quarta-feira, 23 de abril de 2014

Resenha: ! Antologia de Contos Fantásticos – Caligo Editora

Nesta quarta-feira, 23 de abril, Dia Mundial do Livro, terminei de ler ! – Antologia de Contos Fantásticos, organizada por Rubem Cabral e publicada em 2013, pela Caligo Editora. O livro possui 416 páginas, 34 contos do gênero fantástico escritos por 17 autores. Recebi o exemplar cortesia da editora parceira do Blog, Caligo Editora. A capa linda com uma exclamação amarela e fundo preto foi feita por Pedro Viana.

Capa do livro Antologia de Contos Fantásticos, Caligo EditoraO próprio título do livro já dá dois motivos para gostar de !: 1) É uma antologia de contos, o que significa que você pode lê-la na ordem que preferir e pode ler paralelamente a outros livros, além de poder escolher quantos contos quiser ler por dia; 2) Contos fantásticos, o que para quem escreve contos, como eu, não é só prazerosa a leitura, mas também é uma ótima fonte de aprendizado. Os contos de fantasia são uma ótima válvula de escape, uma viagem para outros universos, onde o leitor não só fica entretido, se identificar com os personagens e conflitos, como pode refletir e tirar algumas lições para a própria vida.

Resenhar coletâneas de contos não é fácil, já que cada conto possui o estilo do seu autor, mesmo quando englobam o mesmo gênero literário. Além de correr o risco de estragar a surpresa do leitor, já que as reviravoltas do conto, geralmente, são de fazer o coração bater forte e os olhos saltarem.

Pretendo compartilhar alguns dos temas presentes nos contos, sem dar nome aos bois para que o leitor não leia sabendo desde o começo do que se trata, afinal, mesmo quando o título do conto dá noção do que vem pela frente, é mais gostoso quando o mergulho acontece gradativamente e quando nos damos conta, gostaríamos que a história não tivesse acabado ainda. Se você gosta de zumbis, anjos e demônios, contos de fadas, apocalipse, loucura e viagens para outras realidades, viagem no tempo, nazismo, a antologia de contos fantásticos da Caligo Editora pode ser uma boa pedida!

Cada conto é o convite para uma viagem diferente. Algumas você gostaria de saber logo o que vai acontecer e devora linha por linha até o final, enquanto outras você desejava nunca ter acabado e que tivesse mais páginas. Nem preciso dizer que os contos que eu mais gostei foram os com um toque de morte e terror, não é? As narrativas estão bem construídas e muitas são intrigantes, mas cada leitor pode se identificar mais com algumas histórias do que com outras de acordo com sua preferência.

Os contos da antologia foram selecionados por Rubem Cabral, criador de uma comunidade literária do Orkut, em 2010, chamada Contos Fantásticos, nas quais os participantes eram desafiados a participarem de concursos literários mensais e escolherem os seus textos preferidos para compor o livro.

Confira abaixo os trechos que gostei da antologia, com seus respectivos títulos e autores, conforme a ordem em que foram publicados:

“Era como se eu estivesse dentro de um espelho, olhando imagem e reflexo” A Casa Xadrez, conto de Felipe Falconeri

“Que mente metódica seria capaz de conceber aquilo? Um demoníaco desafio de habilidade e raciocínio que não tolerava erros!”O Origami, conto de Wesley Cruz

“A vida inteira lutando para se sentir vivo; lutando para descobrir o que significava isso...”O cisco no olho do furacão, conto de Érico

“Por um segundo, ela olhou para cima, em minha direção. Seus olhos brilharam por trás das lágrimas e eu enxerguei a face do cansaço, de alguém que não aguentava mais existir”Quando a morte se fez livre, conto de Caio Pereira

“Os jornais ocupavam todo espaço da programação normal, eram novidades mórbidas atrás de novidades mórbidas”Nem ligo, conto de Felipe Rodrigues

“Quando o destino endireita nosso vagão por trilhos novos, torça para que este não reserve em alguma curva um túnel escuro, pois é atrás deles que geralmente nos recebe a Estação das Desgraças. Não existe qualquer consolo, após a escuridão. Só fantasmas”Em 7 atos, conto de Diogo Bernadelli

“Fluindo, deslizando, sob a luz das estrelas, sinuoso, contornando pedras, tapete móbil de folhas que atravessa os vales, o chamado do sol estraçalha-me em particular, vapor transparente, levito, subindo a inomináveis alturas onde minha essência se encontra...” – Sou um rio, conto de Martha Ângelo

“Ximenita olhou seu reflexo no espelho e sentiu um arrepio de gelar o coração”Vésperas de Natal em Páscoa, conto de Rubem Cabral

“Onerado pela soma de todos os cansaços, deitou sob o marco zero e esperou com angélica paciência que a morte chegasse”O princípio, conto de Felipe Holloway

“Pela primeira vez, sentia vontade de ter tido um filho, vontade de que aquela criança fosse sua. De dar-lhe um nome, um nome que não precisasse ser esquecido, como fora o dele, assim como de todos os outros”O terceiro menino, conto de Bia Machado

“’Faça um desejo, querida’, Pedro disse. A criança pensou por um instante: ‘Já sei’, falou sorrindo, ‘desejo que você não nos mate’, e assoprou as velinhas”Noites mal dormidas, conto de Leandro Barreiros

“’O desgraçado morre na festa, padre. Ninguém e nem o senhor se intromete nos assuntos da família’”Festejo, conto de Rodrigo Arcádia

“Remando, avistou a dita neblina, as águas turvas do rio infernal e por fim as secas terras do além. Também não custou para que encontrasse as primeiras almas que se negassem a aceitar a viagem”O óbolo e o ébrio, conto de Vitor Toledo

“Verônica fitou o pássaro ainda imóvel. Ela não sabia se deveria responder ao gracejo. As palavras naquele papel pareciam desenhadas, era possível discernir com perfeição o movimento feito por dedos hábeis”Lapsos temporais, conto de Andreza Barroso

“Lembranças atormentavam meus pensamentos e afogavam-me em mágoas. Por mais que o mundo ao meu redor dissesse ao contrário, eu não acreditava que o que eu estava vivendo era real”Tempos de rei, conto de Pedro Viana

“Caminhando pela calçada, os vidros do carros estacionados vão refletindo meu rosto em ondulações fracamente coloridas; os cabelos branquinhos e eriçados, a testa ampla, a boca amargada, os olhos pequenos e duros. Pareço um defunto, sim, mas não quero morrer”Os mortos da família, conto de Raione Pedrosa

“Elisa sempre teve a sensação de que os livros guardavam um segredo especial. Não um significado oculto nas narrativas, romances, aventuras ou fantasias, mas algo além, que estava escondido entre as páginas, na essência de cada obra...”O livro de Elisa, conto de Gustavo Araujo

“A imagem contraditória do pano balançando violentamente sobre aquele corpo imóvel me era inebriante em demasi”Leve-me contigo, conto de Andreza Barroso

“Infelizmente esse mesmo mundo é bastante eficiente em não tolerar certas extravagâncias. Homens devem cuidar de si mesmos, mexa nessa declaração e então a ordem se perde!”Meu amigo Pumper, conto de Wesley Cruz

“Começou a desconfiar de que falava enquanto dormia...”A milésima segunda noite, conto de Felipe Holloway

“Morrer deveria ser simples, sempre fantasiei que fosse assim. Você sabe, aquela velha, velha história... O coração pararia de bater, os pulmões inspirariam e expirariam pela derradeira vez, os olhos encerrariam seu expediente mais cedo...”A morte e a re-morte de Natasha Moskovskaya, conto de Rubem Cabral

“Diziam que o Caolho era invencível porque possuía A Mão do Diabo, uma arma dada pelo próprio Demônio a quem o vencesse numa partida de pôquer” A mão do diabo, conto de Felipe Falconeri

“Em meio de tais pensamentos, percebi que nada mais fazia sentido, todas as coisas poderiam ter milhares de interpretações. Utilizei essa premissa como desculpa para continuar alimentando meu vício” Corpos, conto de Felipe Rodrigues

“Se estás recebendo estas linhas é porque conseguiste novamente escapar de teu mundo para encontrar minha carta naquele exemplar de ‘O carteiro e o poeta’”Cartas Oblíquas, conto de Bia Machado

“Certo dia, o Homem Mais Sábio do Mundo veio a falecer. Todos choraram sete dias e sete noites por aquela que parecia ser a pior de todas as perdas. Contudo, ao final do sétimo dia, descobriu-se algo muito perturbador: o Homem Mais Sábio do Mundo havia deixado uma caixa em sua casa, com o seguinte bilhete por cima: ‘Dentro desta caixa há o Causador do Fim do Mundo’”O causador do fim do mundo, conto de Pedro Viana

“Por todos os lados do salão, corpos inertes se espalhavam nas mais variadas posições. Pareciam todos... mortos...”A Bela Adormecida, conto de Martha Ângelo

“Foi há um mês. Isso. Há um mês. Um mês que fiz o que fiz. Os pesadelos não desaparecerem, mesmo estando acordado...”Hereditário, conto de Rodrigo Arcádia

“O segredo para se navegar entre realidades é que o marinheiro deve ter a mente fluida como mercúrio, que desliza e se distorce, mas ainda assim permanece inteiro... Não como água que corre por todo lugar, mas que, de tanto se agitar, acaba se transformando em vapor e se dispersa pelo ar”Atalho, conto de Érico

“Sua vida era realmente muito chata, aquela casa enorme e vazia, o isolamento de tudo, a indiferença dos pais, a ausência de amigos. Talvez por isso invejasse os passarinhos. Quem dera pudesse ser como eles”Catarina, conto de Gustavo Araujo

“Um dos dois anormais cutuca o outro, com o cotovelo. ‘Eu aposto, você não colocaria sua coisa dura lá dentro dela, desse jeito aí! Um molengão, você é! Aposto um tablete de chocolate, que você é!”Coisas & Loisas, conto de Diogo Bernadelli

“Perdido na vida, perdido na morte, encurte a ida e seja meu norte”Além da Miragem, conto de Vitor Toledo

“Quando ela tocou em sua testa com os dedos, foi como se tudo tivesse ficado em paz. As vozes, as dores no corpo e na cabeça, tudo tinha sumido”A mulher dos lábios vermelhos, conto de Caio Pereira

“Tinha uma barba grisalha que ia até o peito, e havia nela uma porção de anéis, todos presos por nós dados com os próprios pelos. Vestia trapos e um casaco grosseiro naquele calor incômodo. Sua pele exalava um cheiro de alecrim...”Alecrim, conto de Raione Pedrosa

“Os tempos em que se podia depender unicamente da fé estavam ficando para trás. Sua Santidade esperava encontrar uma prova física para a existência de Deus e, dessa forma, espalhar a fé e o amor de Cristo”Em nome de Deus, conto de Leandro Barreiros

Ufa! Acho que é isso... Espero que tenham gostado! Para quem ficou interessado, a antologia de Contos Fantásticos pode ser encontrada no site da Caligo, editora parceria do Blog do Ben Oliveira.

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Trilha Sonora de O Sincronicídio

6 comentários:

  1. Parabéns por mais essa linda resenha, grande Ben!
    E também pelo apoio à literatura brasileira!

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    Respostas
    1. Obrigado! Fico feliz que tenha gostado. Os leitores precisam valorizar mais os autores nacionais para que as editoras também possam valorizar, como a Caligo.
      Abraços

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  2. Parabéns pela resenha, Ben! Fabio disse tudo, agradeço pelo apoio que tem dado à literatura nacional. =)

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  3. Fico feliz que tenha gostado! Acredito que muitos blogs literários dão muito destaque para autores que só pela força do nome e por serem internacionais já vendem bastante e são preferências pelas grandes editoras e livrarias. É preciso dar voz aos autores nacionais e valorizar mais nossa literatura.
    Beijos

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  4. Respostas
    1. Obrigado, Solange!
      Se for a vencedora do sorteio, espero que goste da leitura. Sou suspeito, já que a Caligo Editora é parceira do blog e adoro os livros publicados por eles.
      Abraços

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