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Destaques

Sobre rabiscos e telas brancas

A tela branca pode ser um convite à explosão criativa ou uma tortura ao artista que sente seu espírito definhando diante da pesada realidade. Em tempos de crise e ódio, a arte fica esquecida e é vista como desimportante; ironicamente, é quando mais precisamos dela, de algo que nos faça sentir vivo e toque as partes atordoadas.


O som dos dedos se movendo pelo teclado era como fantasmas de uma vida distante. É incrível perceber quantas vezes nós deixamos algumas partes nossas morrerem ao longo de nossas existências; as máscaras, antes tão confortáveis, agora incomodam e não nos servem mais. Leva tempo até ficarmos satisfeitos e ajustados à nova realidade. Viver é admitir que sabemos pouco sobre nós mesmos e há sempre algo novo que pode nos transformar, seja para o bem ou para o mal.

O artista encara a tinta respingando pela tela. Para o espectador sem intimidade, nada faz sentido, a desconexão de ideias é tormentosa; para ele, o lembrete de que sua arte nunca o abandonaria. Como poderia…

A Delicadeza do Amor

Texto: Ben Oliveira

A Delicadeza do Amor ou La Délicatesse (título original) é um filme francês de comédia romântica, lançado em 2011, dirigido por David Foenkinos e Stéphane Foenkinos e estrelado por Audrey Tautou, François Damiens  e Bruno Todeschini.

Quem já assistiu algum filme francês antes, percebe que suas comédias românticas estão mais para comédias dramáticas. Diferentes dos filmes norte-americanos do gênero, na qual o lucro é priorizado, os roteiros são óbvios, os atores bonitos, a trilha sonora é clichê, em A Delicadeza do Amor é possível perceber o cuidado com cada um destes elementos cinematográficos. Além é claro, das produções européias priorizarem a reflexão.

Como não entendo muito de cinema e mais de texto, vou me ater ao roteiro. O enredo do filme está recheado com diferentes sensações e pensamentos, deixando cada minuto uma delícia de assistir, fugindo do padrão Hollywoodiano. Monólogos, estranhamentos, fluxo de consciência e suspense.

A personagem interpretada por Audrey Tautou, Nathalie conhece o seu marido em uma cafeteria, na qual ele, François (interpretado por Pio Marmaï) fica tentando adivinhar o que ela vai pedir. O rapaz acredita que se ela pedir suco de damasco, os dois vão ficarem juntos.

O relacionamento entre Nathalie e François parece ser perfeito. Desde o primeiro dia em que se conheceram os dois se deram bem. O namoro e o futuro casamento beiram ao utópico: os dias passam rápidos, os pais deles se dão bem, entre outras situações que apontam a falta de problemas entre o casal.

Nathalie arranja um novo emprego. O chefe dela, Charles (interpretado por Bruno Todeschini) está sempre dando em cima da funcionário, mesmo sendo casado e ela não demonstrando nenhum interesse por ele.

Certo dia, Nathalie está lendo um livro, enquanto o seu marido François sai para correr. Depois de adormecer, ela acorda com uma ligação avisando que o homem estava no hospital. O marido de Nathalie morre em um acidente. Depois do enterro e dos dias de luto, a mulher decide voltar ao trabalho, mesmo tendo mais alguns dias de licença.

Por mais de três anos, Nathalie foca toda a sua energia no trabalho, consegue diversas promoções e se esquece de continuar vivendo sua vida. Depois de ouvir um comentário crítico, em transe, a mulher beija outro funcionário da empresa, Markus. Dando início a um relacionamento sinistro, o qual ela decide dar uma chance.

Quando finalmente os dois estão felizes, todos estranham aquele relacionamento por causa da aparência de Markus e julgam Nathalie. Assim é A Delicadeza do Amor, um filme sobre recomeçar, no qual prevalecem as atitudes e sentimentos.


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