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Destaques

Espectro Autista: Reflexão sobre conscientização do autismo

Vez ou outra eu recebo mensagens de pessoas pedindo ajuda sobre como trazer mais conscientização em lugares nos quais pouco se sabe sobre autismo. Nem toda cidade tem especialista em autismo, isso é um fato que todo mundo que já precisou de um, sabe como é. Minha dica é: compre/arrecade livros ATUALIZADOS sobre o assunto e/ou livros de ficção (com personagens autistas) e/ou livros escritos por autistas. Recomendo firmemente a literatura, já que a leitura trabalha a empatia e fica mais fácil dos neurotípicos entenderem como é estar 'na nossa pele', mesmo que por alguns minutos.


Não vai dar livro desatualizado, que é um desserviço. Já tem muita desinformação no Brasil. Eu poderia fazer uma lista sobre todos absurdos que leio, mas não vou.

Enfim, não dá para fugir da leitura. Infelizmente, muitos conteúdos brasileiros estão defasados, outros logo vão estar por causa das alterações do CID11 do Espectro Autista [só entra em vigor em 2022]. Tem muita coisa boa produzida pela comunid…

Filme: O Abutre mostra cinegrafista e a podridão por trás das imagens sensacionalistas

O Abutre (Nightcrawler), filme de drama e suspense que estreou no Brasil no final de 2014, conta a história de Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) e como ele se transformou em um cinegrafista de imagens inéditas e sensacionalistas, como registros de vítimas de tiroteio e acidentes de carro. O filme foi escrito e dirigido por Dan Gilroy, marcando sua estreia como diretor.

Louis é o protagonista do filme O Abutre. Ele apresenta características de um sociopata, como a incapacidade de se relacionar com outras pessoas, contar inúmeras mentiras com naturalidade e sua insensibilidade diante dos outros. Como o próprio título do filme indica, ele se comporta como a ave que se alimenta de cadáveres.


Antes de se tornar cinegrafista, Louis Bloom mente e rouba para ganhar a vida. Ao presenciar um acidente e perceber que repórteres cinematográficos lucravam com aquelas gravações, ele decide aprender mais sobre a área e começa a comprar seus equipamentos. Ele começa com uma câmera simples, gravando as imagens de um homem que levou tiros no pescoço.

Desde suas primeiras imagens, o protagonista parece não se importar com os limites. O Abutre, assim como outros filmes com personagens jornalistas, como O Preço de Uma Verdade e A Montanha dos Sete Abutres, apresentam situações antiéticas dentro da área do Jornalismo e os efeitos da mídia, possibilitando a reflexão.

À medida que o filme vai se desenrolando, o telespectador observa como Louis fica cada vez mais obcecada pelo dinheiro. Sua ambição parece não ter limites. Ele consegue vender suas imagens para um canal de televisão e por mais que alguns conteúdos sejam fortes demais e ultrapassem os limites (até mesmo de outros profissionais veteranos), as reportagens exibidas começam a fazer sucesso e aumentar a audiência.


Além do desrespeito, ele engana um rapaz, convencendo-o a se tornar estagiário. A mania de grandeza de Louis faz com que ele crie uma empresa fictícia e consiga registrar cenas que outros profissionais não se atreveriam. Invasão a domicílio, alterar cenas de crime, mover corpos, cúmplice de homicídio, dirigir acima da velocidade, monitorar os canais de comunicação da polícia para ter imagens quentes... A lista de violações cometidas por Louis é extensa e a editora para quem ela vende suas gravações, cada vez por um preço maior, parece não se importar com os meios, somente com os fins – desde que ela garanta uma boa audiência para o seu programa jornalístico e mantenha seu emprego, tanto faz sua origem.

Não vou dizer qual é o clímax nem as reviravoltas do filme, pois não quero estragar as surpresas. Só posso dizer que Louis surpreende a cada minuto. Jake Gyllenhaal interpretou muito bem o personagem, e nos faz ficar com o coração acelerado, pensando qual será a próxima loucura que ele vai aprontar.


Quanto à fotografia do filme, o telespectador se sente, literalmente, dentro do carro de Louis, acompanhando suas aventuras. O Abutre traz uma dose de realismo, tanto no comportamento dos personagens, como dos efeitos especiais, e nos deixa questionando uma série de coisas. Quantos outros abutres existem pelo mundo? Quais são os limites dos programas jornalísticos? Vale tudo pela audiência? Os profissionais estão insensíveis com a vida humana, a ponto de se preocuparem mais com o ângulo e enquadramento, como a cena vai aparecer na televisão e se vai fazer sucesso, ao invés de ajudarem as vítimas?

Outro ponto interessante nestas reflexões sobre o filme é a de que o jornalismo é uma das áreas de atuação que mais atraem psicopatas, seja pela questão do narcisismo (culto exacerbado da própria imagem), do falso glamour e desta insensibilidade (Lous filma um cinegrafista que ele conhece e se acidentou, sem dar à mínima, com a desculpa de que está sendo profissional, além do final chocante).

Nightcrawler ganhou mais de 30 prêmios e teve mais de 50 nominações. Entre os prêmios estão os de Melhor Ator, para Jake Gyllenhaal, Melhor Roteiro e Melhor Primeiro Filme, para Dan Gilroy.

Assista ao trailer do filme O Abutre:



E você, já assistiu ao filme? O que achou? 

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