem sentir que o amor também existe fora delas. Pode envolver dor, mas não é para que você sinta dor o tempo todo. Então não é amor. É uma armadilha disfarçada de amor" – David Levithan, Algum Dia

Além de abordar o romance com uma pegada mais de conexão do que de amor romântico em si, o leitor nos faz perceber os limites do corpo e do espírito e de como alguns relacionamentos podem ser transcendentais.

Com mais focos narrativos, Levithan nos apresenta a outras pessoas em condições similares a de A, matando um pouco da curiosidade do leitor. Quantas pessoas como ele existem no mundo? Será possível que Rhiannon e A tenham um relacionamento saudável, lidando com a distância e a saudade de quem nem sempre estará por perto?

"Eu amava mesmo A, ou amava a intensidade, a sensação de que as nossa órbitas tinham se aproximado tanto que caberiam num átomo, e uma explosão aconteceria se nos afastássemos?" – David Levithan, Algum Dia

À medida que Rhiannon vai refletindo sobre seus relacionamentos passados e se envolvendo mais com A, a personagem se dá conta de que talvez os dois tenham sido covardes. Para alguns, talvez a noção de que duas pessoas que se amam e não ficam juntas pode ser uma loucura; mas se isso acontece até mesmo na vida real, quem dirá diante do inevitável e inusitado destino de A?

Com mais aventura e até mesmo suspense, David Levithan nos mantêm fisgados até o final. Porém, para os mais românticos, parece que falta um pouco mais de momentos a dois: como acontece em qualquer relacionamento, como se o tempo tivesse criado mais afinidade entre os protagonistas e, ao mesmo tempo, tivesse esfriado um pouco.

"A fênix me chama. Ela me olha nos olhos e sabe quem eu sou. Ela sabe que cada um de nós pode ser mais do que uma só coisa. Ela sabe que nós vivemos num perpétuo estado de começos e num perpétuo estado de finais. Eu a usaria sobre a minha pele, se um dia eu tivesse uma pele que fosse minha. Eu a deixaria enviar sua mensagem muda para todos que eu conhecesse, como um caminho para que me conhecessem melhor, para que entendessem o meu voo um pouco melhor"  – David Levithan, Algum Dia

Com maestria, David Levithan brinca com as narrativas e mostra como um romance pode brincar com vários gêneros/temas e nos brinda com momentos de amor, amizade, empatia e dilemas existenciais. Entre o amor e a amizade, as escolhas feitas com respeito e o egoísmo. A encara sua sombra e Rhiannon descobre mais sobre si mesma do que jamais poderia imaginar. Uma história sobre como o amor ultrapassa a pele e também pode ser expressado e sentido de muitas maneiras.

Sobre o autor – David Levithan também figurou na lista de mais vendidos do prestigiado New York Times. Editor de livros infantis, é autor, ainda, de Garoto Encontra GarotoDois Garotos Se Beijando, Todo Dia, Outro Dia e de Nick e Norah —com Rachel Cohn —, que inspirou o filme homônimo.

Sobre o autor – Ben Oliveira foi diagnosticado autista (Síndrome de Asperger) aos 29 anos, é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.



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Comentários

  1. Olá Ben,
    Gostei de ler sua resenha. Li somente o primeiro livro da trilogia e, apesar de não ter me conectado tanto com a história, achei de uma delicadeza ímpar. Gosto da forma que o autor aborda os temas tão presentes nesses livros, assuntos de certa forma comuns, mas abordados de forma encantadora.

    Beijo!
    www.amorpelaspaginas.com

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    Respostas
    1. Oi Ray! Fico feliz que tenha gostado. O primeiro livro, sem dúvidas, é especial e nos faz refletir sobre a diversidade humana e empatia. Espero que goste dos outros, caso venha a ler.

      Beijo

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