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Destaques

Nostalgia da nostalgia

Dias de nostalgia da nostalgia, em que parecia sentir falta de algo ou alguém. Dias em que sabia que era delicioso se perder na sensação de que o passado proporcionava, mas que sabia a importância de voltar a atenção para o presente. Então, os dias continuavam seguindo, mesmo quando uma parte nossa insistia na nostalgia. Nostalgia boa era coisa temporária, mais do que isso poderia se tornar tóxica. A verdade era que escrevia para dar sentido às coisas. A verdade era que tinha uma relação dupla com a nostalgia; em alguns instantes, adorava, em outros, achava que era o pior que poderia acontecer. Escrevia, então, na esperança de continuar mantendo a nostalgia sob controle, aceitando que o passado não voltaria e estava tudo bem ressignificar as coisas. Ao dar um novo sentido, a nostalgia também se transformava. E, então, quem sabe poderia se manter em um nível mais saudável e menos tóxico. Se apegar à nostalgia, mas sentir os pés firmes no presente.  *Ben Oliveira é escritor, formado ...

Your Eyes Tell: Filme japonês de romance e drama sobre culpa e segundas chances

Your Eyes Tell é um daqueles filmes japoneses que tem uma história não tão incomum no cinema asiático de romances marcados por personagens que vivenciaram tragédias. O roteiro lembra, inclusive, uma obra cinematográfica que viralizou sobre cegueira. 

O filme dirigido por Takahiro Miki e roteirizado por Yûichi Toyone foi lançado em 2020 e é um remake de um filme sul-coreano chamado Always, lançado em 2011 e dirigido por Song Il-gon. O roteiro também já foi produzido na Índia e na Turquia.

Desde o início do filme, Akari Kashiwagi (Yuriko Yoshitaka) já está com um quadro de perda de visão e seu caminho cruza com o de Antonio Rui Shinozaki (Ryûsei Yokohama), um ex-lutador atormentado pelo passado que sobrevive com empregos sem estabilidade.

Uma das imagens do filme acaba servindo como uma metáfora sobre o relacionamento que vai se construindo entre os dois: a de uma pedra polida. Akari que havia estudado esculturas antes da cegueira, lembra a Rui que daquele modo, a pedra não poderia machucar.

O que até determinada parte do filme parece algo totalmente aleatório, uma relação que surge lentamente com timidez, inseguranças e cuidados, vai revelando um passado digno de tragédia grega.

O filme Your Eyes Tell é um daqueles romances sobre a necessidade se adaptar à realidade do outro. Embora em alguns momentos por não saber lidar com as próprias emoções, Rui ataca Akari com base em sua deficiência, conforme eles se conhecem melhor, uma sensação de culpa une os dois personagens e o que poderia ser só uma paixão egoísta, se revela uma história de amor incondicional.

Impossível não se emocionar com os minutos finais do filme. Entre a redenção do excesso de culpa acumulada e a oportunidade de recomeçar mesmo diante do futuro inesperado, o roteiro dá voltas de pura catarse – uma daquelas experiências que marcam pela humanização e sensibilidade, em um mundo que nem sempre lida bem com as diferenças e com os erros do passado.

Leia também: It's Okay Not To Be Okay: Série sul-coreana sobre literatura, saúde mental e a coragem de seguir em frente

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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