segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Entrevista: Guilherme Olí fala sobre seus livros Remoto e Improvável e Remetente N15

Guilherme Olí tem 30 anos e mora em São Paulo há oito. Formado em Pedagogia, Design Instrucional e Cinema, ele trabalha como roteirista na área de soluções educativas, escreve em seu blog de contos e é autor dos livros Remoto e Improvável e Remetente N15.

“Geralmente, gosto mais das atividades silenciosas - ler, escrever, assistir filmes e… dormir! - e descobri recentemente que eu amo cozinhar!”, compartilha Guilherme.

Confira abaixo a entrevista com Guilherme Olí:

Ben Oliveira: Você tem formação na área de Cinema e experiência como roteirista e ator. Como essa bagagem influenciou sua estreia no universo da literatura?

Guilherme Olí: Tudo está conectado! Eu crio histórias desde criança e isso influenciou a minha formação. Eu me formei em Pedagogia e fui trabalhar na área de educação corporativa, produzindo conteúdos, vídeos e outros recursos de aprendizagem. Para me desenvolver mais eu busquei apoio no cinema e acabei me apaixonando! Estudei todas as áreas: roteiro, produção, direção, edição e atuação. Tudo movido pela curiosidade e pela vontade de aumentar minha bagagem de conhecimento.

Porém, com o tempo eu dei uma boa desanimada com o cinema, afinal eu não tinha muita disponibilidade pra gravar, fora que os custos de produção eram sempre altos. Tinha muitas ideias na cabeça e pra cada uma delas sair do papel custava caro demais e dependia do empenho de muitas pessoas. Neste processo, muita coisa legal se perdia e nem sempre o resultado final me deixava satisfeito.

Daí para não deixar minhas ideias morrerem eu comecei a registrá-las e vi que algumas delas dariam livros. Eu percebi que ao depender de um esforço basicamente meu as coisas saiam mais fáceis e hoje eu me dedico bem mais aos livros. Fora que em casa, a gente praticamente vive disso! hahaha

E, olha, se não tivesse um escritor por perto eu certamente ia manter meus textos na gaveta, grande verdade... rs.

Ben Oliveira: Em novembro será lançado o seu primeiro livro Remoto e Improvável, escrito junto com a autora Paloma Leite. De onde surgiu a ideia de escrever o livro?

Guilherme Olí: Eu e a Paloma trabalhávamos juntos com criação de roteiros de treinamento. Nós dois gostávamos de viajar mais nas ideias do que o resto do pessoal. Por conta disso tínhamos mais afinidade e ficamos muito amigos.

Em 2012, eu ainda estava muito empolgado nos meus estudos de cinema, com a cabeça lotada de ideias. Já a Paloma estava trabalhando com coisas mais operacionais e, sempre que a gente saía, ela comentava que sentia falta de criar. Meio que de brincadeira eu contei a ideia de um roteiro meu, de um curta-metragem, e disse que seria legal se a gente produzisse, atuasse, fizesse tudo. Mas, claro, isso nunca ia sair! Hahahahaha

Então, nós evoluímos com a ideia original desse roteiro e pensamos em escrever uma história com postagens em um blog. Seriam conversas entre os personagens, postadas em tempo real. A primeira ideia era divulgar o blog para que as pessoas acompanhassem os e-mails, por isso a escrita em tempo real. Só que, por diversos fatores, não divulgamos e seguimos escrevendo.

Construímos os personagens, criamos uma situação para que eles se conhecessem, bem como os ambientes em que tudo se passaria. E dessas conversas todas nasceu a história do Tarso e da Bia. Postávamos e-mails dos personagens, um para o outro, ou mesmo para outras pessoas importantes na história, sempre no horário exato em que elas ocorriam. Nós alimentamos este blog por pouco mais de seis meses, entre março e setembro de 2013, até concluir a história.

Esperamos mais seis meses e deixamos a história descansar. Fiz um backup dessas postagens e depois relemos, revisamos… Acabamos gostando do resultado! Foi daí que surgiu a vontade publicar. E tudo foi tomando forma em 2014. O processo todo demorou dois anos. É bastante tempo, mas foi melhor assim!

Ben Oliveira: Como foi a experiência de escrever um romance com outra pessoa?

Guilherme Olí: Foi muito interessante. Principalmente pelo processo que definimos. Não combinamos como a história terminaria e, assim, tínhamos que reagir de acordo com cada e-mail que recebíamos. Exigiu bastante das nossas cabeças...rs.

Às vezes, eu (aliás, o Tarso!) enviava um e-mail para a Bia, esperando um tipo de resposta para dar continuidade com a história, mas recebia uma resposta diferente e precisava mudar todos os meus planos. O contrário também acontecia. E esse caminho incerto era muito divertido, porque passamos os meses sem saber se o Tarso e a Bia ficariam juntos, quando brigariam, ou mesmo se encontrariam outros interesses amorosos ao longo do tempo. Tudo era na base da surpresa.

É claro que escrever em parceria nem sempre é fácil. É preciso muita cumplicidade e abertura pra poder falar pra outra pessoa algo que você não gostou, assim como pra ouvir uma crítica construtiva também. E a Paloma é uma menina inteligente, criativa, as coisas fluíam muito bem com ela, então isso não foi um problema pra nós.

Ah, outra coisa importante é saber abdicar de algumas ideias, por melhores que elas sejam. Caso contrário, o processo pode frustrar mais do que agradar. E nessas os autores se matam hahahaha. (No nosso caso continuamos os dois vivos e muito amigos, então tá tudo certo!)

Ben Oliveira: Com o desenvolvimento tecnológico, a escrita de cartas e e-mails perdeu espaço para a troca de mensagens instantâneas. Por que escolheram o gênero epistolar?

Paloma Leite que escreveu junto com Guilherme Olí o
romance Remoto e Improvável.
Guilherme Olí: Ih, completamente! Quase ninguém mais usa...rs. Escolhemos pela dinâmica da história, da questão de escrevermos de acordo com a reação que o outro texto nos proporcionasse. Além disso, os personagens mantinham contato de alguma forma e não queríamos usar um tipo de comunicação breve, como um chat. Precisávamos que eles escrevessem bastante, falassem dos seus sentimentos. Também precisávamos que o receptor tivesse material de leitura, reagisse a ele e se manifestasse.

Se utilizássemos cartas, a história demoraria demais para acontecer, principalmente considerando aquela nossa ideia inicial de liberar a leitura enquanto a história acontecia. Mas, pensamos que, ainda assim, poderia soar meio antiquado, claro. Até justificamos isso algumas vezes na história. Por exemplo, os personagens trabalham na mesma empresa, mas em unidades e cidades diferentes. No ambiente corporativo a comunicação interna ainda é feita em maior parte por e-mails.

Outra coisa que conta muito: o Tarso é um cara pouco adepto das tecnologias e até hoje deve ter um daqueles celulares tijolões. A Bia detesta ter que falar com ele por e-mails, mas ela se esforça, coitada! Fora que ele não é a única pessoa na vida dela que também não curte muito participar das redes sociais. Mas aí precisa ler pra saber quem é… hahahaha

Ben Oliveira: Quais são as vantagens e limitações de escrever a história que se passa através da troca de e-mails?

Guilherme Olí: A principal vantagem também é uma desvantagem… Pois é! Usar e-mails exigiu um pouco mais de criatividade porque precisávamos evitar aqueles diálogos didáticos e irreais demais. Ao mesmo tempo, dava certo trabalho fazer com que as coisas não ficassem muito ocultas, implícitas e dificultassem o entendimento do leitor. Afinal, na história os personagens também se falavam por telefone ou pessoalmente e por isso muita coisa eles dificilmente repetiriam um para o outro nos e-mails. Ficava um dilema: e pra fazer o leitor conhecer esses detalhes mesmo assim? Achar um equilíbrio pra isso foi um ótimo exercício pra criatividade, mas deu um trabalho danado! Isso pode até ser chato, mas foi ótimo pro nosso aprendizado!

Ben Oliveira: Remoto e Improvável estará presente na Bienal do Livro de Minas. Qual é a importância de lançar a obra num dos principais eventos de livros de Minas Gerais?

Guilherme Olí: É uma sensação muito boa saber que seu livro está ali no meio de tantas obras importantes. E saber que as pessoas vão passar pelo estande, olhar a capa, se interessar de alguma forma. (Assim eu espero né? Por favor! hahaha)

Mas, sério, o mais importante disso é que sabemos que na autopublicação o começo é sempre mais difícil e o alcance maior rola entre os amigos, é inevitável. Por isso, quando nosso lançamento rola em um evento tão grande é algo que nem dá pra explicar de tão incrível! É um espaço de divulgação muito maior e, principalmente, direto com o público que tem interesse na leitura.

Ben Oliveira: Recentemente foi lançado o projeto do livro Remetente N15 no Catarse, ferramenta de financiamento coletivo. Você participou escrevendo uma das cartas do livro, ajudando na organização e identidade visual. Como está sendo participar do nascimento de um livro coletivo?

Guilherme Olí: É uma experiência muito intensa, afinal estou com dois lançamentos simultâneos. Todas as emoções rolam em dobro! A nossa ideia era de uma publicação coletiva que não fosse apenas uma coletânea ou antologia, mas uma história só, escrita por todos, mesmo que indiretamente. E tudo encaixou muito bem, cada história que chegava proporcionava uma reação diferente. Só posso dizer que superou as expectativas e que não vejo a hora de lançar! Quer dizer, depende da ajuda de todo mundo lá no Catarse, né? Rs.

Ben Oliveira: O financiamento coletivo e a publicação independente têm se mostrado opções viáveis para autores estreantes no mercado editorial competitivo do Brasil. Quais são os pontos positivos e negativos?

Guilherme Olí: Quanto ao financiamento, a parte positiva é contar com pessoas que tenham real interesse no projeto. No nosso caso, o financiamento funciona mais como uma pré-venda, o que torna mais fácil a colaboração. É claro que a gente recebe um grande apoio de amigos e parentes, que sempre dão uma força, mas tem muita gente que colabora interessada em ler o livro.

A parte negativa é precisar de uma divulgação mais forte. No RN15 temos 15 pessoas divulgando, o retorno vem mais fácil, mas fico imaginando se eu fosse criar um projeto assim sozinho, eu não teria o mesmo sucesso, certamente! São quase dois meses de divulgação forte e contando com a ajuda do Facebook que às vezes não mostra as nossas postagens pra todo mundo, por exemplo.

No caso da publicação independente, a principal vantagem é que você pode continuar dono do seu trabalho completamente, não precisa se adaptar a muitas exigências da editora. A parte ruim é que você precisa contar com seu próprio marketing, divulgar por conta própria… Ah, e principalmente: você é colocado no mesmo “cesto” que trabalhos sem qualidade literária, que não foram feitos com o mesmo carinho e nem passaram pelo mesmo cuidado editorial. Isso gera um preconceito que “se uma grande editora não comprou esse livro, por que eu compraria?”.

De qualquer maneira, o importante é que cada autor veja o que é mais vantajoso para si e pense na melhor alternativa. Sempre, é claro, com calma e cuidando de todo o processo com paciência e carinho!

Ben Oliveira: Atualmente, tão importante quanto entender de escrita, o autor precisa ter noções sobre marketing e outros conhecimentos que podem ajudá-lo a entrar no mercado editorial. Você desenvolveu as peças de divulgação de Remetente N15. Qual é a importância da identidade visual na apresentação do produto (livro)?

Guilherme Olí: Foi um trabalho que eu já tinha feito anteriormente em outros projetos. Como a divulgação rola basicamente nas redes sociais, é preciso sempre pensar em um jeito de chamar a atenção. Todos os dias as pessoas são bombardeadas de informações, links e fotos de gatinhos. Por isso, se a gente simplesmente posta algo sobre o livro, a chance de passar batido é enorme (experiência própria: muita coisa passa, infelizmente!).

Fora que a divulgação das peças ajuda a criar identificação, apresentar personagens e servir como uma amostra do que espera o leitor, além de ser algo mais visual e agradável para disseminar por aí.

As pessoas gostam de compartilhar trechos e frases de livros. Se este conteúdo é apresentado de um jeito mais bonito, elas se sentem mais confortáveis para divulgar também.

Ben Oliveira: Na onda de autopublicação, seja através de eBooks ou livros impressos, muitos autores têm se esquecido da boa diagramação. Como a diagramação influencia a leitura?

Guilherme Olí: A diagramação pode ter relação com a história e passar diversas emoções. Por exemplo, em um livro mais leve, ela também precisa ser leve, com mais espaços. Já num texto com o objetivo de ser desconfortável a diagramação pode ser mais séria, torta. Isso varia muito.

Pra mim, o que importa é que ela seja agradável ao leitor e que cause identificação. Vejo que em muitos casos simplesmente convertem um arquivo de texto em PDF e mandam pra gráfica ou abrem em algum e-reader. Além de ser ruim para o leitor, a sua credibilidade também acaba afetada. Afinal, a autopublicação expande os horizontes mas ainda gera muito preconceito, como eu já disse. Por isso um trabalho mais caprichado ajuda a passar uma imagem mais profissional do projeto e ajuda a reforçar os objetivos do livro, a ideia central…

No Remoto e Improvável, a diagramação precisava lembrar e-mails quando salvos para serem lidos depois. O objetivo era criar a sensação de entrar na caixa postal dos personagens, salvar os e-mails e sair lendo por aí...rs. Para o RN15 também pensei em uma diagramação especial, com algumas surpresas!

Ben Oliveira: Ainda dentro de produções editoriais, você também tem experiência com a criação de capas. Como é o processo de desenvolvimento de uma capa? E como ela pode influenciar na venda dos livros?

Guilherme Olí: Ainda não sou tão bom com capas... (rs) Mas, eu juro que me esforço! Assim como a diagramação é importante que a capa “converse” com a história e com o público-alvo.
Aquela história de “não compre um livro pela capa” não é uma verdade tão absoluta assim, principalmente pensando pelo lado comercial. Se as pessoas que você espera atingir não se identificarem com a capa, dificilmente vão ficar curiosas com o conteúdo.

Sempre vale fazer uma pesquisa sobre o público, saber as preferências e gerar mais identificação. Por exemplo, tem públicos mais visuais, que gostam de ver os personagens na capa, outros que preferem ícones, jogos de palavras. Opções têm de monte!

Para quem quiser conhecer, recomendo uma busca rápida na rede Pinterest, ou mesmo no Google Imagens… Tem uma infinidade de capas incríveis e inspiradoras. Ah, um passeio pela livraria também te dá bons (e ruins!) exemplos.

Uma vantagem da autopublicação é que, com as tiragens menores, podemos “brincar mais” com a diagramação e a arte da capa. Afinal, cada nova remessa de livros permite essa mudança, trabalhar com capas alternativas… Eu gosto muito disso, ajuda a renovar o livro e tirar aquele aspecto imutável dele.

Ben Oliveira: Quais estratégias você tem utilizado para a divulgação dos seus livros?

Guilherme Olí: Como o Remoto e Improvável ainda não foi lançado e o RN15 ainda está em produção, eu não comecei um trabalho tão forte de divulgação. Até o momento estou trabalhando no Facebook, mas já está na minha fila o envio de alguns e-mails marketing, potencializar buscas no Google e criar anúncios patrocinados também. É um investimento necessário. Além disso, quero aproveitar ao máximo o trabalho nas Bienais e outras feiras, que são eventos de ótima visibilidade. Com essa divulgação inicial o livro já vai ganhando espaço e os próprios leitores começam a divulgar.

A divulgação em blogs também é ótima, principalmente com ações que vão além das postagens, como sorteios de livros, resenhas e discussões relacionadas ao tema do livro. Outro espaço muito legal pra isso é o Skoob! Assim que recebi o ISBN do Remoto e Improvável já criei a página dele lá. Pro RN15 vamos fazer o mesmo!

Ben Oliveira: Além da sua carreira e dos livros, você escreve para o blog Um Fato e Um Conto junto com o seu noivo e também escritor, Paulo Sérgio Moraes. Os contos publicados lá têm um processo criativo bem interessante. Conte aos leitores de onde surge inspiração para escrever essas histórias.

Guilherme Olí: O blog começou com uma preocupação nossa, de passar por longos períodos sem escrever ou perder o ritmo. Acontece... (rs). Daí, criamos o Um Fato e Um Conto como um exercício em que notícias, de qualquer tipo, inspirassem a criação de histórias. Para não ficar fácil demais criamos categorias diferentes. Assim, eu mesmo posso ler uma notícia e me sentir inspirado a escrever sobre ela, também posso indicar uma notícia para o Paulo escrever algo, começar um conto e pedir para ele terminar, e por aí vai! É bem divertido! Já saíram várias bem legais.

O propósito é esse, de criar sem limitações. Sempre que temos um tempo livre colocamos uma nova história lá! Além das histórias o blog também é um espaço de reflexão nosso. Às vezes, a notícia não inspira exatamente a criar um conto, mas a falar sobre ela, dar a nossa opinião.

Escritores e noivos, Paulo Sérgio Moraes e Guilherme Olí.

Ben Oliveira: Ainda sobre os relacionamentos pessoais e profissionais. Você foi um dos apoiadores do romance Condicional, do Paulo Sérgio Moraes, e também participou do RN15. A jornada do escritor no Brasil nem sempre é fácil. Como você avalia a importância do autor ter alguém para acreditar na escrita e projetos dele?

Guilherme Olí: Logo que eu conheci o Paulo ele me contou sobre a ideia do livro. Na hora eu achei que funcionaria e disse que valia a tentativa. Ele ia escrevendo, me mostrava, contava as ideias e a empolgação dele só crescia. Foi muito especial participar disso, principalmente porque eu percebia que o objetivo dele era criar e contar uma boa história. Acho que isso é fundamental para todos os escritores. O resto tem que ser consequência desse desejo.

E no meu caso, sem apoio não sai nada também! Eu escrevo histórias desde criança, mas quase nunca mostrava ou levava a sério e elas iam se perdendo. Hoje me lembro de várias que escrevi e gostei, mas não tenho nenhum registro. É uma lembrança um pouco ruim, um dia espero resgatá-las.

Outro ponto importante é que com o apoio dele e a vivência da publicação do Condicional eu vi que não era um processo que precisava ser sofrido. Hoje essa é a nossa principal atividade e o que nos deixa felizes! Dá um orgulho danado! (E no fim das contas muita gente acha que a gente só fala sobre livros em casa… hahahahaha imagina só?!)

Ben Oliveira: Quais são suas expectativas para os lançamentos de Remoto e Improvável e Remetente N15?

Guilherme Olí: Vão ser dois lançamentos muito próximos, então estou mega ansioso! Porém, ainda assim quero levar tudo com muita tranquilidade. Procuro não pensar ainda no alcance, nas vendas… Creio que isso é um processo longo.

O meu principal objetivo é fazer com que essas histórias cheguem longe, que as pessoas leiam, comentem… Gostando ou não, isso não me preocupa tanto, a indiferença é sempre pior do que um comentário negativo, né?

Nos dois livros há personagens com diferentes perfis e tenho certeza que as pessoas vão amar alguns, não gostar de outros, se identificar mais com uns, menos com outros deles… Essas reações são o que as histórias podem causar de melhor. Quero ver como isso vai rolar!

Ben Oliveira: Quais são os seus escritores (ou livros) favoritos?

Guilherme Olí: Eu sempre me pego favoritando as coisas mais recentes… hahahaha
Mas pensando em tudo o que li até hoje, tem coisa pra caramba! Alguns dos autores que gosto muito são o Martin Page, o Pedro Bandeira, o George Orwell, o Robert McKee… E gosto bastante do John Green, da forma como ele busca referências para enriquecer as histórias dele! Isso faz toda a diferença. Embora os livros dele não sejam os que eu mais gostei de ler, ver a forma como ele constrói as histórias me faz dar um valor danado!

E tem aquele lá, o Paulo Sérgio Moraes né… hahahahha esse eu amo!

Quanto aos livros, selecionei dez de diferentes estilos, mas a lista é muito maior (ainda bem que existe o Skoob!)

Como me tornei estúpido, do Martin Page; 
Laranja Mecânica, do Anthony Burgess;
Blecaute, do Marcelo Rubens Paiva;
O Céu dos Suicidas, do Ricardo Lísias;
Fim, da Fernanda Torres;
O mundo de Sofia, do Jostein Gaarder;
Perácio, do Bráulio Mantovani;
Alice no país das maravilhas, do Lewis Carrol;
Meninos Sem Pátria, do Luiz Puntel;
A vida secreta das abelhas, da Sue Monk Kidd.

Ben Oliveira: Quais conselhos você deixa para quem sonha em escrever e publicar um livro?

Guilherme Olí: Que cada autor tem um modo de criar, um objetivo próprio, e que é importante conhecer qual é o seu. Além disso, que cada livro tem um modo de ganhar vida, por isso se você lançar mil livros, cada um deles terá um processo único de ganhar vida.

No mais, o que eu posso dizer é: controle sua ansiedade sempre! No momento de ter ideias, aproveite, se exceda, tenha opções. No momento de escrever, não tenha preguiça e não fuja das milhares de revisões que são muito necessárias. Na hora de lançar, preste atenção no que pretende com o livro e não escolha a primeira editora que surgir, tenha paciência de optar pela que vai te atender melhor.

E o mais importante: livros são documentos! Tenha certeza de que deseja lançar. Por mais que a gente sempre melhore nosso processo de escrita, tenho certeza de que, daqui uns dez anos, você não vai querer se envergonhar e se arrepender por ter lançado algo ruim.

Bônus:

Sobre o livro Remoto e Improvável:

Sinopse:

Um homem e uma mulher se conhecem e, por alguma razão misteriosa, se atraem. 
Por que não se entregar? Afinal, amanhã, ninguém sabe.
Mas e quando há quilômetros de distância e inimigos clássicos de toda persistência amorosa entre eles? E quando nem os autores sabiam como esse romance terminaria e simplesmente deixaram-se levar por esse turbilhão de emoções vivido pelos personagens?

Conheça Tarso e Bia. Uma história epistolar, contada apenas em trocas de e-mails.

Ao criar Remoto e Improvável, os autores Guilherme Oli e Paloma Leite assumiram o papel de cada personagem. Gui criaria Tarso. Paloma criaria Bia. Definiram juntos um ponto de partida, uma situação para que seus personagens se conhecessem. Depois disso, a forma como se desenvolveria ou acabaria seria espontânea, sem um caminho pré-determinado, no improviso, a esmo.


Lançamento Oficial na Bienal do Livro de Minas Gerais, de 14 a 23/11 em Belo Horizonte.
Vendas pelo site da editora PerSe: www.perse.com.br (disponível em versão impressa e PDF).
Também é possível comprar pela página do livro no Facebook: www.facebook.com/remotoeimprovavel.
e-Books estarão disponíveis em breve, assim como outros locais de venda do livro.
Evento de lançamento e sessão de autógrafos: 01/12 em São Paulo-SP (local a confirmar via página do Facebook).
Perfil do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/414800-remoto_e_improvavel

Sobre o livro Remetente N.15:

Sinopse: Um investigador encontra 14 cartas com algo em comum: Seus remetentes desapareceram. A cada carta, segredos, paixões, alucinações e crimes são revelados… A cada carta, um autor diferente. Mas, quem será o remetente de número 15? Além de histórias emocionantes, o leitor terá grandes surpresas no final do livro.

em fase de pré-venda/captação pelo site: http://catarse.me/n15
previsão de lançamento: Fevereiro de 2015.
página do livro no Facebook: www.facebook.com/remetenten15

4 comentários:

  1. Ficou muito legal, Ben! Obrigado!! =D

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    1. Fico muito feliz que tenha gostado! Eu agradeço pela oportunidade de entrevistá-lo e desde já desejo sucesso no lançamento de Remoto e Improvável. A experiência de lançar um livro na Bienal deve ser incrível!

      Abraços

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  2. Um garoto talentoso e parceiro. Remoto Improvável tá lindo! Sou suspeito pra falar. Hehe
    Adorei a entrevista!

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    1. Fico feliz que tenha gostado, Paulo! Espero que mais pessoas se interessem por Remoto e Improvável e também por Remetente N15. Essas entrevistas são muito gostosas, porque além de dar uma força para os colegas, acabo aprendendo mais sobre o processo de criação literária.
      Abraços

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