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Destaques

Ressignificar dia após dia

A linha era tênue entre a verdade e a autoficção, mas a literatura era um espaço para criar e não tinha compromisso com a realidade. Como tinta invisível, personagens às vezes se misturam e podem confundir. Um personagem pode ser vários e a graça não está em descobrir quem é quem, mas de aproveitar a leitura. Escrever em blog poderia não ser a mesma coisa do que escrever um livro de ficção ou de memórias, mas a verdade era que acabava servindo para as duas coisas. Às vezes o passado estava no passado. Às vezes o presente apontava para o futuro. Mas nunca dá para saber sobre quem se está escrevendo e há beleza nisso. A beleza de que personagens não eram pessoas, de que não precisava contar a verdade sempre, que às vezes quatro personagens poderiam se tornar um. Saber quem é quem parecia o menos importante, mas apreciar a beleza das entrelinhas. Ia escrevendo como uma forma de esvaziar a mente e o coração, sentindo o corpo mais leve. Escrevia e continuaria escrevendo sempre que sentisse ...

Resenha: Sobre Entrevistas: Teoria, Prática e Experiências – Stela Guedes Caputo

Em seu livro: "Sobre Entrevistas: Teoria, Prática e Experiências" (Ed. Vozes), lançado em 2006, a jornalista Stela Guedes Caputo aborda os conceitos de entrevistas, dá dicas de como melhorar esta ferramenta do jornalismo e da pesquisa, expõe algumas de suas entrevistas com diferentes pessoas e tece comentários sobre as mesmas.

Para a autora, as fórmulas podem ajudar na hora de se realizar uma entrevista, mas não resolvem. Caputo explica que se a entrevista é mais do que uma técnica para obter respostas através de um questionário: é preciso que haja comunicação entre as pessoas e uma das características fundamentais para qualquer jornalista é saber realmente ouvir. Outro ponto importante no jornalismo e que é pouco praticado, de acordo com a autora é o de: "Pluralizar ao máximo as visões sobre o assunto em pauta, ainda que não possa se desvencilhar de seu próprio ponto de vista".

O jornalista Eugênio Bucci escreveu o prefácio do livro e fala sobre a importância de se pensar nos direitos, necessidades e interesses dos destinatários da notícia e de saber separar o que é relevante do que é supérfluo. Bucci cita 5 características de um bom texto jornalístico: subordinado ao direito à informação; necessário; percebido e reconhecido como necessário; urgente; dialoga de perto com o desejo daquele a quem se destina.

Cada entrevista é influenciada pela forma feita, que de preferência seja realizada pessoalmente, depende da abordagem, do tempo e da aproximação. Para a autora, é difícil conceituar entrevista. Caputo acredita que a entrevista é uma aproximação do jornalista em uma dada realidade, a partir de determinado assunto e do próprio olhar, através de perguntas dirigidas a um ou mais indivíduos. "O que sinto, e apenas sinto, é que, quando o jornalista realiza bem essa aproximação, a entrevista se torna uma experiência. Uma experiência de olhar o mundo e ouvir o outro".

A ideologia do jornalista influencia ao se produzir uma matéria jornalística, a suposta neutralidade pregada pelo jornalismo é contrariada através da opinião - a favor ou contra - um acontecimento. A autora cita o jornalista Eugênio Bucci, que explica que o ideal é se buscar um equilíbrio ("pacificação entre as convicções e crenças pessoais do jornalista e o nível de objetividade requerido pelo público"). Ainda de acordo com Caputo, esta busca pelo equilíbrio, muitas vezes, tende a cair para o lado ideológico do veículo em que o jornalista trabalha.

Por meio dos exemplos de entrevistas realizadas por Stela Caputo percebe-se a diferença entre os entrevistados, os contextos e as abordagens, além de se aprender informações interessantes com estes diálogos enriquecedores. A jornalista conta que o livro não busca responder todas as perguntas e nem se tornar um manual, cabe ao jornalista desenvolver o seu próprio estilo, refletir e aprender a lidar com as diferentes situações da melhor forma possível.

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