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Destaques

Marcel Proust e sua devoção pelos livros

Para o escritor francês Marcel Proust, a relação com os livros era como uma amizade. Enquanto algumas pessoas veem a leitura como perda de tempo, para o autor, era exatamente o contrário; sua infância foi vivida de forma plena na companhia dos seus livros preferidos.

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"Enquanto a leitura for para nós a iniciadora cujas chaves mágicas abrem no fundo de nós mesmos a porta de moradas em que não conseguiríamos penetrar, seu papel em nossa vida será salutar"– Marcel Proust, Sobre a Leitura
Sobre a Leitura é um livro que traz um prefácio de Marcel Proust escrito para o livro Sésame et les Lyz, do escritor e crítico de arte britânico John Ruskin, em 1905, além de trazer uma entrevista com Céleste Albaret para a jornalista Sonia Nolasco-Ferreira, publicada originalmente na revista 80, em 1983. Céleste cuidou do escritor e sua casa durante dez anos, até sua morte. No Brasil, a obra foi publicada pela L&PM Pock…

O Mundo das Histórias Inacabadas

Histórias não se perdem. Elas se transformam. Lembrou-se de todas as vezes em que uma boa narrativa começou a se construir em sua mente, mas esquecera de colocar no papel ou de quando estava tão focado em uma só história e acabou deixando as outras de lado.

A vida é feita de interrupções. Queria que essas histórias voltassem, mas nem sempre elas se apresentavam como ele esperava. Os personagens se revoltam contra seu criador e quem pode garantir que algum dia eles foram realmente dele? As tramas se transformam. Os gêneros se confundem… As pontas se quebram e não há nada que ele possa fazer para que voltem a ser como eram antes.


Os dias cinzentos deram lugar aos dias de sol. Então, as folhas cresceram e caíram, a chuva veio e limpou seu corpo. E as estrelas, bom, nem sempre elas brilharam no céu.

Corações ficam pesados. Mentes ficaram caóticas. Olhos ficaram nublados. O giro de 180 graus mudara sua perspectiva sobre tudo. É preciso parar de tentar mudar o mundo e tentar se adaptar, pensou ele, olhando para as mãos calejadas, os dedos tortos que já não eram agradáveis como costumavam ser, mas ainda serviam para segurar a caneta contra o papel.

“Existe um universo dentro de mim”. As palavras se juntaram e tentaram convencê-lo de que por trás de todas histórias há algo que as mantêm unidas. Diante de toda confusão há sempre uma ordem, ainda que ele não pudesse enxergar.

Escrevia com propósito. Escrever era o seu modo de dizer ao mundo: “Eu estive aqui. Não é perfeito. Não é nenhuma obra de arte. Mas é algo meu. Nosso”. A história compartilhada com os leitores deixava de ser dele, abria suas pequenas e frágeis asas e deixava se levar pelo ar.

Pode ser em um sonho, em uma divagação ou em uma tarde de escrita livre. As narrativas saltavam diante dele. Não há para onde fugir. “Somos suas filhas, mas nunca fomos só suas”. Ele ia à livraria e se perdia diante de tantas produções literárias, percorrendo com seus dedos e olhos as capas, contracapas e miolos. Tudo fora escrito. Tudo faltava ser escrito.

Escrevia, em primeiro lugar, para si mesmo. Foi assim que sua paixão começou. Quando a única voz que repetia suas palavras era a dele mesmo. Agora, as histórias já não queriam se esconder dos outros. As histórias queriam ser livres, mesmo sabendo que a liberdade não era como ele imaginara.

A teia volta a ser tecida. As letras se grudam. A caneta move e os ossos são desenterrados. Elas sempre estiveram ali. Elas nunca estiveram ali. Nesta dança de narrativas, algo se quebra, algo se constrói; alguns vêm, outros vão – mas as histórias, elas continuam chegando e girando pelo infinito.

Ele encara o caderno e pensa em quantos outros ficaram incompletos. Tinha um medo terrível de últimas páginas, últimas linhas, últimas palavras. Preferia deixar o peito aberto e sentir a tinta rasgando suas folhas e costurando outras. No final, havia sempre algo inacabado, aberto a múltiplas possibilidades. Um eterno ciclo de aprendizados. E as histórias, elas nunca o deixavam sozinho.

Você sabia que esse texto foi adaptado para o meu canal do YouTube? Aproveite para assistir ao vídeo O Mundo das Histórias Inacabadas:



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Comentários

  1. Olá Ben,

    Que texto lindo! Suas palavras nos trazem esperança, nos comovem, nos tocam... Deu até vontade ler mais, precisamos de um livro cheio de seus escritos.

    Abraços

    Leitor Noturno e Coisas de Um Leitor

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    Respostas
    1. Oi, Matheus!
      Muito obrigado pela leitura e pelas palavras gentis.
      Gratidão.
      Abraço

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  2. Escreve muito bem. As histórias tem de facto o poder de nos transformar. Estou adorando conhecer o seu blog. Passarei a visita-lo mais vezes!Comecei este ano a publicar crónicas no meu blog, se poder dar a sua opinião eu ficaria agradecida: http://historiasdeencantarsara.blogs.sapo.pt/

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    Respostas
    1. Olá, Sara!
      Muito obrigado pela sua visita. Pode deixar que irei conhecer o teu blog também. É sempre bom conhecer outros escritores!
      Abraços

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